Vinte Linhas 289

Postal da Ericeira para Marta em Madrid

Está um sol esplendoroso e quente, aqui na Ericeira. Em Lisboa chove e em Sete Rios caiu uma tromba de água. Do limite da esplanada vejo o teu banco. Passou a ser designado como o teu banco quando o descobri no teu Blog. Continua a chover em Lisboa segundo me informam os telemóveis em cima da mesa. O empregado brasileiro serve-me um carioca de limão e continua a achar graça às palavras do preçário. Tal como eu, na revisão de um livro para diabéticos, achei graça a um bolo brasileiro que se chama «pé de moleque». Tal como duas italianas acharam insólito ouvir dizer em voz alta no bar da Faculdade de Arquitectura da Universidade Lusíada na Junqueira esta frase: «Duas italianas para este senhor!»

Está um sol esplendoroso e quente. Também pelo inesperado sol de Outubro, as crianças encheram o parque infantil de Santa Marta. Ao lado o carro do Noddy continua a atrair os mais pequenos e as moedas não páram de cair. Um eléctrico pequenino tem nas bandeiras um destino curioso que eles ainda não percebem. Neverland. Terra do Nunca. Talvez seja esta mesa de esplanada onde tento juntar a imagem do teu banco, o sol que faz do mar um imenso espelho e as gaivotas que atravessam a esplanada para virem descansar no lugar onde ficavam as antigas balizas do hóquei em patins. A âncora deitada que separa o teu banco das rochas, onde um grupo de idosos apanha sol e iodo, forma um gigantesco travessão. As gaivotas não páram e vão espreitar de novo a luz branca das ondas contras as rochas. Parecem vírgulas inesperadas e sonoras na organização das linhas deste postal da Ericeira para ti. O travessão da âncora, a vírgula das gaivotas, o banco à tua espera.

11 thoughts on “Vinte Linhas 289”

  1. Não queiras ser irónico a dobrar! O senhor era um empregado que levava a italiana para ele e para um colega que não podia estar na bicha. O que chocou as miúdas foi a palavra «italiana» aplicada a um café. A minha filha mais velha, ao tempo estudante de arquitectura, explicou isso às mocinhas.

  2. Gente, o JCF foi a Paris!
    Nestes últimos postes e comentários quantas vezes já o disseste à malta, ó JCF!? Ah, e a tua filha está em Madrid! Ah, e a outra tua filha é arquitecta! A pesca da pescada vai alta, mas como é triste ser-se pobre. Que pacóvio me saíste, ó meu!

  3. Não percebes nada disto. Nem sabes ler. A Marta da crónica é professora universitária em Madrid além de escritora premiada e tradutora. Nada tem a ver uma coisa com outra. A moça tem um Blog e colocou no mesmo uma foto de um banco da Ericeira. Não dá para perceber? Não dá mesmo?

  4. Em Nápoles chamam portogallo à laranja e nós não nos chocamos, até gostamos.

    Ou a tua história está mal contada ou essas duas senhoras são parvas.

  5. Deixa-te de niquices. A história não é minha é de todos os que assistiram deliciados à confusão: as raparigas eram «Erasmus» de fresca data e nunca tinham ouvido chamar italianas às bicas. Isto passou-se na Junqueira há muitos anos; há 11 anos. A minha filha que viu o caso tinha 19 hoje tem 30.

  6. Pois, Zézinho avô, mas as minhas dúvidas eram em relação ao facto que alegas de elas terem ficado “chocadas”. A história foi presenciada por vários, mas tu conta-la à tua maneira. Aliás, em todo o mundo se sabe o que é um café à italiana. Em Inglaterra e na América, p. ex., pede-se um espresso, palavra italiana. Ora vê lá: http://en.wikipedia.org/wiki/Espresso

  7. POis pede mas o resultado não é nada agradável para quem está acostumado aos nossos. Em Orly são dois euros e vinte, nas Galerias Lafayette um euro e setenta e só no café dos emigrantes portugueses de Brunoy custa um euro e vinte. Foi o único que soube bem. O café também tem uma sociologia.

  8. Gabarolices??? Procuro responder e esclarecer porque parto do princípio que as pessoas não são maldosas aqui no Blog. Se pensasse que havia maldade então nem perdia tempo. Não podes confundir gabarolice com registo ou anotação factual. E depois não gosto de deixar ninguém sem resposta. Sou de uma terra muito antiga, venho de uma gente que prefere perder um amigo a perder uma oportunidade de responder no tom. Gabarolices??? Ninguém sabe o dia de amanhã mas enquanto aqui estiver (como se diz na minha terra) «vou cavar com esta enxada»…

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