Vinte Linhas 671

Uma rosa de calf em Santiago do Cacém – com foto de Paulo Sousa

Na tarde da cidade, o teu cabelo depois de solto do rabo-de-cavalo da manhã é, entre volume e esplendor, uma seara de sonhos. Já não há ceifeiros. Suas vozes graves e seus gestos lentos ficam, para sempre, nos livros de Manuel da Fonseca. Mas também nos poemas de Francisco Bugalho em Marvão e nas páginas de prosa de Mário Ventura entre a guerra das laranjas e Elvas em 1945. O teu rosto, visto de perfil num auditório, é a cartografia de uma aldeia de Manuel da Fonseca: «nove casas, duas ruas, no meio das ruas um largo, no meio do largo um poço de água fria». Como se o rosto fosse um poema, essa tarefa impossível de juntar de novo dois mundos separados pela distância e pelo esquecimento. O teu sorriso é o desafio da campaniça atónita no bulício da cidade mas elas não usavam o telemóvel que tu deixas em silêncio na cadeira. Perto do meio-dia a planície transforma-se numa fornalha de lágrimas sufocadas pelas canções teimosas a que era preciso responder mesmo sem vontade.

Num tempo que a todos exige velocidade porque condena o vagar da escrita e da leitura, os teus desenhos a lápis num caderno de capa preta, as sucessivas pétalas produzidas no intervalo das comunicações e dos debates, do filme «Cerromaior» e dos seus extensos comentários, esses desenhos de flores de grafite são uma resposta húmida à aridez deste tempo veloz. No vagar da sua tessitura, cada pétala no teu caderno é um poema sem palavras. Na tua mão esquerda o anel de calf é uma rosa-dos-ventos, uma rosa sem jardim, uma jóia breve que já integra e prolonga os dedos da tua mão.

Não te despeças sem deixar nas escadas da Faculdade de Letras um indício do lugar desse jardim privado para onde levaste as pétalas breves do teu caderno de capa preta.

7 thoughts on “Vinte Linhas 671”

  1. patético. então a tessitura e o calfe são de ir ao tecto. este gajo não tem a noção do ridículo, esta merda está ao nível do palavrex, metanos & sapateado, muita letra que somada não diz nada ou melhor, insinua um conhecimento profundo e cúmplice com o fonseca, o parlapier habitual de autopromoção à custa de obra alheia.

  2. Eu gosto muito do Alentejo, catano!
    Dos alentejanos e das alentejanas, porra!
    Aqui vai uma do compadre alentejano. Não foi do Manel da Fonseca nem do Foseca Galhão.
    Esta é mesmo minha:

    O compadre alentejano
    resolveu vir a Lisboa,
    já cá não vinha há 1 ano,
    quando encontra uma pessoa.

    Um travesti era a figura
    com quem ele se cruzou
    e aproveitando a altura
    logo ali “a” convidou.

    Ir para a cama com “ela”
    nosso compadre deseja,
    cem euros era a tabela
    com direito a uma CERVEJA!

    Quando subiam a escada
    o travesti perplexo,
    este tipo não viu nada,
    não sabe qual o meu sexo.

    Resolveu, então, dizer
    CLITÓRIS eu cá não tenho,
    o outro sem perceber
    tal era o seu empenho.

    E na sua grande ânsia
    e sem acusar o toque:
    -Isso nam tem importância,
    eu bebo uma SUPER BOCK!!!

  3. Prosa poética de antigamente… Já chega. E depois as pétalas, meu deus, as pétalas… e a seara, e as lágrimas… trivial.

  4. Não é de antigamente, é de hoje! Deixa-te de tretas, ó «NAS»! Quem é que julgas que és para dizer com ar imperial «já chega»??? Isso digo eu de ti, grande chartéu! Ou chartoa…

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