Inútil – Revista de Poesia nº 2

O título desta Revista nasce na frase de Óscar Wilde: «Podemos perdoar um homem que faça uma coisa útil desde que não a admire. A única desculpa para fazer uma coisa inútil é ser objecto de intensa admiração».

São três os directores (Maria Quintans, Ana Lacerda e João Concha) e este número de Abril de 2010 foi lançado na «nova» Buchholz na Duque de Palmela. Está tudo diferente menos o piano. Não é uma revista só de jovens poetas; há um equilíbrio entre novíssimos e veteranos. Por exemplo: lemos aqui poemas de Amadeu Baptista, Vítor Oliveira Mateus, Nuno Júdice, Joaquim Cardoso Dias, Casimiro de Brito e José Luís Peixoto. Dois excertos dos novos como convite à leitura do todo da Revista.

De Catarina Nunes de Almeida: «Passei toda a manhã debruçada sobre a moldura / agora tem um pequeno terreiro e cresce por lá de toda a fruta / até aves e o teu cabelo está mais tenro mansinho / dentro da luxúria do vidro. / O sol mastigou-te como as estátuas.»

De Rui Almeida: «Os dedos, as coisas / As ruas e tudo o que nelas passa / As paredes dos quartos / Os animais, as árvores / São quase tempo. / Os segredos e os minutos de espera / Ocupam espaço. / Vou dormir em vez de falar do tempo / Dizer dos barcos o contorno no / Breve oceano onde se movem. Vou / Respeitar os mortos enquanto me doer».

Além do interesse dos poemas há um evidente bom gosto gráfico nesta nova Revista.

3 thoughts on “Inútil – Revista de Poesia nº 2”

  1. Excelente meio divulgador de poesia portuguesa,contêmporanea e juvenil,inteligente e sensível como deve ser.
    De poetas está o povo farto!

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