Vinte Linhas 254

Uma livraria com livros e muita música

Na passada quinta-feira (27 de Março) aconteceu música nova numa jovem livraria (Trama) na Rua S. Filipe Nery ao pé dos CTT do Rato. Estava frio e sair de casa não é fácil pois tudo nos envolve na chamada «cultura de apartamento». As pessoas são convidadas a comprar filmes e CDs evitando assim idas ao cinema e aos concertos. Mas foi bom, foi positivo ter decidido sair às 21h 30m de casa para ouvir a música do novo grupo, tão novo que deu na quinta-feira a sua primeira audição pública. O nome do grupo é «Bruno Pernadas Emsemble» e integra os seguintes elementos: Ricardo Ribeiro (clarinete baixo, clarinete soprano e sax alto), Pedro Pinto (contrabaixo), João Correia (bateria e percussões) e Bruno Pernadas (piano, guitarra, ukelele e samples). O concerto constou de oito peças musicais e um encore. Oscilando entre o registo do jazz e da música experimental com passagens pelo tipo de música conhecida por «Indie» mas cuja definição é um pouco difícil, foi um ponto de encontro feliz numa livraria onde em vez das palavras nos serviram notas musicais articuladas de modo a percebermos que só pode improvisar quem tem uma boa cultura musical de base. Os músicos todos eles surgiram a interpretar ora melodias com princípio, meio e fim ora discursos musicais integrando outros sons como por exemplo um boletim meteorológico. Lembrei-me logo dos Simon & Garfunkel que uma vez colocaram a voz do locutor de noticiários da NBC sobre a guerra no Vietname em sobreposição com a célebre canção «Silent Night». Não se trata de comparar mas apenas de perguntar: teremos assistido ao nascimento de um grupo musical com muita música a fazer no futuro? Espero muito sinceramente que sim.

2 thoughts on “Vinte Linhas 254”

  1. Quando venho aqui , ao Aspirina B,. e leio os textos e abro a caixa de comentários , regrido à carteira da 1ºclasse e a minha postura é de aprender. Quase tenho medo de comentar ( ainda que o meu atrevimento seja maior que a vergonha) , pois sei que destoo , mas fico feliz , fico mesmo , nunca imaginei que houvesse um grupo fora dos publicados que escrevesse melhor que os publicados.
    A única coisa que vos peço é uma certa tolerância face a uma aprendiz. E o que vos dou é um agradecimento à Zé Povinho.. Bué da caloroso.
    Penso que o objectivo do Torga aqui foi conseguido. Ainda que o meu portuga preferido seja o Aquilino.

  2. Roles
    Há aqui quem não vá muito pelo Aquilino. Eu tenho-o na conta do mais vigoroso escritor português do século XX. Há até quem julgue que ele inventou palavras. O que ele terá feito foi tentar preservar um léxico que se ia perdendo irremediavelmente. Do século XIX para o XX desapareceram milhares de palavras da linguagem corrente e dos dicionários. Ele terá sido, quase de certeza absoluta, o último a usar, por exemplo, a palavra “faca” como sinónimo de cavalo adulto pequeno. Está em “O Malhadinhas”.

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