Balada do Largo do Rato

(a Fernando Marques)

Largo do Rato tão velho
Onde chegava sozinho
Poupava pelo conselho
Dado no fim do caminho

Descia a pé toda a rua
Do alto das Amoreiras
Parece que continua
Na atitude e maneiras

Poupança de três tostões
Hoje sem equivalente
Continua a haver razões
Nas ideias desta gente

Vinha da Rua do Ouro
E jantava a todo o gás
Cada livro um tesouro
O Curso era ser capaz

Fosse na Veiga Beirão
Ou na Patrício Prazeres
Estudar era a paixão
Labirinto de saberes

Fixo agora o momento
Na memória virtual
Está o carro São Bento
Estrela-Príncipe Real

E o do Conde Redondo
O que passa e o que fica
Resguardo onde escondo
O cinco vai para Benfica

Ou um 24 para o Chile
Sai do Carmo pontual
Leva um «Canto Civil»
E quer mudar Portugal

Largo do Rato tão novo
Todos os dias procuro
Nove ruas onde o povo
Parte em busca do futuro

16 thoughts on “Balada do Largo do Rato”

  1. LISBOA MENINA E MOÇA

    No Castelo ponho um cotovelo

    Em Alfama descanso o olhar

    E assim desfaço o novelo

    De azul e mar

    À Ribeira encosto a cabeça

    Almofada da cama do Tejo

    Com lençóis bordados à pressa

    Na cambraia de um beijo

    Lisboa menina e moça, menina

    Da luz que os meus olhos vêem, tão pura

    Teus seios são as colinas, varina

    Pregão que me traz à porta, ternura

    Cidade a ponto luz bordada

    Toalha à beira mar estendida

    Lisboa menina e moça, amada

    Cidade mulher da minha vida

    No Terreiro eu passo por ti

    Mas na Graça, eu vejo-te nua

    Quando um pombo te olha sorri

    És mulher da rua

    E no bairro mais alto do sonho

    Ponho o fado que soube inventar

    Aguardente de vida e medronho

    Que me faz cantar

    Lisboa menina e moça, menina

    Da luz que os meus olhos vêem, tão pura

    Teus seios são as colinas, varina

    Pregão que me traz à porta, ternura

    Cidade a ponto luz bordada

    Toalha à beira mar estendida

    Lisboa menina e moça, amada

    Cidade mulher da minha vida

    Lisboa do meu amor, deitada

    Cidade por minhas mãos despida

    Lisboa menina e moça, amada

    Cidade mulher da minha vida

    Ary dos Santos

  2. ó pá, a poesia não pode ser parada, pá, a poesia não pode ser um conjunto de rimas de conveniência, pá, a poesia meu tem de ser bonita, transmitir com sensibilidade, ó trambolho, olha lá, aprende com os poetas pá, aprende o verso, ó pedregulho, pá, faz uma balada á citroen pá ou aos pêlos no olho do cu, pá, tens mais sucesso, meu, porque ainda fazes rir, agora com isto, só me dizes que estás patologicamente condenado, meu, sem apelo nem agravo, pá, garnda marrecu, já me tás a irritar, sempre com esta lavagem encardida de palavras, ó pá, dás vontade de formar a inquisição, fogo.

  3. Agora foi tudo desnivelado e a placa do meio é de trânsito automóvel, já não há eléctricos como em 1966.

  4. eheeheh, já não há electricus, ó pa ele, é só sôdades, ó pá, o quia pra benfica era o 15 pá, qual cinco qual carapussa, ó marmanju, pá.

  5. Gosto menos Sinhã, gostava muito dos eléctricos. O 5 para Benfica, o 22 e o 23 para S. Bento, o 24 para o Chile, o 25 e o 26 para Estrela-Gomes Freire e o 29 e o 30 para Estrela-Príncipe Real. Ao contrário de um ignorante que entrou aqui por enagno e não percebe a diferença entre o 5 eléctrico e o 15 autocarro – esse depois substituído pelo 58, hoje 758. Aparece cada maluco…

  6. Já lá fui uma vez quando passei um fim de semana no Porto, até demos um passeio de barco no Douro. É muito bonito o Museu.

  7. Chamei ignorante mas devia chamar paranóico – só um maluco se atreve a tentar desmentir quem conhece o «5» eléctrico Carmo-Benfica por nele ter viajado tantos anos.

  8. Um poema de memória que é uma das matérias com que se constrói a História. Simples e complexo, como é tudo o que é simples. Os dois tostões que hoje não têm equivalência é, só por si, algo de muito complexo. Aqui a padaria, onde eu compro o pão meu de cada dia, passou as bolas de 20 cêntimos para vinte cinco, foi só 25% de aumento. Eis a não equivalência: somos duplamente explorados, pelos sacanas que nos governam, homens cumpridores das troiskas e amedrontadores das gentes, e por alguns pulhas comerciantes.

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