Vinte Linhas 411

Alpiarça: Depois de uma adiafa no Patacão nasceu o Fórum Ribatejo

Apesar de fazer parte do emblema de Alpiarça, o barco avieiro parece estar perdido nos alçapões do esquecimento. Almoçar na sombra dos salgueiros do Patacão uma magnífica caldeirada feita pelo avieiro Fernando Saboga, foi uma espécie de adiafa sentimental. Os 16 convivas (amigos, antropólogos, músicos, investigadores, jornalistas) homenagearam a memória de Álvaro Brasileiro na presença do seu filho. Alguns desandaram dali pois não suportam ver a aldeia abandonada e em total degradação, outros talvez mais resistentes ao esplendor das ruínas, andaram pelo interior das casas dos avieiros que ainda não caíram de todo. Há ali ainda um frémito de vida. Roupas, facturas, papéis diversos. Um relatório de 1972 sobre um «RX» dum avieiro no Cartaxo, quatro páginas da bateria de análises feita em 1971 a uma avieira em Alpiarça. O forno comunitário e a respectiva barraca de apoio (onde ficou esquecida uma garrafa de Rical) são o contraponto do lado de cá ao abandono das casas do lado de lá do dique onde algumas árvores cresceram e derrubaram os telhados. A secura e a aridez da areia completam a desolação das casas. Horas depois a sala da Junta de Freguesia, local onde se realiza a Assembleia Municipal, recebe os 16 agentes culturais com uma mentira na parede – um quadro que anuncia a recuperação do Patacão. Mas o processo dos avieiros não pára; ainda agora um grupo de investigadores foi recebido no Ministério da Cultura (parece que existe…) e um Blog vai nascer para contactos activos dos agentes culturais do Ribatejo que nele queiram participar. É tudo uma questão de coração. Afinal Alves Redol escreveu «Avieiros» quando descobriu que a sua avó de Tomar era neta, filha, irmã e viúva de avieiros.

2 thoughts on “Vinte Linhas 411”

  1. O computador, o livro e a lousa.
    A lousa e o livro são uns utensílios escolares que nos anos cinquenta pavoneavam-se nas malas ou sacas dos alunos portugueses. Era de fácil transporte e manuseamento. Na lousa se nos enganávamos bastava uma simples cuspidela, para corrigir o erro – os correctores de outrora eram fáceis de transportar e ocupavam pouco espaço. Tinha casado com o Lápis e por força dessa união, o Lápis, passou a chamar-se Lápis de Lousa. Havia os mestres escolas, para nos ensinar a fazer as letras e os algarismos, uns bem-feitos outros autênticos gatafunhos. Gostava dela mas por ano estriava umas poucas o fazer de poste nos jogos de futebol, levou-me a umas repreensões e castigos. Não tinha culpa, não fazia por mal, também não queria ser um Betinho. No computador tenho uma certa queda mas nunca tirei nenhum curso. Há uns meses houve um curso de cinquenta horas no qual me inscrevi. Andava à procura de um que ensinasse o Visual Basic, disseram que não havia, que ia ser dado um sobre a internet. Na apresentação quando preenchi a ficha referi que era aposentado, disseram-me que tinha que pôr como desempregado senão não podia frequentar o curso. Como não sou pessoa de mentir, resolvi não aparecer mais. Entre uma coisa e outra prefiro a minha verticalidade. É evidente que hoje me sentia mais capaz para manusear a internet, mas se não vou lá directo, dou uma volta maior até conseguir o que quero. Faço pequenas bases de dados no Access, comprei uns livros e como tenho paciência e todo tempo do mundo, vou-me entretendo. “O saber não ocupa lugar, é bem-dito e bem certo o ditado, depois de se saber, beneficia-se com o resultado.” Hoje quase que não é preciso o livro, se precisamos de algo no computador temos um leque de opções. Estou convencido que daqui a uns anos não precisamos do teclado para nada, vamos ter um chispe e através da nossa memória, transmitimos para o computador e ele regista tudo, vai revolucionar a indústria informática. Julgo que se devia apostar na formação dos professores sobre os computadores para através deles ensinar as nossas crianças. Há entendidos que se sentem ofendidos com os resultados a matemática e a português, não reparam que se uma pessoa sentir qualquer dificuldade, numa folha do Excel e na internet consegue-se tudo. Temos de apostar no futuro dos nossos jovens e o futuro é a informática. Neste caso o computador.

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