Vinte Linhas 554

Conversa de autocarro ou «isto anda tudo ligado» de Eduardo Guerra Carneiro

Venho agora da Rua do Salitre, fui marcar uma consulta para o meu cunhado nos Diabéticos mas só para o fim de Fevereiro do ano que vem. A minha sobrinha, a que está à espera de bebé para Abril, soube hoje que é outro rapaz. Tá conformada, gostava que fosse uma menina mas a ecografia não admite dúvidas. Pronto, que venha perfeitinho, é o importante. Quando nasceu a minha sobrinha mais nova em 1985 a senhora da cama ao lado da minha cunhada passou a noite a suspirar pelo menino, metia dó, parecia drogada e foi a minha cunhada que lhe deu de mamar algumas vezes. A filha dessa senhora, muito querida, aí com uns oito anos, dizia que a menina tinha três mães: a mãe do Céu, a mãe e a senhora da cama ao lado. Mas veja lá a minha cunhada andava desorientada com umas saloias que a enganaram. Vieram com falinhas mansas, exigiram a Internet em casa, ela gastou algum dinheiro com isso e foram-se embora sem pagar a factura. Agora está lá a box às moscas. Abalaram porque receberam uma bolsa de estudo mas não avisaram que estavam à espera. Se fosse assim não deviam ter insistido com a Internet. Isto é uma maneira de falar. Aquilo é gente com dinheiro mas elas recebem bolsa de estudo; portanto penso eu que o dinheiro que falta para os Diabéticos é o mesmo que está a mais nas bolsas de estudo das saloias. Saloias somos nós, vizinha. Agora ela já está a bordar fraldas e babetes em azul. Distrai-se mas não se esquece. Isto anda tudo ligado – dizia o poeta que morava aqui ao Príncipe Real. O Orçamento Geral do Estado é o mesmo. Já a minha sobrinha mais nova tinha um colega com bolsa de estudo que era o único a usar automóvel. Isto é uma maneira de falar.

16 thoughts on “Vinte Linhas 554”

  1. … e, depois, como quem não quer a coisa, o velho malcheiroso, que costuma apanhar o 28 na Bica, sentou-se de mansinho à janela, junto da minha Mafaldinha, obrigando o motorista do 738, o meu autocarro das nove, a fazer uma paragem brusca, junto ao Rato, para expulsar, pela janela, o intruso fedorento. Cá para mim, aqui há coisa, talvez coiso… O melhor é perguntar ao coelhinho, quando este acordar do circo, talvez ele saiba com quantas picaretas se faz o túnel do Marão, digo eu.

  2. é curioso como num texto destes, cheio de informação, nós só “sacamos” dele o que queremos (Albertininha, quem te disse que o texto foi escrito ao domingo?).

    e dá muitas pistas para os “habitués” coçarem as costas ao JCF.

    a mim este texto trouxe-me à memória os tempos de liceu, em que devido a uma ida ao conselho directivo, fiquei a saber (tal como os restantes colegas) que o menino mais rico da turma (o pai tinha uma fábrica de metalomecânica…), beneficiava do apoio escolar, como se a família tivesse necessidade…

    e realmente isto está tudo ligado, a injustiça e a falta de fiscalização continuam porque interessa a muita gente importante “mamar” na teta do estado.

  3. E não apenas a muita gente importante. Também os sem importância nenhuma gostam de mamar. Ora pergunte lá ao autor do post…

  4. Peço desculpa, mas li “21 de Novembro de 2010” imediatamente antes do título e “Publicado por jcf às 16:12” logo após um texto que começa por “Venho agora” e pensei que “agora” se referia, pelo menos, ao dia 21 de Novembro de 2010. Só depois de reflectir profundamente e consultar três enciclopédias é que percebi que “agora” só podia referir-se a “anteontem” ou a “um dia destes”. Peço que me desculpem a minha ignorância. Sou mesmo uma cavalgadura, burra, palhaçona, monte de esterco e outras coisas mais que só não refiro por decoro.

  5. Pois é isso mesmo. A data da edição nada tem a ver coma data da escrita. Isso qualquer pessoa percebe. Obrigado Luis Eme pela achega e pela memória, dolorosa embora mas memória viva.

  6. Sou mesmo uma cavalgadura, burra, palhaçona, monte de esterco e outras coisas mais que só não refiro por decoro. E um paneleiro claro.

  7. Não percebo como há gente capaz de vir aqui insultar desta maneira uma pessoa como José do Carmo Francisco, que até nos presenteia com assuntos muito interessantes e que mantém sempre uma cordialidade permanente.
    Já o vocabulário (“uma cavalgadura, burra, palhaçona, monte de esterco”) usado por esta gente que se identifica por “ideias” e “albertina mete nojo” só revela bem como as pessoas reais que se escondem atrás desses pseudónimos não passam de doentes que vêem para aqui libertar os seus ácidos.

  8. O José do Carmo Francisco MANTER SEMPRE UMA CORDIALIDADE PERMANENTE????!!! Ó Carmem Miranda, não puseste bananas a mais no capacete??? Tu não vês, cara de baiana emprestada, que os termos que apontas são os do próprio zézinho?! Lê melhor, filha, lê os outros posts do nosso carroceiro privativo e depois fala-me de samba, ok?

  9. Bem achado essa da Carmem Miranda! Fez-me rir. Mas acho que esta Carla Miranda não é mais do que o próprio jcFrancisco disfarçado da portuguesa mais brasileira de todos os tempos – atendendo à troca do nome! Quando jcFrancisco se disfarça de comentador, a apelar à categoria da sua pessoa, topa-se à légua… Ele é que pensa que nos engana, coitado… É tão ingénuo…

  10. Chegou-se mesmo à nojeira total, à mais baixa ordinarice. E é isto a resposta duma pessoa que se diz um intelectual? Alguém que escreve poemas? Não posso acreditar. A falta de dignidade é absoluta!

  11. Ahahaaha. O frankie pig, confunde os morangos. Acham que ele sabe o que são grelos?
    Grelos de nabo, com bacalhau, morcela, ui, é uma delícia. Um prato à portuguesa.

    A Carla Miranda, de cara à banda, traseiro envelhecido, pronta para mais um cozido. Deve ser a vizinha padeira do frankie, aquela que não foi paga pelo casalinho. Lembram-se da história?

    Eu gosto muito de morangos, com açucar por cima ou mel. Frankie, não ofenda a fruta, que a fruta não quer nada com vosmicê.

    Vou-lhe dar um mote para fazer um poema…

    Era um avez um trambolho!
    Um trambolho de palavras,
    daquelas que enfileirava
    sem sentido, vazias, ocas,
    à espera de leitura,
    leitura que nunca mais chegava.

    eheheheh, ui, mi chama di poeta, vai…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.