Um livro por semana 246

«Novo Dicionário do Calão» de Afonso Praça

Afonso Praça (1939-2001) passou desde 1961 pelos jornais Diário de Lisboa, República, Diário de Moçambique, O Jornal, O Sete e O Bisnau e pelas revistas Flama, Vida Mundial e Visão. Foi, segundo António Valdemar, «um dos mais notáveis jornalistas da sua geração». Este dicionário de 285 páginas começa em «a abrasar» (andar muito depressa) e termina em «zurrapa» (vinho ordinário) e tornou-se (segundo Regina Louro) «um livro de referência para tradutores, professores, alunos, jornalistas e cidadãos curiosos» embora (segundo Sara Belo Luís) se possa também considerar «um pequeno manual para o melhor insulto».

Um dos aspectos mais curiosos deste dicionário é o facto de o seu autor integrar nos verbetes citações de diversos escritores. Uns serão menos canónicos como José Vilhena, Luís Campos ou o Pad-Zé de Coimbra. Outros são autores de culto como Vitorino Nemésio, Urbano Tavares Rodrigues, Trindade Coelho, Natália Correia, Luís Pacheco, Júlio César Machado, José Cardoso Pires, Fialho de Almeida, Fernando Assis Pacheco, Eça de Queirós, Dinis Machado, Camilo Castelo Branco, António Lobo Antunes, Aquilino Ribeiro e Alves Redol.

Uma das palavras mais difíceis é «cena» (situação ou acontecimento) e daí a transcrição da entrevista dum elemento do grupo Family: «E a cena da cor? A cena de haver bumbos a rappar? «É normal, é normal porque … a cena que se ouvia lá, a maior parte são os negros que fazem, e então é muito mais fácil haver mais negros a ouvir a cena do que brancos a ouvir… Eu já ouvi muita cena «os negros é que sabem, o que é que é», «os negros é que sabem rappar», não é assim, tás a ver? Tu podes ser branco e perceberes da cena e sentires a cena da mesma maneira».

(Editora: Casa das Letras, Actualização: Cláudia Almeida, Pedro Dias de almeida e Rodrigo Dias, Capa: Maria Amorim, Revisão: Ayala Monteiro)

8 thoughts on “Um livro por semana 246”

  1. Jindungo, Sinhã !
    Malagueta, entre nós, piri-piri não sei aonde, tuá-tuá no “forro” de S.Tomé.
    Boa tarde
    Jnascimento

  2. Eu imagino se tu te tens deparado com um apelido escrito com inicial minúscula num qualquer periódico, o escarcéu que não ia ser aqui a desancar o pobre coitado que se enganou (por muito menos já tens feito estardalhaço). Mas como és tu, nem ai nem ui, calas-te que nem um rato e finges que não é nada contigo, mas a ignomínia continua lá, À vista de todos.

  3. Boa, senhor Branco! Certeira essa sua pontaria. Ele finge que não é nada com ele. Pior é o desprezo de não se dar ao trabalho de corrigir. Soma e segue… nas asneiras que são sempre muitas! Mas a língua afiada, está sempre pronta para criticar os outros. Até nem sei se o Jcf não terá pertencido à censura de outros tempos… Não me admirava nada que tenha sido «lápis azul»!

  4. ó Zeca galhão, pá, ó coiso, e tu não fazes um dissionário pá, tu que, qués um rebelde iessemene, originale, pá, perssebu, perssebu, é difissile mas a gente ajudamos-te pá, olha, trambolho, avô torto, bandido, bandalho, paranoicu,safa,idiota, ó pá, não tens que tisforssare pá, cu significado daquilo tudo é o mesmo, é jcf,eheheheh, depois na origem das cenas pá, podes por bairro alto, bem ganda cena, até podes por imajems, a tua fotografia tás a ver, com um martelo na mão e um prego, pur causa da carpintaria da iscrita, tás a ver,como tens fans declaradus podes fazer uma parte de calão purnugraficu, pá, pedes à bácura que tajude cus pirilaus e outros redondos, tás aver e mais um isforsso e fazes a antologia da pilinha, ehehehehhe, cum catanu, ó pá, tu és um desvario, ca cena do carassas.

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