Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



No dia 27 de Abril de 2006, na pacata localidade de Harome no Yorkshire, aconteceu o casamento da minha filha Ana Maria. Tal situação em si (e só por si) não justificaria a existência de nenhuma crónica, pois os assuntos privados não podem servir de ponto de partida para um exercício de escrita e de leitura. Não aos assuntos privados. Mas há sempre um mas.

Neste caso um dos aspectos mais comoventes da cerimónia do casamento foi a leitura pela minha filha Marta do poema de Natália Correia que começa assim: Creio nos anjos que andam pelo Mundo / Creio na Deusa com olhos de diamantes / Creio em amores lunares com piano ao fundo / Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes. O mais curioso tem a ver com o facto de o poema terminar desta maneira: Creio que o amor tem asas de ouro. Ámen.

Ora a senhora conservadora do Registo Civil de Molton a princípio recusou o poema porque incluía a palavra «Ámen», mas a minha filha Ana Maria teve artes de a convencer que aquele «Ámen» tinha o significado poético de «Assim seja» pois todo o poema está construído numa dinâmica de afirmação. Numa cerimónia totalmente civil uma referência a temas religiosos seria inaceitável, mas felizmente a senhora conservadora (tão conservadora que ainda usa mata-borrão) acabou por aceitar o poema de Natália Correia lido em voz alta pela menina das alianças, a minha filha Marta. O meu filho Filipe registou tudo em filme funcionando assim de modo informal como o fotógrafo do casamento.

Para uma cerimónia que teve início ao som da música de Eric Satie nada melhor que as palavras fortes, altas e sonoras de Natália Correia numa grande profissão de fé no amor. Assim seja.

José do Carmo Francisco


  1. 1 Anónimo

    cala-te boca!

  2. 2 Anónimo
  3. 3 TT

    E digo eu: vá lá, a “consevadora” não ter exigido que a cerimónia se desenrolasse de acordo com o ainda mais interessante Rito de York. Então é que seria o bonito.

    Também estranho que o pai, como o poeta que todos sabemos ser, não tivesse recorrido a uma das nove musas para fornecer o carme conubial, em vez de deixar isso à responsabilidade da Natália. Teria sido muito mais bonito e tenho a certeza que não haveria “ámens” pendurados.

    Felicidades aos noivos.

  4. 4 Grunho

    A senhora foi logo embirrar com a única palavra que percebia.

  5. 5 Catarina Campos

    “Não aos assuntos privados. Mas há sempre um mas. ”
    Pois há sempre um “mas”: quando os assuntos privados são ponto de partida para historietas nossas que achamos que os outros vão achar graça, não é?

    (este post podia ter sido tirado de um babyblog qualquer).

  6. 6 Catarina Campos

    PS: eu achei graça à historieta, que fique isso bem claro.

  7. 7 4
  8. 8 carrilhão

    Um casamento de “pyres” gosto…

  9. 9 Ezequiel

    Felicidades!

  10. 10 Anónimo

    ijp+çl

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