Vinte Linhas 406

Há 43 anos era assim: não igual mas parecido

Comecei a trabalhar em 9 de Setembro de 1966. O vencimento era de 900$00 mas como não trabalhei todo o mês recebi 660$00 ilíquidos. Descontaram-me 13$20 para o Fundo de Desemprego, 2$50 para a Caixa de Abono de Família e 7$00 para a quota do Sindicato. Total – 22$70 para a corda do sino, como se diz na minha terra. Sendo empregado bancário nunca poderia vir a beneficiar do Fundo de Desemprego pois os Bancos não estavam na Segurança Social, tendo 15 anos de idade não podia ser sócio do Sindicato mas descontava, sendo bancário não beneficiava de «Caixa» mas descontava. No mês seguinte já trabalhei os 30 dias e o vencimento ilíquido foi 900$00 mas os descontos também aumentaram: 18$00 para o Fundo de Desemprego, 9$00 para o Sindicato e 2$50 para a Caixa. Total: 29$50 para a corda do sino. Dito de outra maneira: por cada 30 dias que ganhava 1 dia inteiro ia para descontos injustos e sem fundamento. Mas em 1966 era assim: comer e calar. Há tempos referi a macacada dos mínimos nas Finanças, aquela história da jovem arquitecta paisagista que ganhou 1.225,00 euros mas que as Finanças obrigaram a pagar 2.998,00 de mínimos, ignorando ostensivamente que ela começou a trabalhar em Outubro e que não faz sentido obrigar uma pessoa nessas condições a pagar tanto como quem começa a trabalhar em Janeiro, não percebi logo o alcance. Foi hoje que percebi. Em 43 anos pouco mudou nas mentalidades. O «espírito de guichet» permanece. As respostas que deram à jovem arquitecta paisagista agora («Não há nada a fazer») são as mesmas que me deram a mim há 43 anos. Não há nada a fazer. As mentalidades demoram muito tempo a mudar. Quando mudam.

4 thoughts on “Vinte Linhas 406”

  1. Não estou para fazer contas

    Em 1966 com vinte anos (meu deus) a ganhar 2 100 paus, 1 900 paus limpos na Soponata, o meu primeiro ordenado
    Solteiro
    Era um senhor

    Atenção
    Quando entrei para o Totta & Açores comecei logo a descontar para a caixa
    O Totta Aliança tinha previdência: Caixa de Previdência do Pessoal da CUF e Empresas Associadas
    Isto em fins 1969
    E fomos todos integrados – incluindo o pessoal do Açores. Sans problème

    Pelo que me fui apercebendo ao longo da minha vida a questão punha-se sempre, em todas as profissões, em ganhar o mais possível e descontar o menos possível
    Os impostos. Roubalheira
    Pois é
    Mas quando chega aquela hora de entrarmos no outouno da vida
    E pior há uns tempos com reformas – convidados para – a partir dos 45, 50, 55, pois é se não estivesse lá o “taco”, ui, ui

  2. Pois mas mesmo mudando os nomes a realidade continua e não foi o «25 de Abril» que a mudou. EStá muito entranhada na psicologia do pessola do «guichet». Esse o espírito que talvez nunca venha a desaparecer.

  3. Eu entrei para o banco a 16 de Julho de 1975. Salvo erro o ordenado era 3.000 escudos, mas não tenho a certeza. Entrei para a G1 e um ano depois passávamos de nível, mais 500 escudos.
    Tenho pena de não ter guardado o primeiro recibo, mas tenho a mania de deitar tudo fora…eh eh eh
    Beijinhos meu colega reencontrado 31 anos depois…

  4. Pois é Paula parece que sou muito organizado mas não é verdade. Simplesmente aconteceu que esse «clip» com os recibos de 1966 a 1969 apareceu. Gostei muito deste breve encontro e prometo visitar os tesu Blogs. Bjbj.

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