Vinte Linhas 302

Furgonetas, gralhas e fotógrafos de Estaline

Retiro a moral da história dos recentes ataques de que fui alvo aqui no «aspirinab» como um mote explícito para continuar – apesar de tudo. Contei a história de ter visto no Chiado, na montra da Livraria Sá da Costa, uma edição especial do «Levantado do Chão», um livro com ilustrações de Armando Alves, um objecto estético especial dentro de uma caixa castanha que custa uma pipa de massa mas que tem uma gralha terrível: na citação da A. Garrett aparece a palavra «infância» onde deveria estar «infâmia» – isto a propósito de saber quantos pobres são precisos para fazer um rico. Logo saltaram uns espertalhões tentando desvalorizar o erro crasso cometido pelos editores e tentando fazer crer que o meu lapso (ter escrito mal a palavra furgoneta) podia fazer esquecer o grande lapso dos editores de uma obra tão especial. Isto é a demagogia em estado puro. Então o meu pequeno erro (tão pequeno que na rádio passou completamente despercebido) servia para anular o grande erro dos editores tão especiais de um livro tão especial. Também estes são aprendizes dos fotógrafos de Estaline, tentando apagar a verdade e fazendo buracos nas fotografias para que nos próximos anos lectivos os alunos já não vejam os retratos dos proscritos. Se bem se lembram os (e as) que leram esse texto, eu falava apenas de gralhas e não de infâmias – que é outra coisa. A infâmia está noutra página mas a mim naquele momento interessava-me discorrer sobre o facto de uma vasta equipa ter tido em mãos uma reedição de um livro de 1980 e de ninguém ter visto a palavra que distorce por completo a ideia de A. Garrett. A infâmia é outra coisa mas pelos vistos isso é uma situação que os fotógrafos de Estaline não são capazes de perceber.

One thought on “Vinte Linhas 302”

  1. Tu andas a dar cabo do estômago mas ainda não percebi porquê. Lá que chames a atenção para essa troca de infância com infâmia acho bem, até nos pôs todos a pensar na frase,

    bem mas deve ser aquelas coisas do Asterix quando não há romanos,

    javalis

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