Um livro por semana 249

«Portugal – o Mediterrâneo e o Atlântico» de Orlando Ribeiro

Um cronista do século XV resumia Portugal a «aldeias e desertos». Terá sido esse, o ponto de partida de Orando Ribeiro (1911-1997) para este livro clássico cuja primeira edição é de 1945. Segundo o autor, a Geografia é, na sua essência, a compreensão da terra e da gente, o mesmo é dizer «os camponeses, pastores, moleiros, almocreves, pescadores e gente de outros ofícios» que, mesmo não podendo ler este livro, o ajudaram a escrever.

Um dos aspectos mais curiosos destas páginas tem a ver com as migrações: «As ceifas do Alentejo atraem grandes camaradas de trabalhadores. Sob a direcção de um manageiro, os ratinhos descem das montanhas mais pobres de Portugal: pequenos, delgados e nervosos, investem com denodo as searas mais opulentas. No trabalho das valas e arrozais, são exímios os caramelos do Mondego baixo e da Ria de Aveiro. Vêm principalmente para a região de Setúbal e o vale do Sado, assim como os gaibéus do Norte do Ribatejo e das serras confinantes acodem à Lezíria para o mesmo fim. Gente das praias da foz do Lis costuma, durante o Inverno, vir pescar ao longo do Tejo: os da Borda de Água chamam-lhe avieiros e muitos por aqui arrastam um destino errante, tendo o barco por única morada.»

(Editora: Letra Livre, Revisão: Andreia Baleiras, Revisão científica: Suzanen Daveau, Grafismo, paginação e capa: Inês Mateus, Foto: pastor tocando flauta em Fratel, Beira Baixa)

30 thoughts on “Um livro por semana 249”

  1. Este ainda é o livro.
    Uma obra obra prima da geografia portuguesa.
    Orlando Ribeiro, esta sua obra maior, ainda é lida com prazer e mor proveito.Parece não ter perdido a actualidade, sobretudo no enfoque combinatório do Portugal com singularidades atlânticas e mediterrânicas.
    Deixou um escol de geógrafos, que lhe seguiram as passadas, alguns, e, outros, o acompanharam em vida. Entre eles se conta a sua viúva e, também, enorme geógrafa, Suzanne Daveau.
    Bem haja por aqui tê-lo recordado.
    Uma pergunta: porquê “caramelos” às gentes que descem do Mondego?

  2. mais publicidade, colada com cuspo, em forma de crítica literária à marcelo: leiam esta merda, quem recomenda percebe muito disto e é doutorado pela câmara de almada. deves ter uma impressora de recibos verdes para amortizar, para não falar do adicional de mil euros em irs. o albergaria não tarda leva com uma citação do diccionário do coelho pardo com o significado e origem do caramelo que é para não armar em esperto.

  3. Amigo José Albergaria – já vem de Gil Vicente no «Auto da barca do Inferno» cito «E que he isto na má ora? / E o batel está em secco! / O rio s’ encaramelou!». Quando na Beira Baixa e Litoral gelavam os rios pessoas e gado atravessavam de uma margem para outra e Leite de Vasconcelos refere «caramelo» como fio de água gelada a pender das beiras dos telhados. Esta ideia de rijeza, resistência e pertinácia terá passado da água para as pessoas. De um vizinho meu no Montijo, o tio Joaquim Caramelo, se dizia que tinha tanta força como um catrapil.

  4. ora porra! pensava que os caramelos eram do caramulo e saem-me drops da regina feitos em badajoz, entretanto o joaquim põe a catrapila de molho.

  5. Há, de facto, várias hipóteses ediversas fontes.
    As que cita são interessantes e curiais.
    Uma, é admitida pelo idiota preconceituoso qu’assina “anónimo”. “Caramelo” o que vinha do Caramulo…
    Contudo, os “caramelos” estão quase todos, faz várias gerações, na zona do Pinhal Novo (Palmela) e na freguesia da Atalaia (Montijo). Quase todos estes vieram da região de Cantanhede, na bacia do Mondego, portanto na região delimitada pelo nosso Leite de Vasconcelos. Como mondavam os arrozais, expostos à soalheira, adquiriam a cor acobreada…do “caramelo”. Hipótese plausível.
    Mas parecem-me as citadas por si, bem mais eficientes.
    Particularmente, no Pinhal Novo, a designação “caramelos” remete ainda, aspecto singular, para uma cultura de vestuário, de festas, que designa, entre outros acontecimentos, designadsamente os “casamentos” de “caramelos”.
    Agora, para remate de conversa.
    Estes dois, a abécula & o anónimo sairam-me cá dois caramelos de primeira engorda!

  6. o albergaria foi dar uma volta pelo google para mostrar serviço e para disfarçar as inconclusões atira ao que mexe. podias fazer um blogue a mielas com o poeta da treta, uma coisa tipo reader’s com anedotas de caserna, curiosidades literárias e outras vagabundagens desportivas & culturais, nome da coisa: albergaria franciscana.

  7. Este anonimo, além de mal educado, olha-se ao espelho.
    Está convenvido que é culto, e dispara sobre a sua própria ignorância.
    A informação responde com remoques idiotas
    Para que conste, trabalhei quatro anos no Municipio de Montijo, aprendi muito sobre aquele território, sobre as suas gentes, sobre a sua história e sobre esta singularidade dos “caramelos”.
    Tive contactos profissionais com o Pinhal Novo e com pinhalnovenses.
    Para sua instrução, a actual Presidente da Câmara de Montijo, Maria Amélia Antunes é de descendência caramela.
    Quanto ao Pinhal Novo, recomendo-lhe a leitura da tese de Mestrado em Antropologia de Teresa Sampaio de que lhe ofereço, à borla, este naco: «Pinhal Novo é uma vila que, estando situada na margem sul da Área Metropolitana de Lisboa, aposta na implementação de estratégias sociais e económicas com o objectivo de ocupar um lugar de destaque face às restantes freguesias do concelho de Palmela e aos concelhos vizinhos. A evocação da história, tradições e memórias são as ferramentas simbólicas que o território utiliza para reivindicar uma posição e sublinhar o seu desenvolvimento enquanto centro urbano. O apelativo caramelo, cuja origem se confunde com a própria origem do lugar, traduzia inicialmente os trabalhadores rurais da Beira Litoral que, em séculos anteriores, para ali vieram ganhar sustento. Na década de 80 do século passado, o termo sofreu um processo de transfiguração passando a justificar a existência de uma consciência colectiva do território, actuando e exibindo-se publicamente. O apelativo tem vindo a constituir-se como a zona imaginada da história do lugar e da identidade territorial, autenticado e postulado pela eficácia do aparato simbólico que o produz. E este campo simbólico é domínio de vários protagonistas que concorrem para a fabricação e revitalização cultural. Esta tese pretende apresentar a forma como o território, a partir do apelativo caramelo, se posiciona como centro urbano, num processo de Construção e Representação de Si.»
    E estamos conversados.
    A próxima vez que se manifestar ignorante, idiota, malcriado e insultuoso, dou-lhe uma coça, no sentido literal, que o mando para o sanatório do Caramulo e de lá não sai.
    Como dizia Spinoza ” a ignorância nunca foi argumento”, como parece ser a matéria de que este bestunto anonimo é feito.
    Passe mal, mesmo muito mal.

  8. oh albergue de presunções! quero lá saber onde é que trabalhaste ou da cor original das tuas cuecas, se te consideras uma sumidade em caramelos porque é que fizeste a pergunta?

    se te consideras insultado, é porque encaixaste mal, problema teu. borrei-me todo com a tua ameaça que nem te agradeço a adjectivação elogiosa que me dedicaste.

  9. Eu quando era catraio até me contaram duma cena de facada e pau de marmeleiro em Sarilhos ou na Lançada, já não me lembro, que envolveu dois caramelos e três fulanos dos Olhos de Água que andavam a abrir poços por conta duma firma do Chão Duro. Houve dois feridos pelo menos e um até teve de ser operado de urgência no S. José porque em Santa Marta ainda não fazia cirurgia complicada nessa altura. Mas tiveram que usar garrotes fortes porque a ambulância teve que ir dar uma granda volta por Vila Franca porque havia nevoeiro em Cacilhas e a ponte ainda não tinha sido construida.

    No entanto, ninguém chegou a ser preso. O próprio ferido, golpe fundo de alto a baixo na barriga da perna, nunca revelou o nome do faquista, dfizendo apenas: “Olha, era uma caramelo dos lados da Atalaia que se andava a fazer à minha rapariga. Mas hei-de encontrar o cabrão”. São coisas destas que me fazem vir as lágrimas aos olhos, quando penso nestas tribos bárbaras de nómadas das Beiras mondeguinas.

  10. Meu Caro Kalimatanos – o nome de Barra Cheia não lhe diz nada? Foi um dos lugares onde eles se fixaram. Vieram de Cantanhede, Cadima, Mira, Tocha, Arazede, Quiaios, Loureiros, Liceia, Tavarez, Pelixos, Povoeiras, Carromeu e Casal de São João. São terras da Beira Litoral. O meu vizinho Joaquim Caramelo assim chamado prova que já entre 1957 e 1961 o nome de origem já tinha passado a nome próprio. Ele vivia na Rua do Norte no Montijo, perto do cemitério, já a caminho do Afonsoeiro…

  11. Amigo Branco: bem, se existe uma Rua do Norte em Pegões, isso é outra conversas mas a nossa, a minha pelo menos em 1957, era no Montijo. O jornal Região de Pegões publica na sua mais recente edição o meu poema «Balada do Cais da Cortiça».

  12. coincidências! a kate, que trabalha para o meu tom tom, acaba de me dizer: saia na 2ª. à direita para o cais da cortiça. se calhar anda a ler uma edição pirateada, põe-te a pau com os direitos de autor.

  13. Ó anonimo, a cena, e discussão, não contem apenas reformados da outra banda. Se abrires o olho naturalmente, vais reparar que nesta produção do amigo zé entram cristãos culturais caramelos e muçulmanos do Baixo Alentejo a milhas da meninice, sem foice nem martelo, enquanto os cobradores de impostos tipo Valupi e Vega (V for Vendeta das iluminatas ignoratas) coçam os dúbios tomates de prazer e fazem contas de cabeça. Por enquanto.

  14. Ó amigo Zé,

    Ponha aqui, por favor, a sua “Balada do Cais da Cortiça” para matar saudades e por ser admirador de filigranas artísticas feitas com esse material. Foi também a cortiça que me ensinou a nadar quase tão bem como o Baptista Pereira, outro caramelo.

  15. Ok, aqui vai:Cais da cortiça, vapores / A caminho de Lisboa, / Samarra de lavradores / Contra o frio da proa // A água do cantarinho / O mestre tem na cabina / É do poço do vizinho / Onde a rua faz esquina // As galeras de Pegões / Chegam aqui de manhã / Entre gritos e razões / Na cadeia comarcã // E a gente dos escritórios / Nas janelas da prisão /No maço de Provisórios / Cada cigarro um tostão // Em certas ocasiões / Vem a carga diferente / A galera traz melões / Matam a sede à gente // Com rodas de camioneta / São outras velocidades / Viagem quase secreta / Entre duas localidades // Entre Montijo e Pegões / Levam a carga que calha / Ou ferro para portões / Ou vinte fardos de palha // E esta galera continua / Numa memória já morta / Já vem na curva da rua / Onde estou à minha porta//

  16. Muito obrigado, amigo Zé, boa balada.

    E sim, anonimo, particularmente o broche, porque o diadema é para adornar testas. E em cortiça não virgem, que esta presta-se melhor a aglomerados.

  17. Na terra onde nasci, na margem sul, caramelo era um termo depreciativo, tipo gente analfabeta, tipo gente do campo. Se era do Norte do Sul tanto faz. Eh! Pá! Não sejas caramelo ou és um granda caramelo.
    E não era só no Pinhal Novo que ao tempo era uma pequena vilória.

    A propósito:

    P’ra quê tanta algazarra
    em volta do caramelo,
    o meu ninguém o agarra
    pois vou já no cu metê-lo.

  18. É costume dizer-se que os loucos não devem ser contrariados. Foi isso que fez, exactamente, o José Albergaria, ao publicar o curriculum do nosso ilustríssimo dr. josé do carmo francisco. Pode ser que daqui em diante o «poeta» tenha menos fúrias, Não deixa de ser uma esperança. O pior será o vocabulário utilizado nas suas respostas aos comentadores. Neste aspecto, chegou às últimas em termos de ordinaríce.

    Albergaria: além do doutoramento, falta acrescentar essa faceta espectacular ao curriculum do nosso homem…

  19. Não, grande camelo, não tenho fome. O que eu disse e tu, analfabeto, não percebeste é que tu (Adolfo) fazias tanta falta como a fome. Tu que insistes em refugiar-te nas tábuas e não sais daí.

  20. Lá estás tu novamente às marradas. E a ti não te serram os cornos. Vais antes à carpintaria do Machado.
    Mas que mal é que eu te fiz se eu nem sequer venho vestido de toureiro ou pegador de touros?
    Sei lidar com esses animais pois vou de vez enquanto à Moita mas a minha estaleca não me permite descer tanto e lidar qualquer curro.
    Têm que ser animais bravos, inteligentes que investem a direito. Agora andar, cabeçada aqui, marrada acolá não dá. Vai para a lezíria e aprende a investir.

  21. Pois é francisco, és um intelectual de pacotilha mais os que te acompanham. O que é que os caramelos têm a ver com o Pinhal Novo ou a Atalaia? Havia e há caramelos por todo o distrito de Setúbal, para além de , como eu disse, ser usado como termo depreciativo. Isto citei eu de cor porque era e é a minha vivência.
    Agora citando o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia de Ciências de Lisboa, lê-se: TRABALHADOR RURAL QUE SE DESLOCA DA REGIÃO DA BEIRA LITORAL PARA IR TRABALHAR NOS ARROZAIS E VALAS DO VALE DO SADO E NOUTRAS ATIVIDADES DA REGIÃO DE SETÚBAL. Percebeu? Noutras atividades da região de Setúbal. Portanto havia caramelos na Aldeia de Irmãos, em Azeitão. na Quinta do Anjo, na Barra Cheia (Moita), na Penalva, no Penteado e não só no Pinhal Novo ou Atalaia.
    Refere ainda o mesmo dicionário que o termo caramelo se usa de forma irónica e digo eu depreciativa. E dá como exemplo o mesmo dicionário a expressão, O QUE É QUE ESTE CARAMELO VEM CÁ CHEIRAR?.
    Portanto, sr. francisco, o tal intelectual de pacotilha: aprenda que eu não duro sempre, com cornos ou sem eles, termo que o sr. usa e abusa. Se calhar porque gosta de ser enfeitado com eles.
    Esta lição desta vez é de borla e para analfabetos.

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