Do que tu precisas é de um problema maior

Um dos principais, e primeiros, objectivos da psicoterapia é levar o paciente a relativizar o seu problema ou rede de problemas. Só dessa forma começa a transformação cognitiva que levará a encontrar soluções e a mudar comportamentos. Mostra-se que o problema, seja ele qual for, não é o pior que se pode ter, nem é tão mau como é sentido e imaginado. Ou que, ao invés, tem uma gravidade e consequências que o paciente desconhece. A intenção terapêutica é a de alcançar maior objectividade e menor distorção neurótica. Ora, por mais difíceis e dolorosos que nos pareçam os problemas pessoais, ou os sociais e políticos, nenhum se aproxima da magnitude deste: terá o Universo um sentido?

A melhor resposta, com o truque de ter um título contraditório com a mensagem, é a de Christian de Duve. Tão boa que fui à procura do corpo donde vinham as palavras, e encontrei esta deliciosa entrevista. Ao tempo, 2005, o senhor exibe 88 aninhos cheios de saber e sabedoria. Porque à sua actividade de cientista, no campo da biologia e da química, se juntou uma original visão filosófica da existência e da realidade.

A entrevista é um hino à inteligência, à curiosidade, à longevidade e à alegria — ou seja, é uma fonte de saúde. E posto que não faz sentido viver sem problemas, pois somente os mortos é que não têm com que se preocupar, ao menos que se escolham os melhores problemas. Aqueles que só por serem vislumbrados já nos fazem crescer e partir.

24 thoughts on “Do que tu precisas é de um problema maior”

  1. Sem sequer teres uma ideia se Portugal irá ou não chegar aos quartos de final, é preciso teres lata ou coragem para te meteres em cavalarias destas.

    Que o Universo tem sentido (com a consequência imediata para ti de que o teu avô andará por aí a ver como é que te vais safando com o teu novo negócio) já se sabe há muitssimos anos, através das opiniões respeitáveis de muitos físicos, astrofísicos, médicos, psicólogos, outros cientistas e investigadores, incluindo um dos autores da Teoria da Evolução, cuja dita a macacada menor repete em oração ao deus materialista convencida que as mentalidades dos seus próprios mestres são tão fechadas como as deles.

    Mas vais ter um problema. Como isto como está tudo em inglês e na Cotovia da Assírio não se editam escritos de espiritistas e de bruxinhas supersticiosas, não me parece que vás ter muitas reacções curiosas ao “hino à inteligência” do biólogo belga.

  2. Dizes bem, “deus materialista”, o que mostra que tens algumas leituras que dão para animar chás de caridade depois do fim dos scones. Mas até isso é outra coisa, palavra. E a matéria da palavra, qual é?

    Podes começar a discorrer, que eu tenho tempo e tu espaço.

  3. portanto espaço-tempo…

    Valupi: já andei a farejar hoje o Sciam de Junho, mas isto anda muito Sol e tudo descascado, a sabes como é isto da tangência entre a coisa-em-si, o objectum (metam itálico) e o signo, torna tudo muito cá. Mas parece que diz lá que a gravidade é que contraria a entropia, hum, cheira-me a fado… Amanhã como é dia de Portugal a ver se boto uma citação,

  4. mas já agora, o que li mais hoje foi que voltam a discutir o conceito de espécie porque isto do dna baralhou as contas todas, duas bactérias podem ser mais distantes entre si do que nós dos macacos, e ainda chega à truta

    e depois ainda tem aquela de que nós somos cordados porque era preciso cálcio para fixar o fósforo, por causa do ATP e compadres, as ondinhas do sopro fizeram o resto

  5. Valupi,

    A origem da vida está na amoeba primordial à base de sais e água que saltou naturalmente para a margem e depois virou macaco e mais tarde criou a tabela periódica dos elementos e a teoria da relatividade, agora infelizmente cheia de buracos – e não apenas porque os seus autores temiam ou respeitavam uma força inexplicável acima das suas intelligências e compreensões.

    Por qualquer razão misteriosa e multi-bifurcada, veio acabar em montes de crianças mal educadas que depois se transformaram gajos como tu, submetidos à diatadura cabalo-humanista que abafa tudo o que lhe transtorna os planos de dominação deste mundo em todas as áreas.

    Tenho que sair para ir comprar pão e leite. Quando voltar, quero encontrar aqui a tua confissão de que não estás à altura para convencer ninguém (não, com o canudo que tens e mais um monte doutros) de que não há intenção nem desenho no universo. Mas como poderias estar, só a leres papeladas autorizadas pelas maçonarias universitárias do teu país, com subsídios dos teus agostinhos modernos e antigos?

    Fica com esta lista para ires aprendendo umas coisas. Nunca é tarde.

    http://www.victorzammit.com/hall/index.html

  6. gosto sim, antes da amoeba de que fala a Substantia, ainda há o problema de como se forma a membrana celular fosfolipídica e a replicação. Dantes pensava-se que os ácidos ribonucleicos que codificam as proteínas eram o material original, mas agora pensa-se que foram as proteínas elas mesmo que iniciaram o processo, originando negativos ribonucleicos que as perpetuaram, ou pelo menos foi a última versão que li.

    A Origem da Vida de Joel de Rosnay, o tipo que escreveu depois O Macroscópio e O Homem Simbiótico é um belo livro, hoje já com umas décadas

  7. tu estás a usar a amoeba como metáfora, ou metonímia, a menos que a teoria já tenha virado, porque a amiba é um eucariota, tem o núcleo diferenciado e delimitado por membrana, e dantes dizia-se que os eucariotas tinham derivado dos procariotas, como as bactérias que só têm membrana celular e tudo ao molhe lá dentro. Logo depois de ler o artigo vejo como andam as modas

  8. Z,

    A amoeba estava (calhou estar) dentro do meu caixote de lixo das coisas pequenas que conservo numa calda de coentros. Meti a mão e, por sorte, veio uma agarrada à unha. Não sei o que é metáfora nem metonímia, mas pelos meus cálculos devem pertencer ambas à gramática da retórica esquecida.

    E isto anda muito mal sobre a história das membranas celulares. Não acredites em pelo menos em 50 por cento daquilo que lês. Piores que computadores. Um ano depois são história, desdizem-se ou passa-se os materiais para as prateleiras de museus.

  9. Bravo Z,agòra é que a malta vai vêr-se ao espelho para têr a certêza de nâo ser macàco,mesmo se fazem muitas macacàdas…nâo percebêram nàda das tuas teorias mas isso nâo é grave.Bravo

  10. não são minhas teorias, são umas coisas que eram teorias aceites até há poucos anos e agora já não sei bem. Também não é acreditar, passo-vos informação como a tinha por aqui, são histórias, e cada um segue por onde quer, ou por onde calha

    aquilo de que o conjunto de todos os conjuntos, existe, e não existe, dá para suportar o livre arbítrio

    bazar

  11. Entre nòs ,gastaram eles 27 mil milhôes d’Euros para descobrir a anti matéria,e agòra àh quem acredite que mais tarde resuscitamos… ou é uma outra da icar com um marqueting Yank?

  12. SUBSTANTIA, a questão não é a de saber se há vida depois da morte, mas a de saber se a morte vem depois da vida. Vou refazer, para não te baralhares: a questão é a de saber se há Vida antes da morte. Mas aposto que estás bem ciente desta problemática.
    __

    z, concluo que te passeias por esses terrenos mas não costumas lá acampar. O que não tem mal nenhum, óbvio.

  13. Não vejo problema (e ainda menos problemática) nisso. Antes: há vida que precede a vida depois da vida. Agora a baralhação, como explica o senhor Conrad Ranzan e muito bem, vem daqui e há muitos anos:

    “Aether is the basic substratum of all space; aether is the raw essence of the Universe. Aether permeates the innermost recesses of all matter. Without it the universe is contrary to nature, contrary to reason and common sense. Without it the universe is utterly absurd.

    And what is worrying is that the scholars who have meticulously assembled our complex picture of the universe know it is absurd”.

    O resto é trabalho de trapézio. Muito bonito, mas só para quem gosta de circo.

  14. a conclusão está certa Valupi, noutros tempos acampei de armas e bagagens, depois passei à versão mochila minimal, e agora esvoaço

    ando tão cheio de déjà-vu(s) que me abri à anamnesis, só mais ou menos que ainda tropeço, vou treinando

    fi

    diz-te alguma coisa Ramana Maharshi? Tenho ali um livro que me passaram mas ainda não li

  15. Valupi,

    Gostei da piada. E estou, mas não tanto que não possa responder-te. Lembraste-me do que me fizeram respirar antes de me cortarem as amêndoas já há muitos anos. E há uma certa diferença entre “ether” e “aether”. É a diferença da conspiração. Não te falo nisso porque sei que andas a ficar cada vez mais sonolento à medida que a morte se aproxima. Chama-lhe vida, se o fundo preto imaginário te assusta.

  16. E aproveita e vai ao teu post de apresentação do casal do PSD e retira o epíteto de “irresponsável” que dedicaste ao Santana. Se o homem fosse realmente irresponsável os Billderbergers nunca o teriam convidado a sentar-se à mesa com eles. Não se enganaram com ele nem com Sócrates, que por lá também andou a brindar às economias de meia-braguilha. Mas tu esqueces-te sempre destes pequenos pormenores identificativos, não te esqueces?

  17. z, nunca li Ramana Maharshi. Mas não acredito que a leitura de livros desse tipo de figuras religiosas seja útil para além da curiosidade. Falta todo o contexto que só a presença viva, e demorada, pode transmitir. Claro que a curiosidade é sempre útil, por isso tudo vale a pena, como disse o outro.
    __

    SUBSTANTIA, estás pior do que o Cavaco. Então, mas será possível que tu não saibas que a morte nunca se aproxima de nós, antes somos nós que vamos ao seu encontro e forçamos a entrada?… Estou banzo contigo, ó arcano da mula ruça.

    Quanto às távolas redondas que mantêm a tua fantasia cristalizada numa adolescência esotérica, fazes muito bem em não abdicar da dose. Tudo o que se passa no Mundo, e arredores, está nas mãos de um grupo de senhores muito malandros, não mais do que 12, que vivem em grutas blindadas na Suíça. O que se diga de contrário a esta verdade oculta, é alucinação induzida por um químico presente na água canalizada e nas patas traseiras dos ácaros.

  18. eu também acho que o sagrado vivencia-se Valupi, e não há outra forma, aliás foi por aí que me chegou porque eu tinha sido educado ateu. Pois, mas tenho que corresponder alguma coisa à pessoa que me emprestou o livro e portanto já agora via se conhecias, etc.

    Olha fiquei a saber naquele artigo do Sciam que um buraco negro é a expressão da entropia máxima num dado volume, mas emite radiação.

    A citação que deixo é esta:

    «One of the most basic facts of life is that the future looks different from the past. But on a grand cosmological scale, they may look the same.»

    Sean M. Carrol, The Cosmic Origins of Time’s Arrow, pag. 26, Sciam, June 2008

    como sabes o sentido é uma das características do vector físico (direcção, sentido intensidade ou magnitude) e portanto a flecha do tempo vem a calhar para aqui

    qual é a tua curiosidade sobre a origem da vida?

  19. Valupi,

    Aqui há dias falavas da minha comichão, hoje apareces-me com ácaros. O que é que andas a tentar esconder, meu menino? Se eu fosse enfermeiro das putas que publicitam os cus aerodinâmicos no Correio da Manhã, diria que andas indirectamente a querer dizer-me que carregas uma incómoda camada de chatos. Sê bravo, sofre em silêncio, anota a progressão da peste em forma de script, e vende os direitos ao Spielberg.

    A távola não é para 12, meu caro, e de redonda ainda tem menos ser porque uns mandam mais que outros, como é óbvio. Os bilders, quando se reunem anualmente, cheios de bebés promissores da democracia à sua volta, reservam um hotel inteiro com uma área total de tampos de mesas a rondar o quilómetro quadrado.

    Esquece a Suiça e as cavernas blindadas. O pivô situa-se algures na Holanda de principes endinheirados.

  20. z, a minha curiosidade é a da Humanidade. Somos o animal que pergunta. Seremos, então, a matéria que tem como missão transcender todo o espaço e todo o tempo. Como escreveu Rilke, Deus pode ser aquilo que ainda está para nascer como resultado das sementes que somos.

    Por isso gostei muito da citação de Carrol, porque recorda como todas as nossas concepções são provisórias.
    __

    SUBSTANTIA, não carrego. E será que ainda existem esses bicharocos? Parece-me coisa incompatível com a nossa presença na União Europeia.

    As ideias relativas aos diferentes poderes mundiais que escolhem amigos para apoiar parecem-me básicas demais. É que não faz sentido ser de outra forma. O poder é isso mesmo, desde a pré-história: a capacidade para escolher os amigos. Só que isso não chega, pelo que estar a bater nesse ceguinho torna-se um malefício para a inteligência de tudo e de todos. Há mais para investigar, não só os corredores e alcovas dos palácios.

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