Tempo de acordar

No mundo do marketing português, o que se entende por “redes sociais” nem sequer chega ao Twitter, fica-se pelo Facebook. Tudo o resto, com excepção para acções pontuais com blogues, não merece investimento. Nesse mundo já aconteceram alguns escândalos com marcas que viram centenas, e milhares, de comentários negativos sobre os seus produtos ou serviços aparecerem nas páginas azuladas que o outrora puto esperto inventou. As mesmas aflições ocorreram com o Pedro, no tempo em que ainda era o Pedro, e com Cavaco, coisa que nunca deixou de ser. Destes episódios nasceram duas ilações, uma conhecida e outra que vou revelar em primeira mão:

1ª – O que acontece nas “redes sociais” fica nas “redes sociais”.

2ª – Os escândalos com origem nas “redes sociais” que chegam à comunicação social são oportunidades imperdíveis para quem pretenda superar a crescente fragmentação mediática e atingir a maior audiência possível.

Assim, o mundo dos blogues, do Facebook, do Twitter e das caixas de comentários das edições digitais da imprensa não tem relevância política – isto é, não influencia os resultados eleitorais, apenas serve como um gratuito e gigante grupo focal. Mas um conteúdo pode ganhar força nesse meio para se tornar num acontecimento jornalístico. Nesse caso, ele transforma-se numa bola de neve mediática e oferece-se para ser aproveitado. Se a lógica for promocional – como se fez em Hollywood desde o princípio do século XX, e se repetiu na indústria da música Pop (Madonna, como exemplo supremo), e logo depois na indústria das celebridades (com a genial Paris Hilton a dar o passo final que Madonna apenas simulou) – o escândalo favorece a sua autoria e cria ou reforça uma dada marca. Se a lógica for adversativa – como no campo das actividades comerciais, estatutos institucionais e disputas políticas – o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro. Porque se abre a oportunidade para o alvo do ataque dispor de um protagonismo mediático que, talvez ou muito provavelmente, não conseguiria obter apenas recorrendo aos seus recursos.

O caso das declarações de António Costa é paradigmático destas dinâmicas. O que ele disse perante uma plateia de chineses a 19 de Fevereiro passou então sem merecer atenção porque, de facto, se trata de uma banalidade. Há várias formas de justificar que Portugal esteja diferente para melhor sem com isso estar a entrar em contradição com a evidência: estamos também muito pior. O que criou a notícia foi a sua exploração política em registo de chicana, de imediato amplificada e densificada pelo aparato formidável da máquina mediática da direita portuguesa. Ora, foi aqui que Costa voltou a revelar ter sérios problemas de clarividência estratégica.

O que haveria a fazer era sorrir, feliz da vida, e agradecer aos ranhosos pela extraordinária oportunidade de poder ocupar todos os noticiários e destaques noticiosos. E isso, para mais, num dia em que se lançava a nova versão do Acção Socialista, no qual estava uma entrevista sua à espera de ser promovida. Poderia ter marcado uma conferência de imprensa de urgência, ou poderia ter corrido os espaços de informação de todos os canais televisivos por onde quisesse passar, pois todos tinham interesse em tê-lo em estúdio ou frente a uma das suas câmaras. A ocasião era perfeita para malhar nos fanáticos sem dó nem piedade. Em vez disso, assistimos a desorientação partidária, declarações de Costa sem impacto e ao envio de um SMS cujo argumentário ainda conseguiu fragilizar mais a sua posição. Um desastre em termos de relações públicas e gestão de imagem.

Não sei por experiência própria nem por informações de terceiros, mas parece-me que Costa será um líder que não se preocupa em ter equipas que o ajudem no processo de decisão. Os erros estratégicos não são de agora, foram notáveis em 2013 e durante a campanha contra Seguro. O período que já leva como secretário-geral não mostra melhoras, como se pode avaliar pela ineficácia da retórica parlamentar, pelas sondagens e pelo sentimento de não estar a ser castigador para com aqueles que nos castigaram – e castigam – pelas piores razões. Contudo, vai sempre a tempo de acordar.

26 thoughts on “Tempo de acordar”

  1. O plano parece ser titubear até às eleições… o problema é que o Carlos Alexandre ainda vai encontrar um telefonema qualquer com o Sócrates, que venderá ao CM, e lá se vai o que resta de cachet para o galheiro. A oligarquia fascista não brinca.

  2. eu não diria melhor porque está excelente! :-)
    talvez acrescentasse, porém, que tudo pode ser dito e que é da justificação para o que se diz que surge a admiração. neste caso em particular assiste-se, uma vez mais, à tal infantilização da política – aquela que descura a estratégia, pela Cidade, e se enche de narcisismo e de convencimento no topo do Google.

  3. Com efeito, é mesmo tempo de acordar … de outro modo, o prejuízo da maioria
    será curto! Se a estratégia da anterior direção do PS foi ignorar/esquecer o pas-
    sado da sua governação, não colocando o ónus da situação nos ombros desta
    maioria que quase destruíu o País, foi rejeitada pelas bases porque razão, conti-
    nuam a existir tantos “paninhos” no desmontar da lenga-lenga?
    Deviam ter sido mais lestos a desmontar o “spin” do irrevogável posto a circular
    pelo seu valete para os trabalhos sujos, dada a sua pose, refiro o dandy de Joane,
    que pensam ser esta a melhor forma de fazer política, ignorando os danos colate-
    rais para a partidocracia que estas acções provocam … sem nada resolver!!!

  4. Era cedo para apear Seguro, mas a brigada do alzeimer lixou o Costa ao empurrá-lo contra o Seguro.

    Essa mesma brigada está agora a querer tirar-lhe o tapete.

  5. Já podem deixar Sócrates respirar um pouco. O PS “foi-se” com a monumental asneira de Costa. Não porque a asneira seja comparável às enormidades que os actuais governantes têm bolsado, mas porque os media estavam exactamente à espera “disto” para dar a derradeira estocada nas pretensões do PS. Os magistrados estão a fazer, diligentemente, a sua parte, e agora têm os media a completar o trabalho à custa das infantilidades de Costa, Este infeliz SG do PS , depois de duas estrondosas derrotas presidenciais, não foi capaz de gastar umas horitas para apresentar um nome firme e prestigiado para a corrida a Belém, quando tudo começou a mexer. Espera que tudo lhe caia no colo. O PS a caminho do destino do PASOK? Penso que sim.

  6. Trabalho excelente e para levar a sério. Tem toda a razão: António Costa tem de acordar, e já, tem de arrepiar caminho, e já. A Direita, em Portugal, é capaz de tudo – até de crimes – para se manter no poder.

  7. A minha pergunta é: será que este António Costa não terá sido contagiado pelo síndrome do círculo enquadrado e não se terá aproximado demasiado das estrategias deste desgoverno e dos seus principais mentores, estando já a pensar como eles?
    Bom, lá se foi o meu sentido de voto. Porra para isto: em quem poderei votar nas próximas legislativas que me não desiluda assim? Respondam-me, por favor.

  8. Será que este Costa é assim tão diferente do outro Costa Bluffialista que sorri pateta para as câmaras enquanto debita umas patacoadas sobre o mais curto e económico caminho de chegar ao POTE debitando vacuidades e arrotando oportunismo político cobardolas ?

    Este Costa é um Equívoco e um reflexo deste socialismo PREGUIÇOSO e INCOMPETENTE.

  9. Se pensas como a direita, acabarás a governar como a direita. Agora Costa pode falar de si próprio. Se é que não se referia já a si mesmo quando teve aquele momento de lucidez…Com a prisão de Sócrates e com a prisão dos que se anunciam (os governantes cúmplices no favorecimento do Grupo Lena) “isto” já estava preso por arames. Agora rebentou tudo. Costa era a última esperança`dos socialistas. Tinha provas dadas na governação de Lisboa. Mas até na Câmara começou a meter água. As taxinhas não podiam ter vindo mais cedo ou relegadas para depois do “ano eleitoral”? Eram uma urgência ? Ele não sabe que se pode perder umas eleições por merdinhas como esta, desde que bem exploradas pelos media, que puxam todos para o campo adversário? Ou a ingenuidade dos xuxas não tem limites? Estou também a pensar no rasgado elogio do Jorge Coelho (na Quadratura do Circulo) ao competentíssimo Paulo Macedo da Saúde. “Não está em causa a sua inegável competência”… Sic!!! Assim mesmo! Estas figuras iluminadas do PS devem achar que os ministros (do PSD e do CDS) deste governo são vítimas dos ministérios que supostamente deviam governar. Coitadinhos, tão competentes que são e sai-lhes aquilo na rifa!

  10. A evidencia abate – se sobre esta cinzenta, preguicosa e balofa constelação xuxa: falta – vos tomates e coragem para assumirem uma verdadeira alternativa ! Estão obesos e pançudos (literal e metafóricamente), paralisados entre a prolifera e verborreica prosápia humanista/ solidária e uma ideologia de gelatinosa e incapaz xuxialisse !

  11. Ainda estou em estado de choque com as afirmações de A. Costa. Parece que no Largo do Rato ficou um vírus Seguro. Não fala sobre o que é importante para os cidadãos portugueses, não se sabe o que pensa da Grécia, não avança com propostas concretas, remete tudo para o verão, elogia Rui Rio, não se sabe o que pensa da municipalização da educação, deixa a ex-ministra da educação vir defender a abolição das “retenções” porque custa muito ao erário público. Agora vem-nos com o Portugal está diferente! O PS, tal como PSD/CDS, é um saco de ratos no poder ou à espera do poder.

    Como bem afirmou Pacheco Pereira, não foi A.C que deixou a Quadratura do Círculo. Foi a Quadratura do Círculo que saíu do A.Costa.

  12. oh evidente miguelista, já percebemos que o partido socialista está bloqueado, tudo gordo, sem tomates ou discurso e a caminho da pazokada. portantes, nem percebo porque é que estás a gastar latim com o cadáver, no teu lugar já tinha ido comemorar com os desbloqueados, magros com tomates e discurso a caminho da vitória por maioria absoluta e dos milagres económicos.

  13. “… em quem poderei votar nas próximas legislativas que me não desiluda assim? Respondam-me, por favor.”

    lorenzo, a resposta é óbvia: vota passos & portas, esses mentem a toda a hora, não desiludem.

  14. “Ainda estou em estado de choque com as afirmações de A. Costa.”

    poizé, almas sensíveis que se preocupam com a cor da gravata do costa. vê lá se ficaste preocupado com a marilú a lamber os tomates ao schauble, o pedrito a aldrabar estatísticas da dívida ou o portas orgulhoso com os números do desemprego, tudo cenas recentes que ninguém notou e os que notaram foi para aplaudir. tendes uma lata do caraças para brincar aos ofendidos & encornados.

  15. SalvÉ, Ó Ign……,

    Pá, é assim, com o pedrito e a miss swaps a gente já sabe o que a casa gasta….

    Com o A. Costa, a gente, sei lá, pensava que era diferente……e aqui quero deixar a diferença que há entre este meu diferente e o “diferente” de A. Costa, embora ambos queiram dizer melhor.

    Entretanto, no meio das brincadeiras de playground, a pedrito quer 1 coligação /compromisso/ consenso com o PS e o PS vai dizendo que, pá, a gente até jogamos à bola, mas combinamos que ora marca um ora marca o outro, que isto a vida está má e há que dar tachos a uns e outros. Depois vem a excelsa ex-ministra Marilu Rodrigues e mais a Odete João (que sabe muito de educação) dizer que as retenções se devem acabar JÁ! porque é chato e traumatiza e custa muito ao erário público, juntando a sua opinião ao grande David Justino da CNE e a mais todos os fofos que defendem a escola dos afectos e beijinhos, mesmo se os meninos afirmam que se estão nas tintas para aprender, arrotam e peidam-se nas aulas, ainda se aperndessem…..

    Tal como o jogo viciado da bola no playground entre o arco do triunfo, perdão, da governação, estes meninos devem continuar o jogo mesmo se não percebem nada das regras porque podem, coitadinhos, sairem traumatizados. Um grande abraço ao Zeinal Bava ou lá como o CEO se chama que, perante todos, num exame oral, afirmava- não sei, não me lembro, a bem dizer a memória já me falha, eu não sei…..mais um que deve transitar de ano com uma bolsa de mérito e muitos prémios.

    Farto destes gajos todos!

  16. “Farto destes gajos todos!”

    atão vota na churrasqueira gerómino que promete amanhãs cacarejantes e tem o mesmo pugrama há 50 anos.

  17. “Costa responde a Passos: “Ou nós ou eles. O país não precisa de um Bloco Central”

    1º- o “nós” é quem?

    2º- não precisa de um bloco central, mas, com jeitinho, “nós” ainda limpamos inconseguimentos e implementamos uma mixórdia de consenso/compromissos em nome do sentido de estado, perdão, de estalo, porque isto está diferente, para melhor.

  18. fougu. fougu, desde quandu é que a Paris hiltón, ou antes hit on, é genial, hum? desde quando, hum? debe ser o Perez hilton, penço eu de quoi. oqueie.

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