Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



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Cunhal.jpg

Hoje, no Público, um excelente comentário de Rui Ramos, historiador. Transcreve-se o final.

Quanto a Salazar e Cunhal, que dizem de nós? Divididos por muitas coisas, estiveram unidos por uma grande coisa: a recusa de que Portugal alguma vez pudesse ter um regime igual aos da Europa ocidental. Os seus votos traduzem qualquer incompatibilidade da nação profunda com a actual democracia europeísta? Não é preciso ir tão longe. A votação de Cunhal é provavelmente um esforço do partido que todos os anos faz a Festa do Avante!. Obviamente, nem o PSD nem o PS julgaram urgente colocar Sá Carneiro ou Soares na corrida. O PS e o PSD esperam ganhar eleições. Os militantes e simpatizantes do PCP já só podem ganhar concursos. Deixá-los. E Salazar? O defunto regime terá certamente as suas viúvas e órfãos. Mas suspeito do carácter genuíno deste salazarismo de concurso. A RTP, num lapso de zelo antifascista, omitira Salazar. Foi o que bastou para muita gente votar nele. A democracia vive também deste espírito de contradição e pirraça. De resto, Portugal é um dos poucos países da Europa onde a extrema-direita não conta. Conta na Itália, na Áustria, e nesses faróis da civilização que são os países nórdicos. O vencedor dos Grandes Holandeses foi Pim Fortuyn. Nem assim a Holanda é ainda uma ditadura. Enfim, caso Salazar ou Cunhal ganhem, tentem poupar-se às epilepsias de antifascismo, ou aos alarmes anticomunistas. Nenhum regime acabou por causa de um concurso. Acalmem-se. Nem Salazar nem Cunhal voltam para a semana. Tal como D. Sebastião nunca voltou.


  1. 1 José

    Li. Depois da recomendação de VPV ao livrito sobre D. Carlos, como sendo um dos melhores do ano que passou, não passo sem ler.

    E que leio, aqui?

    A medida sensata do que representa o concurso: uma espécie de brincadeira em que se gastam dinheiros, sem grande utilidade, a não ser estas discussões.

  2. 2 Assobio

    Pois, também os acho parecidos e assobiei sobre isso, em 22 de Janeiro.

  3. 3 desaparecido

    Acalme-se, Sr. Godinho!
    Então, p’ra que servem estes concursos????
    Pelo menos, ao Sr., serviu para destilar, mais uma vez, o seu anticomunismo badalhoco…
    Você bem tenta, mas não resiste à tentação de se rebaixar vomitando, mesmo que seja, pela boca de outros…

    Lamento, pelo Sr…..

    Recuso-me a assinar, porque não lhe reconheço esse direito.

  4. 4 qq

    este último comentário é mesmo de um democrata…’tá-se mesmo a ver…….Se ganhasse o Cunhal havia democracia como ganhou o salazar já nada disso conta. os votos só são válidos se forem da nossa cor….claro vermelho no caso do amigo anteriro que se acha muito importante sequer para colocar um nome qualquer.

    VIVA A DEMOCRACIA

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