A crise do BCP contada às crianças

Era uma vez um Jardim à beira-mar abancado, nascido na ilha do outro Jardim. Embora terreno fértil, tanto que presidia ao Banco da Agricultura, dava-se mal com os Cravos. Fugiu para Madrid até lhe passar a alergia. Volta uns aninhos depois, convidado por peixes muito graúdos, validando a máxima de ser preciso que algo mude para que tudo fique na mesma. E a mesma chamava-se agora Banco Português do Atlântico. Foi então que alguns empresários quiseram ter um banco norteado pelos interesses do Norte. Nascia o BCP. E nascia o mito: Deus amava a todos, mas amava mais o Opus Dei. A prová-lo os sucessivos milagres da multiplicação do capital. Muito cresceu este divino enlace, até ao ponto de toda a Nação endeusar o engenheiro misógino, exemplo perfeito de que a humildade cristã não é incompatível com o uso de helicópteros para chegar a horas ao emprego. Depois aconteceu uma cena do caralho, chamada 2005. Nascia um Pinto no Jardim, e a ave-rara acreditou servirem as asas para voar. Só que Ulrichou-se passado muito pouco tempo, e o Jardim transformou-se numa selva. Durante meses ninguém sabia no que apostar, se no parricídio, se no gnaticídio, se no raticídio. Pareceu que uma planta carnívora tinha abocanhado o Pinto, mas o galináceo vingou-se recorrendo ao artista madeirense Joe, um palhaço rico. Este veio para a rua à procura do Procurador, agitando segredos relativos ao carinho de um pai pelo seu dilecto filho e outros números do musical My Love is Offshore. Foi só nessa altura que os accionistas deram razão a Nietzsche: Deus tinha morrido e ainda podia ir parar ao Torel. Grandes bancos, grandes remédios. E o maior remédio vinha dos Santos. Ao fim de umas semanas, Deus ressuscitava a 97,76 %.

Pelo meio, um tonto que dirige um jornal Público afirmou que o PS estava a lançar uma OPA sobre o BCP, e conseguiu não ser despedido. Outro ainda mais tonto, que simula dirigir o PSD, veio dizer que isto do BCP era uma Caixa para duas pegas, pelo que se havia mão esquerda num lado teria de haver mão direita no outro. Naturalmente, ninguém lhe prestou atenção, pois estavam todos a trabalhar e não podiam tomar conta do miúdo. Quando o Governo resolveu o que se Faria, o garoto não descansou e caprichou continuar com a brincadeira. Desta vez, apetecia-lhe que o Estado se abstivesse na escolha para o BCP. Isto porque, afinal, o que era fixe era ter duas mãos direitas, os canhotos podiam esperar. Entretanto, desconfia-se que há um tonto a governar o Banco de Portugal. Pelo menos, há motivo para tonturas.

14 thoughts on “A crise do BCP contada às crianças”

  1. O que mais me custa é pensar no ódio que lhe saía dos olhos em 1979 e 1980 ao dizer que as mulheres da limpeza e os motoristas não eram bancários. Eu fazia parte da comissão sindical e nunca o esqueci. Aquele olhar despejava ódio ao falar nos mais pobres e indefesos. Afinal cometeu os mesmos erros dos outros apesar de falar muito em ética.

  2. (e aproveito para pedir que despachem estas coisas depressa, para eu desarmar o Dragão, que defende Sto Inácio em Damão, fundido em 1537, em Goa; acontece que quero ver se consigo botar um Aleph_3 no fim do arco-íris para ir brincar aos tesouros com a minha prima Zazie)

  3. Pessoal, o rvn quer roubar-me a autoria do texto. Portanto, façam o favor de reclamar com ele se alguém quiser protestar contra os defeitos da prosa.

  4. valupi,
    Não era assim, era “sabem, eu não era capaz de uma diatribe deste calibre, o rvn é que é muita bom, vê-se logo porque escreveu isto”. Era assim, meu amigo. Ainda vais a tempo mas deixa lá. Agora que falaste em defeitos eu, por mais que os veja canininhos, se os há, já não quero a distinção. A minha vida não é um livro de reclamações (mas parece, às vezes, acreditas?).
    Grande abraço, ó ingrato.

  5. bem, eu hoje sinto-me obrigado a dar parecer, após notícias

    1. que sorte eu não ter acções que não gosto de andar enervado

    2. vamos lá com calma que a fatal blue stone está do nosso lado

    3. mas claro que a situação tem que ser sanada – scapegoat – para efeitos de resgate fiduciário

    4. parece que está a caminho

    5. gostava daquela sugestão lá em cima para governador, e não é persecutório o que me move

    6. já mandei o meu contributo para acrescer a confiança

    7. depois ofereço um Aleph_3

    ssmj

  6. ora atão vamos lá, que ainda tou bezerro:

    se aleph_zero é o cardinal do conjunto dos números naturais, que é infinito pela razão simples de que não tem fim, pois que dado um número natural n qualquer pode-se sempre fazer ‘mais um’, e se aleph_um é o cardinal do conjunto dos números reais, ou de um seu segmento, já que aí a parte é isomorfa ao todo, aleph_2 pode ser exemplificado com o cardinal do conjunto de todas as funções reais descontínuas num intervalo real, e aleph_três é o cardinal do conjunto das partes de aleph_dois, o que dá muita fruta, acho que fica resolvido assim

    talvez seja qualquer coisa como o conjunto de fotões emitidos pelo Sol, ou por todos os sóis do Universo, e já agora do Diverso, ou o número de estados de alma quânticos da blogosfera

    ————-

    Valupi amigo, olha lá não só esgotaram os mirtilos como o chocolate preto ali no pingo doce, o que vale é que eu tinha stock

    tenho de bazar antes de vir a época da lampreia senão tou f*dido

  7. Rui, se a tua vida é um livro de reclamações, é sinal de que prestas variados serviços ao público. Quando alguém reclama está, em simultâneo, a expor o desejo de continuar a relação. Não te esqueças e aceita também um grande abraço, grato.
    __

    z, vou já telefonar para o Pingo Doce a mandar repor o stock de chocolate preto. Eles querem-nos estúpidos, mas não vão conseguir.

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