A cobra e o monhé

Ontem, dentro de um táxi, o motorista anunciou-me ir contar um provérbio que, garantiu, tinha larga popularidade no perdido Ultramar. Que foi este: “Se encontrares uma cobra e um monhé, mata primeiro o monhé”. Não conhecia. Aliás, não julguei possível tratar-se de um provérbio e comecei a olhar pela janela à procura de um sítio propício para sair, no mais curto espaço de tempo, da esfera de influência sonora e rodoviária daquele tresloucado, plano de fuga dificultado por estarmos a transitar em pleno eixo Norte-Sul.

O que nos tinha levado para o monhé foi a intenção do taxista em discutir comigo a iminente inundação de dinheiro que Costa vai fazer no País. Ele estava contra e recitou-me o cardápio completo das malfeitorias que os socialistas tinham cometido desde o tempo de Soares. Igualmente me informou de ter votado sempre no Cavaco porque este o tinha livrado da tropa, informação que não explorei. E ainda conseguiu explicar que essa inundação de dinheiro, afinal, apenas corresponderia ao aumento de 1 euro nas pensões, mas que com os socialistas era sempre assim, só bancarrotas. Ah, e que o Costa tinha atraiçoado toda a gente, a começar pelo Seguro. Seguro esse em que ele teria votado, não fosse o monhé.

Mais tarde, fui à procura de outros exemplos desse suposto provérbio. E eles existem, tenham ou não origem em África. Tal como existe um padrão na política nacional. Um padrão onde há forças partidárias e sociais que exploram os défices cognitivos, a iliteracia e o medo da população para alimentarem um estado de violência permanente. Quem assim se entrega a esta forma de “fazer política” não está na base da pirâmide, está no topo. Tem acesso aos mais poderosos meios de comunicação social, ou até é deles proprietário ou director, e almoça e janta com os mais diversos poderes fácticos. Não possuem anos disto mas séculos. A sua pulsão oligárquica é genética.

Tanto o veneno que produzem e espalham no espaço público que se entende na perfeição a lógica deste “provérbio” racista e colonizador. Nasce do mais puro instinto de sobrevivência.

33 thoughts on “A cobra e o monhé”

  1. Ao Eric e a quem eventualmente tenha reparado na bojarda, aqui fica uma correcção fora de tempo e lugar, mas necessária: no post “Condenados a minorias, é o fim da democracia”, da Penélope, quando ontem, às 02:08, referi o “esganiçado Rui Rangel”, ou “pinguim estridente”, como lhe chama o Eric, queria obviamente dizer “Paulo Rangel”. As minhas desculpas.

  2. A avença do chafurda cego foi cancelada. Os (nulos) resultados obtidos não justificavam a despesa, pelo que lhe puseram uma esfregona nas patas e agora limpa retretes. Assim está sempre perto da família, encontra sempre uns primos a boiar e empenha-se em grandes conciliábulos com eles antes de os remeter para o rio que um dia será igualmente o seu destino.

    Post Scriptum – Quando falta pilim para renovar a esfregona, o chafurda cego usa a língua.

  3. E tu não soubeste dar-lhe resposta, embora ela seja obvia :

    O verdadeiro provérbio, na sua versão completa, é assim : “Se encontrares uma cobra e um monhé, mata primeiro o monhé, mas se estiver um taxista com eles, pega no taxista, dirige-te ao proximo esgoto e afoga-lhe a cabeça na merda até que ele morra com os pulmões cheios de esterco, assim teras restabelecido um pouco de equilibrio no mundo”.

    Boas

  4. Eu também limpava primeiro o sebo ao monhé…

    __

    Graças a esta informação que partilhaste connosco, ganhaste o direito a não poder comentar mais neste blogue.

    V

  5. eu gosto tanto! quando contas histórias no táxi. adoro.:-) também não conhecia o provérbio mas em boa verdade já ouvi muitas vezes chamarem monhé ao Costa e que até a falta de confiança nasce desse adjectivo tão depreciativo.

  6. Os expoentes máximos da base social de apoio da direita são os detentores de micro-meios de produção (por exemplo, os taxistas) e os “facilitadores” (por exemplo, Miguel Relvas, sendo claro que 99,9% dos facilitadores nunca teve a sua sorte da vida [a gravitar na imediações do pote maior]).

    Essas classes estão em degradação acelerada, e precisam de doses crescentes de propaganda do medo e do embuste para continuarem fiéis aos seus pseudo-representantes. Noto que estas pessoas foram das mais atacadas por um governo que, da boca para fora, as defende. Prevejo para breve a tomada de consciência do embuste a que estas classes foram sujeitas, bem como o surgimento de partidos nacionalistas de extrema-direita como o UKIP britânico e a Frente Nacional francesa.

  7. Aliás, por falar em “facilitador”: do que tipo de resposta é que estava Passos Coelho à espera, depois de vir dizer, à boca cheia, que endereçara um acordo “facilitador” a António Costa?

    Depois de um insulto destes, estava exactamente à espera de que resposta?!

    A culpa de o PàF não estar a governar radica em:

    1º) a sua perda da maioria absoluta;

    2º) a sua incapacidade para negociar um acordo credível (nunca baseado numa mistura tóxica de “segurismo” com “faciliteirismo”) que superasse tal perda.

  8. O irmão também é monhé e não é tratado deste modo. Parece que só tem a ver com o posicionamento político. Espero que o AC tenha herdado os genes da infinita paciência dos seus ancestrais e o deixem trabalhar, tal como o cromo de Boliqueime disse.

  9. teodoro és um grande filho da puta.e racista, que ainda é pior.valupi estive nas colonias,e nunca tal frase ouvi! o que me preocupa é que o ps deixe passar todas as narrativas do da direita. os princípios éticos dessa gente ,punham o o mais refinado pulha deste país a corar de vergonha!

  10. @fifi

    Como se pode depreender dos meus comentários, a raça nada tem a ver com a política nem com os negócios. Tais comentários racistas têm o único propósito de desviar a cognição do cidadão das verdadeiras causas do seu sofrimento.

  11. Excelente, Valupi. A primeira vez que vi a expressão utilizada nos media foi como uma piadola racista vertida num artigo assinado por dois fdp no JN, durante a fase concorrencial com o CM. Vivá UBER, vivó cosmopolitismo e abaixo os fascistas, os racistas, o Cavaco Silva, os gajos da PàF e quem os apoia!!

    Camacho, lateralmente. A expressão não é minha mas do Miguel Abrantes. E na TVI 24, ontem, percebeu-se que o Paulo Rangel se trata de um pinguim estridente com um ninho de piolhos naquela mona, tantas foram as vezes em que o seu couro (pouco) cabeludo foi coçado à frente de toda a gente.

  12. Adenda. Perdi o comentário original mas acrecentava ainda outra coisa. E depois é como dizes, embebedam-se nas caixas de comentários das lixeiras a céu aberto (CM, Sol, Expresso, Observador, etc.) ou na selva do FB e vamos dar com eles a ladrar como se estivessem num qualquer forum de neo-nazis, nacionalistas ou dos monárquicos (há uns que preenchem duas destas qualidades de merda).

  13. Nova mesmo é esta inventada pelo Valupi: A Cobra, O Taxista e o Costa.

    Isto já é herdado e requentado em Moçambique de um histórico ambiente de humor colonial britâncio,

    Os brancos das nossas berças era a primeira que ouviam quando desembarcavam em Lourenço Marques para “serem colonizados”.

    Esta é tão antiga que a Raínha Victória já nem se ria quando em criança a ouvia ao pai.

    Ó fifi, se nunca ouviste é porque nunca foste às colónias do índico, ficas-te só nas colónias do Atlântico.

    Os taxista são uns filósofos, palavra de honra!

    Santa paciência!

  14. Quanto à formação de um governo maioritário de esquerda, os parceiros sociais que foram a Belém dizem que o PR está muito pouco receptivo e que exige fortes garantias .

    Fica assim amplamente demonstrado que :

    Na óptica do acima mencionado PR, – que, pasme-se, – jurou cumprir a Constituição, estava, e está em jogo, no acto eleitoral, não o apuramento da vontade popular, mas sim o cumprimento de um programa .
    Programa esse que toda a gente sabe, é imposto do exterior, e fortemente lesivo do interesse nacional .
    Após 4 anos de governação, tal programa, foi julgado, e, rejeitado pela maioria do povo português.
    Não obstante, o PR insiste no seu prosseguimento .
    Se dúvidas existissem de que o PR se coloca à margem da lei, incluindo a lei fundamental e que por causa da sua actuação se corre o risco de as últimas eleições se transformarem num simulacro de acto eleitoral e a democracia numa farsa, os factos são esclarecedores .

  15. Bonito, Bonito, foi isso mesmo que disse o taxista. No meu caso, pela idade e por não ter tido contacto com retornados, desconhecia a expressão. Mas ela encontra-se por aí à solta, como nas caixas de comentários do Blasfémias e do “Sol”, por exemplo.

  16. bonito, bonito, ainda tu andavas nos tomates do teu avõ já eu conhecia africa. devias ouvir essa frase ,quando os teus amigos entravam pela sanzala, com ameaçador, para sacar diamantes aos negros,ou para lhes comer as mulheres! como era dos comandos,malhei em muito gajo, desse calibre, e que hoje denfende as politicas do retornado passos coelho!

  17. Ó fifi, afinal foste tropa colonial, estiveste lá a guardar as costas dos retornados de Angola, para eles abusarem à vontade das mulheres dos sobas.
    Pelos vistos não foste à terra do Eusébio nem andas de Taxi, se não sabias mais que o taxista.
    Quem tem andado lá aos diamantes foi o Salgado do Bes, vem nos jornais.
    E tu como andaste lá, viste algum diamante?

  18. Eu não gosto do homem, mas daí a ser racista vai uma grande diferença.
    Não houve um anormal de um politico europeu que lhe chamou “mestiço”? Fiquei horrorizada, como é que em 2015 ainda se fala assim.
    Também o anormal do 1º ministro italiano chamou ao Obama “moreno escuro”.
    Tão estúpido! Como eu odeio gente assim.

  19. “Não tenho culpa de ter nascido em Portugal, e exijo uma pátria que me mereça”
    ―Almada Negreiros

    “O Povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem portugueses, só vos faltam as qualidades.”
    ―Almada Negreiros
    Frases – http://kdfrases.com

    Almada Negreiros era Sãotomense, foi dos portugueses mais cultos da sua geração.
    Foi do Ultramar que veio sempre gente para dar mais vida a este rectângulo.

    Era assim, quando Portugal ia do Minho a Timor e passando pela Madeira e pelos Açores.

  20. o racismo é o refúgio emocional de pessoas inseguras com alguma parte da sua alma; uso aqui o conceito de alma não no sentido mitológico mas no sentido (filosófico) de Platão: de princípio que busca uma finalidade.

  21. BONITO BONITO, não foi a Mário Soares que andou lá nos diamantes? E o filho há anos não teve um acidente de avioneta, quando estava a carregar diamantes?

  22. anónima true, poderia ter sido um político europeu sim se ele fosse do PPE (que acolhe os grunhos húngaros, lado a com o Paulo Rangel e o Nuno Melo que deve estar em brasa) ou da FN do/a Le Pen mas foi no… Charlie Hebdo. Eu já aqui elogiei o artigo porque era uma análise política a sério sobre o estado da arte na/a esquerda/s europeia/s e ali davam como bom exemplo a união do PS e dos outros gauchistes portugueses.

  23. fifi, o termo monhé como todos sabem é depreciativo racial.
    Era usado em Moçambique como alguém aí em cima disse, porque antes da descolonização havia uma grande comunidade de comerciantes de origem indiana. Após a descolonização muitos indianos comerciantes vieram para cá, especialmente para Lisboa e Porto; os tugas afectados pela concorrência começaram a utilizar o termo.
    Em Angola o termo não era usado porque a comunidade indiana se havia, era residual. Havia sim, uma comunidade de comerciantes (pequena) chineses em Luanda.

  24. Curioso! Aconteceu-me exatamente o mesmo, mas com designação diferente: em vez de monhé era mustafa. Portanto, o sr taxista não gosta, admite no seu táxi e possivelmente até atropelaria numa passadeira, os mustafás deste Portugal. E sim, também olhei para a janela a pensar como saltar do carro, naquela curíssima viagem, que me pareceu longa demais. Até porque a violência do discurso era absolutamente assustadora. Será um lobby taxista? O mustafá Costa, que apunhalou o Seguro, etc. etc.. Medo? Medo eu tenho é dos taxistas. Entrar num táxi é uma lotaria..

  25. Depreciativo é em PT apurei junto de nascidos em moçambique que era normal chamarem de monhês provenientes das índias… não tem mal algum. Creio que o racismo está mesmo na cabeça de cada um … monhê é um qualificador (ele realmente é mestiço preto/indiano). O Seguro era o banana, o Cavaco incompetente, o Passos ladrão, as do BE esganiçadas … então, até que monhê não parece mal. Quanto ao matar primeiro.. os provérbios por vezes têm um fundo de verdade… mas só o futuro é que dirá se o nosso Primeiro Ministro será pior que uma cobra ou não… pelo menos um dos dissabores que tivemos foi com o Zeinal Bava e o seu “esquecimento”…

  26. bonito bonito era o pingo doce colocar quotas nos produtos que vendem a 50% é que quando o portuga vai lá para aproveitar já os MONHÉS limparam o expositor todo….

  27. FIFI es um corno manso,nunca foste comando e como a tua mulher todos os fins de semana.Sou o RUI ex-comando da 11a em Angola

  28. “Monhé ” vem de uma palavra Swahili “Mwenyé” ou “Mwen-yhé”. Monhé não tem mal nenhum porque significa PATRÂO em Swahili ! E os Indianos, geralmente, continuam mais PATRÕES do que EMPREGADOS…
    Os africanos chamavam Árabes e Indianos de Patrões porque eram todos comerciantes na altura e davam empregos aos Africanos. Ou seja, Monhé ou Patrão não tem mal nenhum….

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