Propaganda para totós

A JSD é uma organização política que promove assassinatos de carácter. Essa prática não é uma aberração de que se arrependam, nem um momentâneo desvario, antes o corolário da cultura em que se formam os seus dirigentes. Passos Coelho foi aqui talhado, uma escola onde se ensina a fazer política de acordo com os bolorentos princípios de máxima hipocrisia: tudo é fingimento no espaço público; o poder ganha-se pelo engano; a ética não passa de um calhau para mandar às fuças dos adversários.

Como é lógico, e já tem milhares de anos de reconhecimento, os mentirosos mais perversos são quem mais se agarra à bandeira da verdade para a utilizar em seu proveito. A verdade embriaga os seus acólitos, levando-os para um frenesim erótico, por isso atrai tanto e tantos. O sentimento de superioridade absoluta desperta neles alucinados instintos de sobrevivência, gerando violência sem limites. Quem tem a verdade numa mão, como disse um velho-jovem de barbas brancas, tem sempre a inquisição na outra. Esta forma de fazer política acaba de obter um grande triunfo, estando agora a exercer o poder no Parlamento, no Governo e na Presidência da República, para além de também dominar a comunicação social. Qual o reverso da medalha, que fazem quando não estão a caluniar e a conspirar?

O mais recente cartaz da JSD oferece uma luminosa resposta, entre tantas possíveis. Mas esta tem a beleza de ser uma síntese feliz da basicidade que rege a comunicação partidária quando a única ideologia seguida é a da sonsice debochada. Cá temos agora os laranjinhas com uma mensagem que se pretende supra-partidária e no respeito pelo estrito interesse nacional, mas a qual jamais aceitariam subscrever caso estivessem na oposição. Para além disso, o subtexto do apelo à união convoca o cenário de crise extrema – a tal que o PSD provocou precisamente por ter recusado fazer o seu dever patriótico em defesa do País quando tal lhe foi pedido – em ordem a exigir um compromisso moral por parte do leitor deste repto senhorial. Quem se recusar a ser uma peça do actual puzzle de interesses, avisa a JSD, boicota a salvação de Portugal.

Estamos perante propaganda para totós. Contudo, e embora os totós correspondam a uma larga fatia do eleitorado, não estamos é dispostos a aturar totós.

8 thoughts on “Propaganda para totós”

  1. eu trago a verdade numa mão e a inquisição na outra: portugal merece cartazes de gente capaz de saber escrever sem erros – logo para começar a real social democracia.:-)

  2. E isso foi há dois anos e meio – passado quase bíblico em termos de pecadilhos políticos de promessas – hoje é capaz de estar com o comprimentro dum cabo de vassoura ou da altura duma sequoia. Uma desvantagem evidente para agarrar um ladrão ou apear-se dum eléctrico em andamento ou entrar no BMW comprado com dinheiro na mão que não quer nada com a inquisição.

    Jesus, como fiquei indignado com os “alucinados instintos de sobrevivência” dessa tropa dos cartazes!!

  3. Penso nas “jotas” como nas “clacs” de futebol. Naquelas a politica é o pretexto para sua existencia e nestas é o desporto. O desastre anunciado: se no futebol os membros das clacs não ascendem a dirigentes desportivos, já os “jotas” caminham na passadeira vermelha para a chefia do governo da nação ou do grupo parlamentar.

  4. Se ainda se professassse a lei de talião , podia agora publicar-se muitos cartazes com as mentiras que ,em menos de 2 meses, o Pedro e companhia nos brindaram: promessas não cumpridas. Teríamos agora um Pedro Passos Coelho com um enormíssimo nariz de Pinóquio . A Mena Mónica é que já não poderia fazer apreciações tão lisonjeiras sobre os ‘good looks’ do Pedro!

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