Sócrates Fan Club – II

O culto à volta de Sócrates é um fenómeno de extremos: da extrema-esquerda, da extrema-direita e da imbecilidade mais extrema. Por isso consegue reunir comunas e reaças numa súbita frente comum. O que não espanta, porque ambos são simétricos na predisposição para o fanatismo, a subserviência acéfala e a violência criminosa como pulsão latente. Quanto aos imbecis genéricos, adaptam-se a qualquer um destes grupos, quase sempre por circunstâncias aleatórias: se o imbecil for professor, segue o activista de extrema-esquerda que lhe promete a defesa das regalias; se o imbecil for comerciante, segue o activista de extrema-direita que lhe promete menos despesa ou mais lucro; se o imbecil for do PSD, segue o Pacheco.


Pacheco Pereira é o mais importante, porque o mais notável e desvairado, cultor de Sócrates. E as suas razões, que são duas, são também as razões de todos os outros maluquinhos: (i) porque sente fascínio, e é vergonha assumir; (ii) porque sente inveja, e é inútil negar. Pacheco não suporta o PSD, nem suporta a convivência com essa corja de videirinhos que pululam em todos os aparelhos partidários e respectivas clientelas directas. Assim, há muito que apostou numa carreira aristocrática na política-espectáculo, imaginando-se vesgo em terra de cegos e passando a explorar a marca PSD segundo a sua exclusiva agenda. O que tem sido uma excentricidade benéfica em tempos de horror social-democrata, caso dos consulados Santana e Menezes, apenas consegue ser patético na sua cruzada apaixonada contra Sócrates. Mas é a vida, como disse o outro.

O texto deste sábado, no Público, faz coro com a turbamulta que acorda e adormece ofuscada por Sócrates, os mesmos que deliraram com a imagem do lobo na pele de cordeiro e logo a repetiram felizes e babados. Só que o Pacheco é como o filósofo de Musil, um general sem exército. Assim, deixou-se tomar pelo entusiasmo geral e sonhou cavalgar a onda, chefiar a maralha. O que apresenta é uma minibiografia de Sócrates que se pretende panfletária, onde se ufana a desmontar a peça e explica qual a função de cada parafuso. O desenho que faz deixa-nos com um político que chegou a Primeiro-Ministro porque:

é um produto de marketing; actor; marca; efémero; muito ambicioso; com pouca “virtude”; com poucas leituras; com muita televisão e computador; deslumbrado com gadgets; movendo-se com à-vontade entre jornalistas e empresários; sem “vida” nem biografia; pensando a política como marketing; só preocupado com a “gestão da carreira”; com a sorte de lhe ter aparecido a causa da co-incineração; com a suprema ambição do “protagonismo”; que faz a ficção da autoridade; que se serviu do populismo fácil de colocar grupos profissionais uns contra os outros; que não é um verdadeiro reformista; que tem semelhanças com Sejano, o qual governava Roma com brutalidade; que, tal como Sejano, é cruel, tem alguma capacidade de organização, completa falta de escrúpulos e um certo instinto de sobrevivência e intriga; que, adaptando os métodos de Sejano à contemporaneidade, faz intriga com jornais, blogues e veneno virtual; que tem algo de artificial, criado pelo próprio e ampliado pela máquina de propaganda gigantesca que ninguém antes dele tinha criado à sua volta.

Ou seja, Sócrates é o maior monstro político de que há memória em Portugal, informa o historiador Pacheco a partir da torre de observação na Marmeleira. E se ele o vê, e o denuncia, só não verá quem não o quiser ver. E só alinhará com este Leviatã quem for cúmplice do mal que espalha a cada bafo da sua respiração. Por exemplo, António Vitorino, António Costa, Ana Gomes, Vital Moreira, Jaime Gama, Alberto Martins, António Seguro, Paulo Pedroso, o próprio Alegre, entre tantos outros, entre milhares e milhares de outros, não passam de zombies ou demónios menores ao serviço do grande Satã. Desse modo, a expressionista visão de um Portugal a caminhar para o caos, talvez mesmo para a guerra civil entre facções anti e pró Primeiro-Ministro, chega ao seu corolário psicanalítico: tal como se fez a Sejano, temos de assassinar Sócrates.

Há quem louve o Pacheco por ser inteligente. Fica por saber qual a definição de inteligência que estão a usar, e por esclarecer se não estarão apenas a comparar uma percepção externa com outra interna. Mas há muitos paranóicos que são inteligentes, facto clínico, e que agudizam o seu estado paranóico na correspondência directa com a inteligência que possuam. Quão mais inteligentes, mais eles encontram desconfianças, distorções, perigos, ameaças, inimigos. É, afinal, uma patologia vulgar e adequada à complexidade do tempo. Outra explicação pode residir nisso de que quem ganha o caviar como velho do Restelo já não consegue aprender novo ofício, está condenado à repetição das mesmas maldições, chinesas ou lusitanas. E vem a correr, aos tombos, até ao Cais das Colunas celebrar cada naufrágio das caravelas — gritando consolado, com um rasgado sorriso, Eu não disse?…

18 thoughts on “Sócrates Fan Club – II”

  1. És um pandego, quanto mais escreves, mais ridículo te tornas!

    Ainda não percebeste que para exultar o menino d’oiro não tens, aliás, não deves rebaixar os seus opositores ou detractores. Se estiveres interessado posso explicar-te porquê!

    Mas só o farei se prometeres largar as porcarias que andas a meter!

  2. Realmente, Sócrates agudiza a cegueira fanática dos seus detractores. Dizer de alguém que tem uma “completa falta de escrupulos” é um comentário politico ? E quando Cavaco governava, tinha a maioria do povo a seu favor ?
    Mas o melhor ainda é quando alguém desmascara isto, como no excelente post acima, aparece um beto de pullover laranja queixar-se de que estão a rebaixar os opositores de Sócrates. Tadinhos deles!! Realmente isso não se faz, Valupi.

  3. Excelente compilação de ideias e observações
    do foro psico-patologico
    da nossa varia deliquência intelectual

    agora
    acompanhados de uns tantos ayatholas
    especie de conselho de guardiães
    numa orgia de teo-economistas complexados

    eles iranianos
    tentam desfazer-se deles

    aqui
    alguns de “nós”
    damos-lhe uma relevancia que eles
    coitados

    sabem não a tem em substancia
    em verticalidade intelectual e moral

    são os modernos hooloigans
    dum pensamento errante dos seus interesses…

    abraço Val!

  4. Vamos lá ver… O que se exalta e admira num deus? Exalta-se e admira-se aquilo que é considerado como superior e digno de adoração. Ora, se assim é, até estou tentado a dar razão ao especialista em esoterismo, o bruxo Valupi. Porquê? Porque sendo o Pinto de Sousa o maior imbecil, o superior imbecil (o só cretino supremo, pois claro), que por aqui anda, só mesmo os imbecis lhe podem andar a prestar culto, na medida em que procuram nesse deus aquilo que os caracteriza, ou aquilo que eles idealizam.
    Mas e afinal o que é que caracteriza e define estes imbecis? É fácil: basta ver aquilo que caracteriza o seu deus. Ora, como o PP diz e eu também já o disse, o deus Pinto de Sousa caracteriza-se por ser um ser vazio, um produto de marketing, um mentiroso, um chico-esperto, um tachista e carreirista, um exibicionista plastificado, entre outras coisas e «qualidades superiores». Portanto, os imbecis que lhe andam a prestar culto são gajos que são ou ambicionam ser vazios, produtos de marketing, mentrosos, chico-espertos, tachistas e carreiristas, exibicionistas plastificados. Em suma, são tipos que ambicionam ser simplesmente imbecis, ou só cretinos, pois claro. São imbecis que de tão imbecis que são nem percebem que querem ser aquilo que já são.
    Mas então o que é que isso tem que ver com os «comunas» e «reaças». Nada! Porque, é preciso não esquecer, que quem diz que os «comunas» e «reaças» adoram o ser supremo da imbecilidade é um dos tais gajos que de facto adora este e lhe presta culto. É um dos tais imbecis que já é o que ambiciona ser, pois claro.

  5. Val, agora não percebi!

    Não está interessado no quê? Em largar a porcaria que andas o tomar?
    Ou que te digam que que és exactamente aquilo de que acusas o Pacheco Pereira e que usas exactamente a mesma forma que dizes que ele usa!

    Ou seja és, também, tu exactamente aquilo de que o acusas. Não sei se ainda não reparaste mas tu gastas linhas infindáveis, por aqui, a falar mal de todos os que criticam o menino d’oiro. O tal que vai passar de bestial a besta num piscar de olho, basta para tal que a coisa corra mal em Outubro!

    Tratas todas a gente que critica o sócrates por imbecil e outros epítetos ainda menos dignos de gente inteligente! Que raio de conceito de liberdade de expressão tu arranjaste. Não se pode criticar que se corre logo o ricos de ………. hum, isso também talvez seja exagero, mas para lá caminhas!

    Bom, em suma, se alguém se distingue pela positiva entre os meus adversários de grande qualidade e gabarito, então é porque é muito bom. Mas se por outro lado sobressai entre os idiotas então se calhar não passa de mau, estás a ver?

    O nosso drama é que nenhum politico sobressai mesmo ante os medíocres. Essa é a nossa desgraça enquanto país!

  6. Oh, Ibne Erric, vai pro caralho, vai foder a paciência à tua avozinha que tem Alzheimer, vai levar no cu e enraba a tua avozinha também, com Alzheimer e tudo.

  7. Este blog até merecia interesse e conseguia manter alguma qualidade. Parece que a derrota eleitoral acabou por trazer à superfície o pior de linguagem insultuosa, provocação gratuita e ataque pessoal.
    Parece que um certo estilo do chefe, com uma maioria confortável, rapidamente transformada em arrogância e sectarismo, se espalhou pelos seus leais defensores. O Causa Nossa e o Câmara Corporativa, entre outros, são casos paradigmáticos.
    É pena, mas é o preço do descambar para a direita.

  8. ds,
    essa de citar o pp quer dizer alguma coisa. se o sócrates é vazio o que poderemos dizer da governação anterior. o sócrates fez, tomou decisões, implementou medidas, e o que fez a governação anterior: nada. e onde está o vazio? no sócrates. é p’ra rir. há falta de objectividade do pp e, por arrastamento, em ti também. `

  9. Jeronimo, o Pacheco pode andar há 9 meses a insinuar que Sócrates é corrupto, por actos ou omissões. Mas não admite que um jornal faça título com uma crítica gozona à sua pessoa. Tudo dito sobre a figura.
    __

    aires bustorff, grande abraço. É sempre uma alegria quando apareces.
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    ds, as tuas análises são muito melhores do que as do Pacheco. Parabéns.
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    Ibn, não estou interessado.
    __

    manuelmgaio, tudo tem o seu preço. Até aquilo que é de borla.
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    Tó Pê, está prometido, e viva a alegria.

  10. Assis, quando eu digo que o deus Pinto de Sousa é vazio estou a referir-me ao vazio ideológico, ao vazio de princípios. É claro que também podemos dizer que ele é um ser cheio: cheio de dissimulação; cheio de mentiras; cheio de aldrabide; cheio de encenação. Mas isto também faz dele um ser vazio de integridade; vazio de verdade; vazio de princípios, lá está. Em suma, aquilo que está em falta em mim, é apenas a fé, a fé própria dos crentes no ser supremo da imbecilidade.

    ___

    OK, Valupi.

  11. Isto é fartar de rir mesmo. O pessoal pode não gostar do Sócrates. Tem todo o direito. Há quem prefira Platão ou o Gil. Tudo bem. Agora dizer que o homem não tem princípios, é vazio é uma autêntica contradição. Se fosse isso, não era acusado de teimoso, determinado, autoritário, prepotente, etc. Se fosse vazio não tinha toda a rapaziada a quem tocou nos privilégios (direitos adquiridos) todos a morder-lhe as canelas. Que não gostem dos seus princípios, não há mal que venha ao mundo, que não gostem das medidas tomadas, também. Agora se ele fosse tudo isso isso que dizem, para quê atacá-lo assim tão ferozmente? A análise de Valupi sobre o Pacheco acertou na mouche. O amor e o ódio confundem-se. Dá-lhes com força Val.

  12. O JPP é mais uma daquelas eminências que defende que a política devia ser para especialistas. Especialistas como ele, que absorvem os calhamaços de ideologia e de ciência e história política pelas áreas pilosas abundantes.

    Nesta sua cruzada para nos convencer que o Sócrates dividiu perigosamente o país é inevitável a comparação com Cavaco Silva. Pois que não consta que o Sócrates tenha ido para os Estados Gerais do Guterres experimentar uma bicicleta nova nem para o Congresso de Guimarães experimentar uns patins topo de gama, no entanto, não tem discussão que também Cavaco partiu o país em dois. De um lado a malta do oásis, das manigâncias da formação do Fundo Social Europeu, da agricultura de tracção às quatro, dos grupos de pressão das obras públicas e outros gaibéus que decidiram posteriormente apostar nas aldrabices privadas, se em negócios com o Estado, tanto melhor. Do outro lado estava a geração rasca, os do cuzinho para a ministra contra a lógica de privatização do ensino universitário, os da defesa das pinturas rupestres que não tinham barbatanas, os malandros contra as portagens da 25 de Abril e muitos mais que nunca tiveram acesso ao oásis. Estava o país dividido ao meio? Sabemos lá. O JPP que se entretenha a fazer as contas.

    O que o JPP sabe muito bem e intencionalmente não conta é que a personalidade do Cavaco Silva deixou o PSD na miséria que todos sabemos e o país cada vez mais na mesma. No entretanto, vai sonhando com os resultados da passagem do Sócrates pelo PS e pelo país.

    O Pacheco Pereira é um teimoso, problema dele. O pior é que é um chato que está convencido que faz opinião.

  13. Outro que não percebe do que se está a falar quando se fala de princípios… Só mesmo um tipo que veio da selva, ou socretino, se ri da sua ignorância. Se o deus Pinto de Sousa tem alguma coisa são fins (a sua carreira política é um exemplo, como ele deixou escapar uma vez), não princípios, e tudo o que ele faz é feito em função desses fins, inclusivé a violação do que deveriam ser os princípios de um partido dito de esquerda.
    Os «princípios» dele não estão em qualquer programa ou ideário socialista, social-democrata ou simplesmente de esquerda. Os «princípios» dele estão num livrinho cujo autor é Maquiavel: ele é um seguidor do Maquiavel, de um Maquiavel de feira e adaptado aos tempos das televendas é certo, mas a sua forma de agir está orientada apenas para a conquista do poder.

  14. Está visto que tanto um como outro não compreendem é nada.

    Carrega VAL. Pa cima deles que eles não valem nada!

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