Vinte Linhas 676

José Marmelo e Silva – será ele o terceiro excluído?

No próximo dia 22 de Outubro, pelas 15 horas, vai ser inaugurada a «Casa da Cultura José Marmelo e Silva» no Paúl, sua terra natal. Além do Centro de Estudos José Marmelo e Silva a «Casa» arranca com o apoio da Câmara Municipal da Covilhã e da Junta de Freguesia do Paúl.

Neste ano tão especial de centenários de escritores, há dois que os jornais da especialidade já referiram (Alves Redol e Manuel da Fonseca) e um terceiro (José Marmelo e Silva) que, tanto quanto eu me apercebi, está a ser excluído. E isso é injusto.

Estou bem à vontade para escrever o que penso pois participei há pouco tempo no Congresso Internacional sobre Manuel da Fonseca (Faculdade de Letras, Vila Franca de Xira e Santiago do Cacém) e espero participar no Congresso sobre Alves Redol em Vila Franca de Xira lá para o mês de Janeiro.

Admiro muito como leitor as suas obras de ficção e ensaio (Alves Redol) e de poesia e ficção (Manuel da Fonseca) mas não admiro menos os livros de José Marmelo e Silva: Sedução, Depoimento, O sonho e a aventura, Adolescente agrilhoado, O ser e o Ter, Anquilose e Desnudez uivante.

Bastaria o seu primeiro romance (editado em 1937) para o colocar num alto patamar de qualidade dos autores portugueses do século XX. A sexualidade dos adolescentes numa pequena vila de província, explode nas páginas de um mestre da língua portuguesa. Num mundo quase fechado, uma rapariga que vem da cidade rouba as namoradas ao seu irmão que, atónito, se encosta ao balcão da loja da família para não cair. José Marmelo e Silva (1911-1991) é um autor português a descobrir com urgência.

8 thoughts on “Vinte Linhas 676”

  1. José Manuel Mendes informou-me que a APE está a preparar uma segunda Sessão de Encontros, em Novembro, que incluirá JOSÉ MARMELO E SILVA (100 anos de nascimento), entre outros escritores.

  2. O Marmelo da Silva está a ser excluído? E eu que gosto tanto de marmelo. O da Silva é que dispenso, faz-me lembrar um outro Silva, mais conhecido pelo sr. Silva.
    Também eu, jcfrancisco, ontem acabei por lançar o meu 1º. livro de poesia e esqueci-me de o convidar para a cerimónia.

    Meu livro de poesia
    decidi ontem lançar,
    numa carpete macia
    só p’ra não o aleijar!

    E assim, já me sinto mais ou menos realizado. Cometer boas ações, plantar uma árvore, escrever um livro… Estou como o outro que dizia:

    Boas acções eu cometi
    quando as vendi no mercado,
    livro de cheques escrevi,
    já me sinto realizado!

    Só que, quanto à leitura estou com problema. E depois de muito pensar tomei uma decisão:

    Li em livros e jornais
    Qu’o tabaco faz morrer,
    face a malefícios tais,
    resolvi deixar de ler!

  3. Tem razão o Francisco. O romance de estreia de Marmelo e Silva é bestial. Aconselho-o a todos. Principalmente aos jovens. À pala dele bati muita sarapitola na adolescência.

  4. Ó Adolfo dizes isso mas uma vez nas Belas Artes (SNBA) o Melo e Castro lançou mesmo um livro do alto de um escadote. Mas não mistures as coisas – José Marmelo e Silva é um caso sério. OK???

  5. Então, jcfrancisco eu não sou menos que o Melo e Castro.
    Agora, falando a sério. Realmente desconheço em absoluto esse escritor, como aliás, muitos outros.
    Ainda bem que o recorda aqui.
    Não se chateie porque o que digo aqui é sempre a brincar. Se a gente não reina de vez em quando como é que vamos suportar esta crise? Né!

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