28 thoughts on “histórias de árvores caídas e de outras plantadas”

  1. ou melhor, com mais, já que me f*deram o kpk na despensa, vai aqui,

    definição:

    designam-se (números) primos gémeos, pares de números primos d fotma (p,p+2), de que são exemplos (3,5), (5,7), etc.

    conjectura:

    existem infinitos pares de primos gémeos

    (tem nome: chama-se engalanadamente a conjectura dos primos gémeos)

  2. confesso que não gostei do mapa e que estranhei a despensa, mas admito que gosto desta estante. Pergunto-me porquê, e na minha ignorância absoluta dos materiais e das técnicas utilizados nas três construções, atrevo-me a dizer que tal se deve ao facto de sentir que, neste exercício, materiais e técnica se confundem, como dois amantes num abraço. Olho o mundo na prateleira de baixo, a suster alguns livros, ele próprio mais pequeno do que a maior parte dos livros. Como se estes fossem estruturas cósmicas maiores e muito mais complexas (e não são?) e nos levassem para outros mundos. A propósito desta estante, lembrei-me de um casal no início da sua vida em comum. Eram jovens e tinham muito mais livros do que dinheiro, por isso decidiram criar os móveis da casa seguindo uma matéria-prima e, consequentemente, um design sui generis. A mesa, as cadeiras, até o sofá, eram feitos de pilhas de livros. Nunca os vi e por isso para sempre viveram na minha imaginação. Talvez tivessem nomes como “a mesa de telefone existencialista”, feita com pernas de Sartre e Vergílio Ferreira e um tampo de Simone de Beauvoir, “a mesa de cozinha linguística”, feita com Saussure, Kristeva, Jackobson e vários números da revista de Comunicação e linguagens ou ainda “a cadeira absurda”, exclusivamente composta pela obra completa de Camus no original, por Kafka, Dostoiewski e Kierkegaard. Nunca percebi se também havia uma cama feita de livros e se ela se fazia e desfazia todos os dias e noites, no sentido literal e literário. Mas voltando à estante feita de árvores caídas, dá vontade de escrever nomes nas suas lombadas. Por exemplo, imaginar uma cerejeira e escrever Mishima, procurar um cipreste e dizer Hermann Hesse, descobrir uma planta desenraizada e chamar-lhe Sylvia Plath, adivinhar uma videira e soletrar Bachelard. Para perceber, para sempre, que os livros são árvores que sonham. E que esse sonho nos é emprestado, sempre que tocamos um livro com os nossos olhos.

  3. O príncipe Charles vai chorar tanto quando ler, isto é, ver este post. Montes de arvorezinhas decentes a serem transformadas em livros de merda. Da Susana amarela já sabíamos, esta, a Verde, foi uma revelação. Vai desenhando, a Nova Mentalidade não pode triunfar sem ti.

  4. Susana
    Já podias ter dito que o mapa conduzia aqui e que de caminho nos levava a uma despensa, lugar indispensável para guardar os livros que perderam o seu lugar na estante. Mas talvez nem tu própria o soubesses. Tal como não saberias agora dizer para onde segues. Imagino esta estante – a tua – com livros da Virginia Woolf, Sophia, Boris Vian e Paul Auster e sem espaço para um prontuário, mesmo de bolso, que por isso estaria numa prateleira da despensa. Estarei enganado?
    E certo de que, não querendo com isso mudar o trajecto insondável da tua expressão criativa, deixo-te dois pedidos, à laia de desafio, Acredito que todos os corações têm um mapa, tal como suspeito que há uma arquitectura, mesmo que da ordem do devaneio, das nuvens. Quem sabe, um dia destes nos presenteias com uma radiografia a cores de um coração ou com as coordenadas imaginárias de uma nuvem que se formou apenas diante dos teus olhos fechados, a pedir para ver e ser vista. Só espero que não tenha a forma de um coração, pois assim estarias a fazer um dois em um e lá se perdia para sempre um deles.

  5. zé, obrigada. tudo em choupo, sim.

    cláudia, obrigada. e se umas caem, outras ficam de pé, pode ter semelhanças com o bowling, sim.

    joão, sim, de certo modo. acaba por haver um pouco de tudo em tudo. (e não sei de que pintor falas…)

    z, obrigada.

    valupi, arejado, portanto.

    belle, é perfeitamente normal que se goste mais de umas coisas que de outras. eu própria gosto mais deste post. e também eu já te li comentários mais bonitos que este… ;) isso que contas é parecido com o que acontece a uma personagem de paul auster («música do acaso», será?*); não estará a tua imaginação a pregar-te partidas?
    quanto ao recurso ao espaço doméstico como temática para outras conversas, ele é comum. vem-me á memória a cama valium da joana vasconcelos, feita com blisteres do medicamento soporífero.

    árvore em pé, é «quando vir». isto só para não reclamares que não levas nada.

    pintelho, então?

    bruno, qual: a minha, a tua, ou outra qualquer?

    *corrijo: creio que é no palácio da lua.

  6. Eu olho, olho e volto a olhar. Sobretudo aquele globo. Com noite. E um pedaço de dia.

    Lindo, lindo. Podes vender a píxeis? Eu encomendo o globo inteiro. Os livros, já os li esta tarde.

  7. prontuário, fazes bem em imaginar. é para isso que as imagens servem, para imaginarmos para além delas.
    que forma é a de um coração? a de uma nuvem, diria.

    fernando, obrigada. não vendo, mas podes levar.

    cláudia, não compres, rouba à vontade.


  8. But perhaps most amazing of all is the unique place of 2 in number theory, a subject as remote from the physical world as it is from trigonometry and calculus.
    (…)
    This comes at least in part from the fact that 2 is at once the smallest prime and the only even prime, giving it a special status even among the exalted primes.

    pag. 212, Eli Maor, The Pythagorean Theorem, Princeton University Press, 2007

  9. para quem quiser seguir a história do teorema de Thales tem, aí um bom link:

    http://journals.tc-library.org/index.php/hist_math_ed/article/viewFile/189/184

    o que eu referia como o teorema é um caso particular do enunciado geral,

    em triângulos semelhantes, a angulos iguais opoem-se lados proporcionais

    ou, em franciú,

    “toute parallèle à l’un des côtes d’un triangle partage les deux autres côtes en parties proportionelles”

    Combette, 1882, citado no link

  10. Como nunca li Paul Auster com alguma atenção, apesar de me terem oferecido vários livros dele, não posso ter lá ido buscar a história, mesmo por acaso, a um qualquer palácio.
    Como conheci esse casal – Paulo e Maria, moradores dessa casa em Benfica – fico tentada a pensar que das duas uma: ou insinuas que fui buscar a história a um livro da tua estante e lhe reclamei autoria ou então, será que o Paul Auster, numa das suas visitas ao nosso país, conheceu esse casal e a sua história? Tenho de lhes perguntar.

  11. olá, sem-se-ver. :)

    belle, esse livro não estaria na minha estante. como disseste que os tinhas imaginado, imaginei que pudesses ter lido distraidamente e ter sonhado depois a história, com outros contornos. não serias a primeira pessoa a inventar o que já leu e esqueceu. não havia réstia de insinuação de que estarias a apropriar-te deliberadamente da autoria de outrem.
    estou mais inclinada para essa possibilidade de p.a. ter usado a história deles. é mais gira.

  12. … sempre achei muita graça a D. Maria I porque sem perder o porte altivo às tantas declarou-se louca – a rainha está doida! – mas não sem antes concluir umas tantas coisas, entre as quais um Tratado com a Catarina, a Grande, que bela afronta à lei sálica.

    Para perceber bem a cena convém ver o retrato da soberana que está ‘escondido’ nas Necessidades…

    Aí na Ynbicta tem um no Palácio da Bolsa que ainda não conheço,

    Inbetween,

    http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=58&id_news=288917

    zup

  13. Tás aqui, Susana???
    Ainda não te tinha visto cá, vê lá como tenho andado cheia de …caruncho :))
    linda estante, Susana. E lindo Mundo.
    Agora vou até lá abaixo à procura de mais Tus.

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