Um livro por semana 87

«Breve tratado das artes da cópula» de Al-Sayed Al-Makhzoumi

Natural do Iémen, o autor foi um médico que tratou tanto homens como mulheres de Espanha até ao Noroeste da Índia, de Samarcanda até os países da Arábia e ao seu país natal. Dessa experiência de 65 anos de actividade clínica nasceu em 1725 o manuscrito deste actual clássico do erotismo. Vejamos um excerto sobre o beijo: «Na troca de carícias entre o homem e a mulher não há nada mais doce do que beijarem-se nos lábios e na boca. Os lábios e a boca dos homens e das mulheres são muito sensíveis ao toque entre ambos e muito prazer e excitação serão colhidos se isso for feito com bastante sofisticação e habilidade. As mulheres parecem ter bocas muito mais sensíveis do que os homens e retiram muito mais prazer do beijo. Isso pode explicar porque é que as mulheres gostam de demorar-se no beijo sem qualquer desejo aparente de cópula a não ser passado algum tempo depois, enquanto os homens tentam rapidamente e sentem um desejo urgente de copular após alguns poucos beijos preliminares. Realmente o beijo não os satisfaz no mesmo grau mas incentiva-os a outros desejos mais urgentes. As virgens, em especial, retiram do beijo toda a satisfação por que anseiam, pois nenhuma outra parte do corpo é estimulada. Contudo uma mulher experiente deseja ardentemente a cópula depois de estar satisfeita com os beijos. O beijo (Al Qqlab) começa com o toque entre os lábios do homem e da mulher. Os seus narizes devem encaixar-se perfeitamente de modo que os lábios se sobreponham em todo o seu comprimento. É altura de darem início aos movimentos dos lábios do homem sobre os da mulher e uma pequena quantidade de saliva pode ser passada pela língua dele para humedecer o contacto entre os lábios, que ficarão mais sensíveis, convertendo esse contacto num momento de maior prazer.»

(Editora: Padrões Culturais, Tradução: Carlos Adalto Souza, Capa: Mário Andrade, Prefácio: Isabel Afonso)

4 thoughts on “Um livro por semana 87”

  1. O que eu gostaria muito mas mesmo muito de ver depois de aprender devidamente a língua árabe era uma cópia sem pingos de banha da cobra de Samarcanda do “manuscrito” desse tal doutor para compreender por que razão o senhor fala do século XVIII e outros entusiasmados saloios do século XIII desejo que se satisfeito me ajudaria a concluir que o tratado de maneiras de amar que aqui nos apresenta talvez tivesse sido uma invenção com menos de 50 anos dum marrano qualquer a levar vida de frade capuchinho com jeito para a fraude literária mas quero que saiba que nada disso me vai fazer perder a oportunidade de perguntar-lhe se não beija a sua camarada quando a encava sim porque parece que não pelo entusiasmo que lhe vejo ou tira os ósculos quando se atira a isso na primeira quinta-feira de cada mês.

  2. Trata-se de uma simples nota de leitura e de divulgação de um livro que chegou à banca de trabalho do jornalista. Nada mais. «Fraude literária»? Safa!

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