Vinte Linhas 321

O horizonte que flutua em frente ao banco de Marta

Há um som de marcha brasileira no pôr-do-sol em frente à última falésia e na linha de espuma na onda repetida, frente ao banco de Marta, com o hotel à esquerda e o oceano em frente. Atrás do grupo das tarolas e dos bombos, surge o músico da trompete e a rapariga do saxofone. São eles que, a partir da pauta em fotocópia, dão a força inicial das melodias. Mais atrás seguem as meninas que tocam clarinete. Há também uma requinta. E pandeiretas que nunca mais acabam.

Vejo o teu cabelo na onda que sobe e enche de espuma a pedra negra de onde todos os pescadores fugiram recolhendo apetrechos e botas oleadas. Vejo, ou julgo que vejo, porque não posso ter a certeza, entre a luz do sol e a breve neblina que se forma nas pedras depois das ondas terem batido a sua fúria.

No pôr-do-sol daqui é o teu olhar que ficou na sexta-feira desenhado nas ruas da cidade a deixar o limite da luz azul e a marcar o horizonte que flutua em frente ao banco de Marta.

São as máscaras que chegam da memória de Veneza no som do Carnaval da marcha das crianças e fazem com que a paisagem se transforme para, de repente, ter o teu cabelo no cimo das ondas.

Já não há por aqui alfândega nem mercadorias para pagarem direitos conforme a pauta aduaneira. Neste lugar passa o som da marcha, passam as imagens e as máscaras do desfile e o ponto alto das ondas acaba por ser, de sete em sete, o recorte do teu penteado que ficou na sexta-feira à tarde em Lisboa. E sobre essa memória nada nem ninguém pode cobrar imposto, taxa ou comissão aduaneira.

2 thoughts on “Vinte Linhas 321”

  1. ò pá essa não vem nada a propósito. Aqui temos é o «estado a que isto chegou». Obama é do outro lado do Mundo.

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