Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Que a Mariana sempre fora destrambelhada, disso eu já sabia, mas que um episódio estouvado e arriscado chegasse a este concretismo hilariante, isso eu estaria longe de imaginar.

Agora que recuperei do meu acesso de riso, disponho-me a contar-vos o que é uma autêntica barracada das telecomunicações modernas.

Sempre conheci a Mariana um tanto ou quanto desequilibrada em relações amorosas. Tanto me aparece de uma forma extravagante, com brilhantes nas pálpebras e nos lábios e um cheiro carregado ao mais insustentável Chanel, como me aparece desmazelada, o cabelo arranjado às três pancadas e a sensação de que anda com o período a gritar por tudo quanto é canto que é uma desgraça ser mulher.

Eu julgava saber tudo sobre a Mariana. Desenganem-se. A caixa de Pandora contém menos surpresas que esta inconcebível mulher gerada entre um charro e uma parede.

Vamos aos factos? Vamos. Mariana, num dia em que se sentia só, abandonada, sujeita ao sentimento depressivo de estar irremediavelmente isolada por mera culpa sua, decidiu enviar, através do telemóvel, umas mensagens a um ex-namorado. Em tempos, sabia o número dele de cor, mas isso já ia há tanto tempo que ficou na dúvida se começaria por 963516… ou 963615… Célere e muito expediente em problemas práticos, Mariana decidira enviar para os dois números. Um deles, provavelmente, nem existiria e o outro, de certeza absoluta, iria parar ao ex-namorado.

As sms da Mariana são do tipo: “Contigo, só mesmo queca pela queca. Sem compromissos. Não gosto de ti.” ou “Então? Já te decidiste? Se quiseres, amanhã ou depois de amanhã. Pensa nisso.”.

As mensagens eram entregues em ambos os números. O ex-namorado, que não gosta de perder uma ocasião e de comer o que se lhe oferece de bandeja, respondeu imediatamente, ficando a Mariana a saber qual era o número exacto dele. Entretanto, só para satisfazer a curiosidade do leitor, a Mariana não chegou a fazer nada com o ex, pois acobardou-se e chegou à conclusão que mais valia tocar uma punheta, como dizem os gajos, do que esfregar a tripa com um palerma daqueles.

O inesperado surgiu semanas após o envio destas mensagens. A Mariana recebera um telefonema e, após ter atendido, desligaram-lhe a chamada na cara, sem mais nem menos. O instinto feminino fica logo aguçado, claro, e percebe nesse acto um não dito por dizer, um parênteses que permanece aberto ou umas reticências absolutamente irritantes.

À noite, Mariana decide enviar uma mensagem para o curioso número da chamada desligo-te-na-cara: “Boa noite. Tentaram contactar-me deste número 91*******, mas logo de seguida desligaram. Foi algum engano?”.

Meus meninos, transcrevo agora no Aspirina a troca de mensagens entre a Mariana e o misterioso número:

- “É para deixar o meu marido em paz e para com as mg para o tm dele se não temos problemas.” Continuou: “Veja bem para quem manda essas mg ele não é solteiro e além de casado tem 3 filhos.”

- “Eu não sei do que está a falar. Marido? Quem?” Mariana prosseguiu: “Deve ter-se enganado.”

- “Está a fazer se esquisita mandou ou você ou alguém desse número para o do meu marido umas mg para convidá-lo para certas cenas.” Rematou: “Não você é que se deve ter enganado.”

- “É assim, se quiser, telefone-me. Não sei com quem estou a falar, nem do que está a falar. É muito estranho.”

- “Veja bem para quem manda essas mg ou então se não é você pela quem está a mandar e avise porque se aparecer mais alguma temos problemas sérios. Eu não lhe vou dizer quem sou claro mas posso lhe dizer que o tm em meu marido termina em *** e é TMN por isso vá retificar e veja se não se engana da próxima vez se é que foi engano.”

Mariana ainda não tivera tempo de ler esta última mensagem e já retorquia do alto do seu orgulho à Mata Hari:

- “Quem não deve, não teme e eu é que não aprecio receber sms de uma pessoa bastante alterada. Eu não costumo deixar de amar quem eu amo e se, por acaso, calhou ser seu marido, azar o seu. A vida é mesmo assim.”

A ripostada não tardou:

- “Aí é então continue e vai ver o que lhe sucede é só um pequeno aviso e tenho tudo dito. Adeus.”

Mariana então reparara nos últimos algarismos do número do tão defendido marido e compreendeu num relâmpago toda a situação. Enviou diversas mensagens a explicar genuína e sinceramente o envio das mensagens para dois números muito idênticos e do facto de umas terem ido parar ao marido, inocente, ignaro, encurralado sem saber num tiroteio entre uma mulher digital que nunca possuiu e a mulher de pêlo na venta prestes a defender as três crias em nome do Diabo, da Pátria e da Família.

*

Oferta da nossa amiga Cláudia


  1. 1 Sinhã

    fiquei com uma dúvida

    (a mariana procurava sexo anal, claudinha)? :-D

  2. 2 claudia

    Anda lá, bute daí, sua curiosa. Aproveita enquanto tens a escritora à mão.

  3. 3 Sinhã

    à mão e sem respostas? ora, ora.:-)

  4. 4 claudia

    Sinhã, a tua pergunta não tem resposta. Não sei tudo o que vai na cabeça da Mariana. Andas a pedir muito. Não és pobre a pedir.

  5. 5 Sinhã

    claro que tem resposta.:-) tu disseste: “valia tocar uma punheta, como dizem os gajos, do que esfregar a tripa com um palerma daqueles.” :-D

  6. 6 Manuel Pacheco

    Claudia, gostei do post
    Envio-lhe estes versos de um meu colega

    “Já dei o que tinha a dar”

    Cresce-me o “pêlo na venta”,
    Dei tudo o que tinha a dar,
    Já não tenho ferramenta
    Nem ferros para afiar…

    Mas que ninguém se lamente
    Porque isso é tempo perdido,
    Não há fogo que sustente
    Um vergueiro erguido…

    Ai os meus ricos “tarecos”
    Que parecem dois matrecos,
    Feitos dum trapo barato.

    Já sem ter lustro, nem brio,
    P´ra fazerem só feitio,
    Antes lançá-los ao gato!

    De: Rodela

  7. 7 claudia

    Ai Manuel, o que eu me ri com esses versos, sim senhor, tem jeito e “pêlo na venta”.

  8. 8 Era bom, era!

    cláudia, vai dormir, não chateies, deixa a Mariana em paz. Ou serás tu a Mariana? A outra não és, porque continuas na prateleira. Dedica-te aos cães cláudia, não à escrita nem à pintura! Aos cães, filha, só aos cães. E mesmo assim…

  9. 9 claudia

    A Mariana é a Mariana. E eu dedico-me à escrita, à pintura e, se puder, aos cães. Só desdenho, apenas, filho(a)s da puta de invejoso(a)s como tu :-D Bom domingo! Vê lá se a bílis não te sobe ao cérebro. A inveja é um monstro de olhos verdes, já dizia o nosso amigo Shakespeare.

  10. 10 Sinhã

    era bom, era! o que tens, afinal, contra a dedicação aos cães?:-)

    (aiquebomqueerasesoubessesoquevaleumcão).:-)

  11. 11 Era bom, era!

    Ordinareca, cláudia, ordinareca é o que tu és. Inveja, cláudia, de quê?! Pensa bem. Da falta de talento e de jeito para a escrita, que tu mostras, bem patente neste teu escrito?! Vai-te catar, filha. E aproveita e cata os teus cães, talvez precisem. Já agora, eu tenho os olhos azuis.

    E tu sinhã cala o bico. A conversa não chegou à cozinha. Quem se mostra tão inapta como a cláudia em vária áreas, é natural que ponha dúvida em relação aos cães. Mas em vulgaridade, mediocridade e ordinaríce não há ninguém que vos bata. Olhapramim, cheinha de inveja…E por hoje acabou-se a trela!

  12. 12 Sinhã

    hum.:-)

    (cheiinha. escreve-se cheiinha. e quem te dera estar na cozinha).:-)

  13. 13 claudia

    Sinhã, acho que seria bom dedicarmo-nos a uma análise textual da invejosa que anda aqui.
    A expressão da prateleira significa que essa fulana está impaciente que a tirem da prateleira ;-P Como se uma pessoa estivesse a vida toda numa prateleira, tal um objecto de mercadoria, para que alguém se digne reparar em sua excelentíssima e a tire desse recôndito espaço que é a prateleira.
    Atentemos noutro pormenor, Sinhã, ela anuncia ao Aspirina, tal um oráculo divino, que tem os olhos azuis. Lá está, nunca se sabe, pode ser que esteja aqui, neste espaço virtual, uma pessoa com fetiche por olhos azuis e se lembre de tirar a menina da prateleira. Há aqui agum candidato?

  14. 14 claudia

    E atrás do “Era bom, era!”, quem sabe se não estará uma Mariana com a bílis às reviravoltas… Mais valia ter denominado a minha personagem de Madalena :-)

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