Vinte Linhas 382

«As palavras poupadas» de Maria Judite de Carvalho

Alguém no dia 17 de Maio de 1963 comprou este livro e escreveu a tinta azul «de 1962» ao lado das palavras impressas «Prémio Camilo Castelo Branco». Folheio devagar as suas páginas e recordo com emoção o dia (já lá vão uns anitos) em que fiz parte o júri do 1º Prémio Nacional de Crónica instituído pela Associação Portuguesa de Escritores e patrocinada pela Câmara Municipal de Beja. Os outros elementos do júri eram a escritora Maria Regina Louro e o Dr. Cortez (do Instituto do Livro) e o prémio foi entregue me Beja na Biblioteca Pública local.

É um belo livro ainda hoje, passados tantos anos, conforme já na altura Óscar Lopes, Álvaro Salema, João Gaspar Simões e José Palla e Carmo tinham afirmado.

Um exemplo: «Aos amigos… Mas a que amigos? Fora sempre um doente e as crianças e os jovens não gostam de doentes. Pelo menos durante muito tempo. Cansam-se, irritam-se. E são extremamente cruéis. Por isso os detestava a todos. A todos.»

Lembrei-me também da Ana Teresa Pereira, escritora hoje de nome firmado mas que há vinte anos eu ajudei com a minha teimosia a descobrir no prémio Caminho Policial. Claro que não se sabia «quem» era mas foi o texto que me prendeu a atenção. Bati-me por ele e houve mais bolos secos e licores do que o habitual até que por fim lá surgiu o consenso.

As minhas intuições não me costumam deixar ficar mal. Ana Teresa Pereira pertence a uma geração diferente mas a verdade é que são dois casos aos quais estou ligado: num deles outorguei um prémio de consagração, noutro ajudei a descobrir um talento guardado numa gaveta de uma casa num Rua do Funchal.

7 thoughts on “Vinte Linhas 382”

  1. Não me digas João Pedro que não sabes que há seres humanos ainda piores. Os daquela narrativa detestavam os doentes. Pois. E se fizesses parte do júri dum concurso literário infanto-juvenil com dez originais quatro dos quais têm animais pequeninos como protagonistas? Não pensavas o mesmo?

  2. Ó Ana Teresa, no Natal não te esqueças de agradecer ao José Francisco. Estás a ver, filha, se não sido ele a deitar-te a mão, hein?

  3. Ó Zeca não sejas mau para mim. Conto uma história verdadeira que tu não podes desmentir ou subverter. É claro que noutro concurso e com outro júri, mais tarde, seria descoberta e venceria. O que torna a coisa curiosa é que foi naquele momento. Quando o Cristiano Ronaldo tinah 11 anos houve uma pessoa no Sporting que foi à Direcção dizer que ele valia os 10 mil contos de umas contas cruzadas com o Nacional da Madeira por causa de um jogador do Odivelas formado no Sporting. Dizer que ele valia 10 mil contos com 11 anos «hoje» é fácil mas dizer em 1997 é outra coisa…

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