Um partido sem colhões

Nunca ninguém no PSD teve coragem para denunciar a corrupção e se demarcar dos vómitos de Jardim. Nunca, ninguém. Jaime Ramos será o continuador deste sistema que chantageia uma população ignorante, isolada e pervertida. O que acontece na Madeira é uma vergonha nacional, mas não é caso único, nem sequer o mais grave. Grave será pertencer a um partido sem colhões.

Veremos se a Manela de Ferro os tem, como se andou a prometer. Quem quer governar a casa tem de conseguir desinfectar a despensa.

16 thoughts on “Um partido sem colhões”

  1. Uma Manela com colhões deve ser lindo. Não é a despensa que é preciso desinfectar, é mesmo a retrete.

  2. Colhões? Fónix, Val, andas mesmo a disparar à queima com o vernáculo taberna…
    Mas olha que eu não acho que os colhões partidários tenham mais obrigação de se imporem dos que os do próprio Estado que, bem vistas as coisas e independentemente da cor no poleiro, continuam ausentes no que respeita aos desaforos insulares.
    E acho que tomates reflecte melhor o espírito da coisa no contexto desta salada.

  3. Não se trata de ter tomates, shark, mas de ter colhões. Quanto ao Estado, e que eu saiba, em 34 anos de festa só o Sócrates conseguiu deixar Jardim à beira do ataque de nervos. Muito pouco, claro, mas notável quando comparado com a triste e indigna figura que Cavaco lá fez há uns meses, e com o silêncio de todo o partido.

  4. Eu cá já ‘fiz’ o Chão da Lagoa. E é claro que me lembro de todos os pormenores, que aquilo é uma daquelas coisas inesquecíveis que acontecem na vida da gente, um brinde cultural, quer como trabalho jornalístico quer mesmo apenas como experiência pessoal. Um grande momento da profissão. Na gíria de reportagem, ‘fazer’ o Chão da Lagoa é partir para um dia intenso com muito para ver, pouco para reportar e animação garantida do princípio ao fim. Nem mais, nem menos. Passo a explicar.

    Muito para ver porque sim, é assim mesmo, é tudo ‘muito’ no dia grande do partido laranja-M. É muita cor e muita música e muita bebida e muita comida e muito grito e muita bebida e muito discurso e muita bebida e muita gente, sobretudo muita gente, arregimentada nos cinquenta recantos da ilha e embalada em autocarros que as despejam no terreiro de Chão da Lagoa como só em Fátima, em dia de Papa. São muitos milhares de pessoas, numa ilha onde não há outros tantos em casa nesse dia. Sabem todas ao que vêm, mesmo aquelas que possam não saber porque vêm, sempre, ano após ano, num ritual partidário que se confunde facilmente com uma prática pública institucional, uma espécie de convite irrecusável à cidadania feito com chancela partidária. Isto se quisermos complicar o que é simples,porque afinal, na prática, acorreram todas ao assobio de um homem, ao chamado do líder bem amado. É o que eu digo, é Fátima em dia de Papa.

    Pouco para reportar porque sim, é assim mesmo, novidade, novidade há muito pouco ou nada, quem viu uma vez, duas vezes, viu três vezes e percebe que pode saltar as vezes que entender que não perde grandes jogadas de recorte estratégico, nada do outro mundo. E depois também ninguém pretende investigações exaustivas ou piruetas de originalidade, pelas redacções nacionais. Basta lá estar à hora dos golos e a história fica razoavelmente contada, regra geral. É certo que com Jardim a regra é que todas as regras têm excepção e tudo pode acontecer. Como por exemplo uma acrobacia mal calculada a acabar com o desabar estrondoso do líder, estatelado numa euforia jaqué, entornado no chão, braço partido, pendurado ao peito nas cerimónias oficiais dos meses que se seguiram como recordação do chão do Chão da Lagoa. Mas isso é a excepção, claro, nem todos os dias Jardim é altamente excessivo; eu julgo até que ele no geral faz por evitar o ‘altamente’. Mas cada um é para o que nasce, é sabido.

    Por isso a muita animação, porque sim, é assim mesmo o nosso Alberto João: uma festa total, uma receita de sucesso em que não se mexe. Como em qualquer fado tradicional que se preze, a música mantém-se igual e só muda a letra, neste caso de ano a ano. “Sócrates não pode continuar a governar Portugal, eu julgo mesmo que é um insulto aos portugueses serem governados por Sócrates”, são palavras a destacar do improviso desta edição, longamente aplaudido, quer a letra quer a música, que a malta no Chão da Lagoa quer tudo e tudo pode. Alberto João fala e atrás de si o conjunto musical sublinha, rufam tambores no pontuar de cada jargão. O líder madeirense classifica o primeiro-ministro como um “grande inimigo da Madeira”, pelas dificuldades que tem provocado à região. E toca a banda. “Esse indivíduo, o grande inimigo da Madeira, pensou que nos podia destruir, pensou que íamos parar com o desenvolvimento roubando-nos dinheiro”, troveja. E toca a banda.” Esse indivíduo faz o que há de menos ético num Estado democrático, usou o Estado para fazer combate político”, garante. E toca a banda. Como toca a todos o aviso anterior de Jaime Ramos, secretário-geral-éme, cujo eco ainda paira no ar: “Se Portugal quer manter a Madeira unida a Portugal, tem de pagar a tempo e horas, senão vai ter uma acção de despejo”, terá arrotado. O povo aplaude, feliz com a hora de circo. E toca a banda, claro.

    Cá de longe, à distância de um oceano, mais gota menos gota, Portugal tudo ouve e tudo vê com a impassibilidade da classe política a tentar fazer-se passar por classe da impassibilidade política. Não é que alguém acredite mas pronto, ‘o estilo é que conta’, dizem. Não fosse a vermelhidão na face do poder, no sítio da luvada, e dir-se-ia que nem o Governo nem o seu chefe deram por nada, entretidos a ver a banda passar, enfiados no coreto de jardim.

  5. poça, uma avó ressequida e ferrugenta com colhões é um nojo inenarrável! Tire-se os colhões que não têm culpa nenhuma de estarem em tão má vizinhança

  6. “É a democracia, estúpido!”
    E, já agora, porque é que o Jaime Gama enaltece o seu trabalho na Madeira? Será que o Gama virou PêPêDê?!…

  7. Rui, deste um retrato muito fiel do aborrecimento da coisa.
    __

    z, discordo. Ela só fica bem se tiver colhões. Senão, fica igual aos homens que por lá passaram.
    __

    adelaide, tens razão, é a democracia. Só que podia ser uma democracia assim a atirar pró melhorzinho. Quanto ao Gama, problema dele.

  8. Eu pensava que era a cozinha que devia ser desinfectada mas se calhar o problema está na matéria-prima e não na forma como é confeccionada. Ou as duas coisas?

    O Jaime Gama enalteceu o trabalho do Jardim? Onde posso ler essa informação?

  9. sininho,
    sugiro o ‘Acção Socialista’. O nome pode não corresponder, mas a prática é como o algodão, não engana. Só pode trazer a notícia. E com destaque.

  10. Eu sei que já não vou a tempo, mas, pela primeira vez na história deste comprimido pirético, é muito mais útil ler o link do Valupi que perder tempo a ler a Peça do RVN, superaquecida ao longo de três quartos por uma febre qualquer que os meus parcos conhecimentos de medicina me autorizam a dizer que não é terçã nem quartã, muito embora não esteja bem certo se será quintana ou octana. Malariológica, talvez, ou lá perto, já que as pertinentes alusões a Fátima em dias de festas com papas me trazem à mente as mariologias.

    Apelo a que se perdõe a farronca dos madeirenses. Metamos de parte por enquanto quaisquer planos para invasão das ilhas para mantermos a ordem pública e respeito, saldarmos dívidas, e preservar a integridade geográfica de grande potência. Não esquecer que muitos daqueles que agora riem das pretensões e acusações dos madeirenses foram também os primeiros a concordarem com o esquartejamento da Jugoslávia.

    Cínicos e filhos de grandes mamãs dissolutas, é o que estes politicos são. Todos eles.

  11. Porque não se faz um referendo, para ver o que os portugueses pensam de dar a independencia á Madeira? Seria interessante

  12. Dar? Mesmo que lhes vendessemos a independência saía-nos mais barato…
    Mas claro que isto é um desabafo, por antever o cacique substituto que se está a vestir.
    O que faz falta são umas lambadas no focinho de meia dúzia de chicos-espertos que andam a dar-nos um bailinho que a todos envergonha.

    (G. Ramos: seria, sem dúvida interessante. E muito esclarecedor…)

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