Lá como cá, game over

Este segundo debate virou o feitiço contra o feiticeiro: McCain julgava ter vantagens na interacção com a assistência, a qual interrogava e cercava os candidatos, mas acabou a exibir a sua banalidade intelectual, mediocridade política, descontrolo emocional e caducidade indisfarçável. Está acabado, todos o sabem neste momento, e já se encomendaram as faixas de campeão. O Mundo vai ter Obama durante os próximos 8 anos, e a América irá unir-se à Europa para a mudança do paradigma económico e da cooperação internacional. Porque se a crise financeira é gigante e assustadora, a certeza da crise ambiental, e a possibilidade da ocorrência de terrorismo nuclear, vão ser os maiores desafios que alguma vez a Humanidade enfrentou. A questão não é a de se ir mudar, porque a mudar já estamos. A questão é a da direcção e velocidade da mudança.

Talvez a escolha de McCain como candidato Republicano tenha resultado da antecipação de candidatos Democratas desruptores, tendo-se apostado num semi-independente com medalhas de guerra para apelar ao choradinho. Mas o facto é que ele não está qualificado para ser presidente, ponto. Mesmo esquecendo a irresponsabilidade, eventual loucura, da escolha de Palin, McCain está fora do prazo e não é estadista. Game over.

Aprende-se mais sobre política assistindo a um debate presidencial americano do que a acompanhar a política nacional durante um ano. A culpa não é de Sócrates, que assumiu os debates parlamentares quinzenais como um guerreiro, e é altamente competente nas entrevistas. E a culpa não é do Governo, que tem sido o mais profissional de sempre na gestão da sua imagem, comunicação e poder negocial. E a culpa também não é do PS, um partido cuja essência é fragmentária, que tem estado surpreendente e notavelmente coeso; Alegre confirmando a regra. A culpa é da oposição, onde não se vê uma única – uma única! – figura que desperte a mínima esperança ou interesse. Da esquerda à direita, não há ninguém que represente uma alternativa, sequer um complemento, ao poder actual. Até McCain, se viesse para cá descansar e curtir a reforma, faria melhor.

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