Os ultras do laranjal

Os novos tempos que se aproximam, carregados por uma extrema austeridade, tiveram aqui um sério aviso que o Governo não deve ignorar.

E esse é um sinal a fixar: a última experiência, a socrática, não acabou bem. O fechar de olhos à crise que se instalava e nos destruía conduziu-nos à tragédia financeira e económica que agora se aproxima da crise social. E é aqui que tudo se torna mais complicado.

Editorial do DN

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Os editoriais do DN são invariáveis peças apologéticas do Governo, preocupados em servir conselhos e avisos variados aos esforçados Ministros e Secretários de Estado, sempre numa atitude colaboracionista para com o rumo escolhido. Chegam a dizer, e com todas as letras, que não há outro.

Pelo meio, como se pode ver no exemplo acima, oferecem abundantes juízos acerca de Sócrates. Neste fragmento, podemos desfrutar da posição oficial de um órgão de informação a respeito de um ciclo político passado. É-nos dito que os governantes anteriores não quiseram ver a crise e, por causa dessa sua escolha, são os responsáveis pela situação actual. O sentido do parágrafo, que o texto no seu todo não desmente, é o de culpar Sócrates pela presente austeridade e suas previsíveis convulsões sociais a caminho.

O que tem mais interesse neste banal episódio de violação do contrato de isenção com os leitores, posto que o DN não assume a sua linha política, está na fórmula usada, a qual é caluniosa. Quem escreveu o texto, provavelmente o Marcelino, não explicita os fundamentos, pressupostos, dados ou meros factos das conclusões que serve já mastigadas. Para começar, ou para terminar logo com a conversa, de que crise está a falar? Da crise de 2007, de 2008, de 2009, de 2010 ou de 2011? É que em cada um destes anos é possível desenhar um retrato da crise bem distinto dos restantes. Depois, qual a legitimidade para se dizer que o Governo “fechou os olhos”? A resposta a esta pergunta decorre da pergunta anterior, sem a qual não se pode saber qual a matéria em análise, quanto mais aferir a honestidade intelectual da acusação. Finalmente, que tipo de jornalismo é este, supostamente de referência, que apaga por completo das suas ilações as decisões tomadas desde Março de 2011 pelo Presidente da República, pela oposição pré-5 de Junho e pelo actual Governo, e isto já aceitando deixar de fora as eleições de 2009 e subsequente recusa da oposição para qualquer modelo de coligação que permitisse a tão desejada estabilidade política? Seria para rir, tamanho sectarismo, se não fosse para chorar, sectarismo tamanho.

O fanatismo dos que continuam agarrados a Sócrates como desculpa para o mal que fazem, e para o bem que deixam por fazer, não é um acaso. É uma furibunda necessidade, porque aquelas cabeças não dão para mais.

6 thoughts on “Os ultras do laranjal”

  1. Absolutamente de acordo. Ao tempo que o Marcelino vem fazendo o seu caminho! Logo que suspeitaram do quilate, da coragem, da vontade inquebrantável do HOMEM em moder nizar o país, que começou a tramóia da “marcelinagem” – deste marcelino e de todos os outros. Porque os jornais são todos de marcelinos, tenham eles os nomes que tiverem. Mas, embora as excepções sejam poucas, diga-se que nem todos os jornalistas são marcelinos. Há um ou outro jornalista muito bom. No jornal do marcelino-mor, há dois ou três jornalistas de primeira água. Mas o problema é a marcelinagem.
    Precisávamos de um jornal que não fosse de um marcelino e não há, o que é caso único na Europa. E suponho que haveria mercado. E que, progressivamente, haveria cada vez mais. Mas temos de ajudar para que apareça.
    Temos de explicar como apareceram as atoardas e as invencionices contra o HOMEM e a atribuição que lhe fizeram de tudo o que era negativo – crimes, falta de qualidades, a atribuição de todas as culpas e a responsabilização pela crise mundial…
    E, agora que está ausente, continua a ser responsabilizado por tudo o que é negativo.
    Precisamos de convencer as pessoas de deixarem de comprar os órgãos dos marcelinos, de deixarem de comprar os jornais portugueses – todos eles, os que existem;que, na medida do possível, dispensem televisão e rádio – ou, pelo menos, não acreditem com facilidade no que dizem. E evitem, sempre que possam, tudo o que eles promovem ou publicitam.
    Há “bloggers” de realíssima categoria que, em conjunto, podem tentar cada vez mais, e continuadamente, essa obra pedagógica, explicando, formando, convencendo e apelando para esse esforço, que sendo de todos e a bem de todos, nos poderá levar a sair do buraco para onde nos empurraram e onde agora alguns nos querem reduzir à ínfima espécie.
    Caímos no buraco da crise e agora os poderosos querem tirar, à nossa custa, partido disso. Mas os poderosos – os marcelinos – têm também alguns receios. Do HOMEM, por exemplo. Por isso, mesmo na sua ausência, continuam a dizer mal dele. Porque é um HOMEM SEM MEDO DE NADA que quer um país em que caibam todos, tanto quanto possível, livre, justo e solidário.
    O nosso futuro é extremamente incerto e não é o HOMEM sozinho o remédio para os dias que nos aguardam. Mas ele e outros homens da mesma fibra, uns que conhecemos, outros que se revelarão, trabalhando em conjunto, são a garantia segura de dias melhores, queira-o ou não a marcelinagem.

  2. A vacuidade das afirmações de António José Seguro sobre o país, polvilhadas por vaidosos “eu falei” ou “eu fui o primeiro a dizer”, prova que o PS precisa mais do país do que o país precisa do PS.
    Depois da liderança férrea de Sócrates, que construiu um partido sem conteúdos políticos sustentado por movimentos de grupos de interesses – exemplarmente escudado por uma justiça agrilhoada, Seguro aparenta valer pouco mais que um zero à esquerda.
    É certo que, com o acordo da troika e os programas de austeridade, Sócrates envenenou o futuro político do partido para os próximos anos. À nova liderança do PS não restavam mais que duas hipóteses: ou entrava em ruptura com as políticas de austeridade e, consequentemente, com a liderança passada, ou passava os próximos anos embrulhada no novelo das políticas do governo sem dele fazer parte. Os dirigentes do PS escolheram a segunda opção, não aprendendo nada com o partido homólogo grego – o PASOK, na última sondagem publicada esta semana, já é a quinta força política, com 8% de intenções de votos.
    Esta linha política torna inevitável uma ruptura com o eleitorado. Quem concorda com a austeridade não vê motivos para não votar no PSD. Quem não concorda não se sente representado pelo PS. As mais recentes notícias de desfiliações de sindicatos inscritos na UGT são um dos primeiros sinais de que não se pode ser contra e a favor ao mesmo tempo.

  3. CXaro Val,
    chamal ultras aos marcelinos é elogio! Este bando de comadres que pomposamente se intitulam jornalistas e que dirigem pasquins que se arvoram em independentes mas cuja finalidade é andarem de bem com o poder, nomeadamente o económico, não tinha lugar em mais nenhum país do mundo a desempenhar sequer funções de distribuidor de correio, pois nem números sabem interpretar.
    O próprio português encontra-se corrompido com expressões que não correspondem a nada, como é o exemplo do adjetivo “socrático” que nada tem a ver com o ex-PM Sócrates, mas antes com outro Sócrates de quem certamente se gabam de ter lido alguma obra, como os audiófilo que se gabam de terem ouvido os concertos para violino de Chopin ou os que leram a Fenomenologia do Ser de Sartre, para já não falar do que comeu Vychissoise num jantar em que não esteve presente.
    Por isso, há muito que poupo dinheiro não comprando jornais, pois hoje em dia o papel higiénico é mais agradável ao toque e suja menos.

  4. O fanatismo dos que continuam agarrados a Sócrates …………………………………………. não é um acaso. É uma furibunda necessidade, porque aquelas cabeças não dão para mais.

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