Post dedicado ao Professor Carlos Reis II

Os Beirut foram a grande sensação da música alternativa de 2006. A edição de Gulag Orkestar valeu a Zach Condon comparações com Conor Oberst (credo), Jeff Mangum (quem lhe dera), Sufjan Stevens (estou a ver, mas não) e Stephin Merritt (ah). Como sou bastante mais palerma nas comparações, as canções de Zach Condon surgem-me com uma bela alternativa à banda sonora de uma das raras aventuras felizes de um realizador europeu nos Estados Unidos: Arizona Dreaming de Kusturica. Os Beirut lançaram há alguns meses um muito recomendável EP intitulado Lon Gisland, cuja faixa de abertura, «Elephant Gun», teve direito a um belíssimo videoclip realizado por Alma Har’el. A primeira vez que vi esta maravilha até me emocionei, carago. Mas a verdade é que sou um sensível da merda.

Apesar dos Willowz terem uma alínea muito relevante no seu curriculum vitae (a de terem feito a Kristen Dunst dançar em trajes menores no belíssimo Eternal Sunshine Of The Spotless Mind de Michel Gondry), a verdade é que me parece que a música dos rapazes apenas conseguirá fazer vibrar a corda sensível a quem passou muitos serões da sua juventude com os amigos a fumar ganzas e a ouvir os os Led Zep, os Rolling Stones ou o Jimi Hendrix aos berros (mas posso estar enganado, né). O mesmo já não se aplica ao vídeo que Ace Norton realizou para «Son of Evil». É verdade que o spleen vem lá retratado como já não o via (lia? caneco, estava tão orgulhoso desta comparação) desde os poemas em prosa de Baudelaire, mas algo me diz que não faltará por aí muita malta que será sensível a esta obra-prima da suprema arte de montagem do celulóide. A primeira vez que vi esta maravilha deu-me logo ganas de ir fumar um charro. Mas também é verdade que sou um drogado da merda.

NOTA: podem ver aqui o bicho em Quick Time.

15 thoughts on “Post dedicado ao Professor Carlos Reis II”

  1. JPC

    Emociona-se com muito pouco, meu caro. A valsa Elephant Gun faz-me lembrar os Mariachi que já andam por aí pelo menos há cem anos (mas pior, sem a melodia). O resto é a merda do costume. Para gajos drogados, como você próprio confessa. Cure-se. A música é para se ouvir, não para se ver.
    Deixe-me de emoções e de fumar charutos por tudo e por nada.

  2. Primo, o Carlos Gardel tem razão. Primeiro, porque não há notícia de algum Carlos Gardel que não tenha tido razão. E desafio qualquer a provar que estou enganado. Depois, porque, quanto aos charutos fumados “por tudo”, estamos perante charutos legítimos, com sobejas ocasiões para serem acendidos e desfrutados. Mas, porém, contudo, os charutos fumados “por nada” são manifestamente abusivos – contraditórios, até, com o filão de racionalidade que atravessa todo o Ocidente, indo parar ao monoteísmo ontológico de Parménides; e isto depois de ter passado pelo Absoluto hegeliano, a segunda maioria de Cavaco Silva em 1991 e as actuais eleições na Madeira.

    Peço-te por tudo que não fumes charutos por nada.

  3. “o que não dava para lhe beijar essa boca imunda”

    Então?! Basta-nos um JCF, meu senhor! Isto só visto e isto é que anda aqui uma perversão dos costumes!

  4. Valupi,

    É como você explica, senhor. Há muitissimos eventos que pela sua natureza e importância impõem que os festejemos com um charuto, pelo menos para se aproveitar os efeitos do monóxido de nitrogénio que fazem tão bem ao pendurico. Mas não perca tempo a fazer listas longas porque há casos em também se pode fumar um quando não acontece absolutamente nada.. Por exemplo: cada dia que o JPC resolve não nos castigar com posts sobre a “sua” música é sempre um dia de sorte e motivo para festejo. Normalmente contento-me com um brandy à temperatura ideal..O charuto é só para a grande festa, isto é, quando a abstinência dele dura mais que cinco dias consecutivos . Um milagre, mas sempre é uma charuto, não?

  5. Tocador de Rebeca,

    Obviamente, ignoras que poucas vezes um charuto é apenas um charuto. Tens de reler Herr Sigmund.

  6. o meu pc tá doente, youtube só motion-pictures, nada de som…

    LOL, valupi e joão pedro. o gardel é o que tem a rosa entalada entre os dentes.

  7. Já cá tou! Meu little bro, gosto muito de aprender coisas de palavras contigo. Na música sou um romântico incurável tropical. Manu chau, Ney, Elis, por aí, ou então, downsizing the bull, Massive Attack, ou ainda outras coisas. Mas ando longe do experimentalismo, e não tenho referências para dizer algo que valha a pena. Também gostas de cerejas?

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