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Em www.aterceiratlantida.com, a Editora Contraponto publica o mais recente trabalho de Fernanda Durão Ferreira, jornalista, investigadora e sócia da Sociedade Portuguesa de Geografia – secção de História.

A conexão da Ilha Terceira com a Antiguidade poderia parecer forçada, mas não é. Já Vitorino Nemésio tinha escrito: «A Geografia, para nós, vale tanto como a História.» A partir de textos de Platão que descrevem a Atlântida e de uma observação no terreno sobre algumas tradições terceirenses, a autora chega a uma conclusão: «as culturas tradicionais transformam-se; não desaparecem». As touradas à corda, a justiça da noite, o sangue cozido nas festas tradicionais terceirenses, o azul, o açor e o próprio nome da Ilha são aqui estudados à luz da relação entre os textos de Platão e a realidade real da Ilha Terceira.

O nome da Ilha pode ter uma relação directa com as ideias de Joaquim de Fiore para quem a idade do Pai compreendia o tempo desde a criação do Mundo até Moisés e a idade do Filho era o tempo desde Moisés até Jesus Cristo. A terceira idade, idade do Espírito Santo, era uma resposta à corrupção que grassava na hierarquia da Igreja do século XIII. Outra hipótese é o nome Terceira derivar na verdade de outro facto: depois das primeiras (Cabo Verde) e das segundas (Madeira e Porto Santo) as ilhas açorianas seriam as Ilhas Terceiras.

Um aspecto igualmente curioso e fascinante neste texto é a semelhança claríssima entre o mapa da Ilha de S. Miguel e a parte inferior do chamado painel do Arcebispo pintado por Nuno Gonçalves. O Infante D. Pedro, filho de D. João I, era o donatário de S. Miguel e as cordas estão dobradas numa semelhança quase total com o recorte da Ilha de S. Miguel. Na Net ou em papel, um texto fascinante.

José do Carmo Francisco


  1. 1 Fernando Venâncio

    Zé do Carmo,

    Curioso tempo, este nosso, atafulhado de sinais, coincidências, premonições. O esotérico soma e segue. Nas livrarias. Nas nossas cabeças.

    Temos de perguntar-nos, caso sejamos sérios: porque é que todos esses «segredos» haveriam de estar guardados para hoje? Não será uma sorte muito suspeita, esta nossa?

    Eu dou também uma sugestão para a origem do nome de Terceira.

    Primeiro, descobriu-se a ilha de Santa Maria. Em seguida, como segunda ilha descoberta (ou vista ao longe), veio a de São Miguel. Depois, avançando para ocidente, descobriu-se uma terceira ilha, a que chamaram «Terceira».

    Mas é claro: esta, a mais corrente - e suficiente - explicação, é muito, muito banal.

  2. 2 Joaquim Nascimento

    O que é certo é que Fernanda (re)descobre ilhas novas e outras terras de espantar porque sabe viajar no tempo e interpretar antigos sinais, com a rara Sabedoria que mereceu e de que talvez seja a última guardiã.
    José do Carmo Francisco apresenta-nos Fernanda na irrefutável lógica da suas descobertas sobre os Açores e fá-lo com o mesmo acerto com que no-la desvendou anteriormente num esboço que aqui lhe dedicou e onde vou buscar este epíteto para Fernanda: uma cronista moderna de lugares antigos.
    Joaquim Nascimento

  3. 3 Anónimo

    Eu nunca vi uma pessoa tão céptica como o seu Fernando. Será verdade que Giordano Bruno disse que “a verdade não se altera só porque a maioria não acredita nela”?

  4. 4 Fernando Venâncio

    Anónimo das 05:15 PM,

    Quem viu filiar expressões populares portuguesas na materialidade sonora do caldaico - há uns anos, apareceu entre nós um livro que ‘demonstrava’ essa filiação - fica curado para toda a vida da Conspiração Universal.

    Sim, se as casuais sequências sonoras deste nosso português actual (digamos ken-ten-ku-ten-medu) devessem filiar-se, não numa lenta evolução interna, perfeitamente retraçável, mas num esotérico contacto com a semântica caldaica - como se teriam formado, então, os idiomatismos do galego, e do castelhano, e do neerlandês e de tantas outras línguas, que têm connosco tantos elementos estruturais de todo o tipo em comum? Não há caldaico que chegue para tanto desvario.

    Essas ‘descobertas’, Anónimo, enchem o olho a papalvos, ficando nós a perguntar-nos como podem os seus autores pensar que gerações de historiadores andaram séculos procurando o que eles - zuff! - tiram da cartola. E que nós o engolimos!

    Eu tinha quinze anos quando, pegando na Bíblia, demonstrei que, entre Adão e Noé, houvera tempo suficiente para o desenvolver duma civilização de alta tecnologia, que o Dilúvio, evidentemente, teria destruído. Ninguém me deu ouvidos. Eu tinha ali um grande futuro…

    «Céptico», diz você, Anónimo? Ainda é ser simpático.

  5. 5 jcfrancisco

    A mim também me disseram que o meu primeiro livro de poemas venceu o Prémio Revelação da APE porque tinha 21 poemas que é a ligação de dois números mágicos - o 3 e i 7. Tudo é absolutamente relativo…

  6. 6 jcfrancisco

    É a terceira vez que respondo. Algo se passa. Só para dizer que quando ganhei o PRémio de Poesia Revelação da APE houve quem pensasse que tal se devia aio facto de o livro ter 21 poeams o mesmo é dizer dois números sagrados; o três e o sete. Mas eu escrevi os poemas sem pensar nisso.

  7. 7 fv

    Aí está, Zé do Carmo. Deu-se, a teu respeito, um «significado» a coisas que se deviam a puro acaso.

    É isso que fazem os autores do esotérico.

  8. 8 Sarah Santiago

    “Eh poi si muove!”
    Os cépticos têm o mesmo direito à vida que o resto da humanidade.
    Simplesmente,´no caso presente, só deviam dar opiniões depois de lerem o que:
    http://www.aterceiratlantida.com tem para contar.
    Beijinhos.
    Sarah.

  9. 9 Isabel

    Também acho.
    Os cépticos têm o mesmo direito à vida que os polícias, que os burocratas, até mesmo que os pretendentes à presidência do PP. Só que o texto em questão fala APENAS de factos, apresentando dados históricos e documentados. É de ler!
    http://www.aterceiratlantida.com
    Isabel

  10. 10 pepe

    Depois da descoberta da Tróia histórica ou duma cidade inca perdida, realmente podemos acreditar descobrir a Atlântida nos Açores. Porque não?

    O meu cepticismo metódico e chato obriga-me a fazer algumas reflexões:
    - a autora alega ter havido uma população indígena na altura das Descobertas. Posteriormente, essa população transmitiu tradições e saberes. Comparando a mesma situação com o que se passou nas Canárias, pela mesma altura, creio que deveria ser de esperar mais provas materiais e documentais a seu respeito.

    - a autora fala nas tradições taurinas fazerem parte do “legado” atlante. O que implica a presença do gado bravo autócne na ilha, no sec.XV. Será?!

    - a autora sugere a existência de grandes florestas, incluindo “árvores comparáveis a sequóias”. Não haverá nenhum especialista na área que corrobore essa afirmação?

    Eu não percebo nada de geografia ou história, mas parece-me haver qualquer coisa a acrescentar aos “factos” avançados pela autora que pertencem ao dominio, sei lá…da arqueologia, dos fósseis, essas coisas antigas que ficam muitos anos na terra para aparecerem mais tarde.

  11. 11 Anónimo

    O que me parece espantoso nesta investigação, não é que as autoras tivessem descoberto os Vestígios da Atlântida.
    O que é incrível é que este Ovo de Colombo só agora tena sido desvendado.
    Onde estavam - mais uma vez - os antropólogos e os historiadores? Mais uma vez têm de ser os jornalistas a fazer o trabalho deles!
    Esperemos que ISTO não fique por aqui!
    Júlio Serpa

  12. 12 vitor

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