Amor de bancada

É pelos teus olhos que eu vejo o jogo
De ti eu não sei praticamente nada
O teu olhar tem a força dum fogo
Aceso por mim neste lugar da bancada

Debruço-me também na luz da tua idade
Para ver melhor o tempo de jogo a correr
Nos degraus em que repousa esta saudade
Encontro o teu inesperado corpo de mulher

No Verão protejo-te com nuvens de papel
Que só eu vejo porque também só eu imagino
Ponho-te nos bolsos rebuçados alteia e mel
E disfarço os meus anos num olhar de menino

No Inverno são para ti os primeiros pingos
Neste monte dos nossos pequenos vendavais
No ano inteiro vejo-te apenas alguns domingos
E nas poucas quartas-feiras internacionais

No roteiro deste sentimento imaginário
Saímos deste poema como do jogo – cansados
E sonho com alterações ao nosso calendário
No grande silêncio dos teus lábios fechados

19 thoughts on “Amor de bancada”

  1. Obrigado, Sinhã. Alteia e mel eram uns rebuçados que os homens de fato-macaco vendiam nos estádios em 1966 juntamente com o Rajá «fesquinho» e a queijadinha regional. A dita alteia é planta medicinal da famílai das malváceas.

  2. Bem acompanhado, poeta, a ssim também eu ia a jogo!
    Para vencer, claro, se a sorte estivesse de meu lado, como a sua que não morreu ao domingo !
    Bom fim de semana
    Jnascimento

  3. Os fatos-macaco eram azuis, lembro-me bem de ver o João «porteiro» pedir para trazer o dele para lavar em casa. Eles entravam no estádio José Alvalade muito antes do jogo por uma porta lateral – quem a controlava era o senhor Maia. Também vendiam «nógá» e amendoins em pacote. Eu ia para o «peão» do lado da Alameda das Linhas de Torres. Em 1972 deixavam entrar dois soldados com um bilhete. Eu tirava os galões e ficava soldado…

  4. “Para o comum dos leitores galões quer dizer café com leite em copo alto. A expressão galões de gasolina surge como uma dupla incongruência. Porque Ferreira Fernandes não se está a dirigir a americanos – que sabem. Porque, estando a dirigir-se a portugueses, deveria saber que eles não sabem.”

  5. Olha lá ó paranóico isto não pertence aqui. Vai colocar ao lado da parte em que dizes sobre a Balada do largo do Rato que o eléctrico nº 5 não existiu.

  6. oh pá! quem tira galões são os empregados de café, os soldados atiram balas e tu retiras o sono a qualquer mortal com essas punhetas literárias em verso rústico. não há agência de natação que rate menos de 5 amonas pela tua actividade poética, por mim ficavas no fundo da piscina até engolires a água toda.

  7. os gostos não se discutem – um simples não gosto pode ser tão expressivo como simplesmente não vir cá. mas deixares que uma gaja qualquer te chupe a pila e no fim, de saco do lixo enfiado na cabeça, dizer sempre que não gosta ao invés de procurares outra que te chupe e goste deve ser porque quem não gosta de ti és tu. está dito – serve para todos os que são tristes. :-)

  8. jcfrancisco,

    Fui montes de vezes para esse peão, que custava, então, onze escudos. Assisti lá a algumas cenas de murro, sobretudo nos jogos com o Benfica e o Belenenses, mas também, às vezes, com a Académica, com o pessoal da capa e batina.

    Branco,

    O 15 não fez “sempre” o percurso Algés-Praça da Figueira. Ainda não há muitos anos era Algés-Praça do Comércio. Antes, também fazia Dafundo ou Cruz Quebrada-Praça do Comércio, e, em dias de futebol no Jamor, Estádio-Praça do Comércio.

    Suponho que deve ser demasiado jovem para se lembrar desses tempos.

  9. Cuidado amigos – não façam confusão entre eléctricos e autocarros. O 5 era Benfica-Carmo (eléctrico). O 15 era Sete Rios- Cais Sodré (autocarro). Não misturem como fez um paranóico no outro post com o poema do Largo do Rato, OK?

  10. se o crato te ouve ainda aproveita a ideia para incluir as linhas de eléctrico no programa escolar à semelhança dos caminhos de ferro no tempo do botas. este galão das verrugas deveria ser classificado de interesse nacional.

  11. O 15 que eu frequentei não era Sete-Rios/Cais do Sodré mas Portas de Benfica/Cais do Sodré.
    Autocarro, sim.
    E não estou a confundir nada.

  12. Meu caro Tubarão eu não me dirigi a ti mas sim ao Branco e não te esqueças de que não foi sempre assim. Os carros das Portas de Benfica a Sete Rios eram maiores e os de Sete Rios Cais Sodré eram pequenos porque era dificil subir a dois (cruzar) a Rua de Campolide, ao tempo não havia outra. Conheço-te do blog da Teresa e gosto de te ler, OK?

  13. Eu reparei que não te dirigiste a mim, jcfrancisco, mas como fui utente do 15 ao longo de vários anos sei que a tua informação não está correcta. Essa dos carros maiores e mais pequenos não coincide com a minha perspectiva de quem apanhou dos grandes (2 pisos) e dos pequenos no mesmo local (Benfica à ida, Rua Artilharia Um à volta). De resto, ao longo de muito tempo só dos grandes desciam a rua de Campolide por causa do Liceu Maria Amália e nunca ouvi falar dessa questão de se cruzarem ou não (até porque a largura de grandes e pequenos era praticamente igual).
    E a carreira Sete Rios/Cais Sodré (se a memória não me falha) era complementar ao 15 e penso que era o 15 A.
    A minha intervenção não tem nada a ver com Brancos ou pretos, tem a ver com divergência relativamente à informação por ti prestada.

  14. Eh pá, este gajo vê tudo pelos olhos dos outros, já sabia cu tipo não enxergava nada, mas fogo, põe olhus emssima da tudo, pá, nem os plumões escapam, já me fizestes disparar o acordu urtugraficu, pá,olha lá meu granda bácuru, o jogo aqui é o do cassete e o das bolas, hein, meu safado, mas tu não acendes o que quer que çeja, pá, tu apagas é qualquer forno meu, e olha ca não ma rafiro ao forno de czer o pão do teu avõ torto pá, o penas, tas a ver, meu, ca conversa é essa de nunvens de papel pá, atão , meu se queres fazer um cuema tens de usar outras palavras pá, nunvens dimaginação, pá, qualquer coisa dchetrórdinario, pá, algo que acenda pá quem lé, a merda pá, queres armar-te em Camões e fazer um canto purnugraficu pá, mas não consegues, pá, precisavas dispriencia no ramo do mercado do apalpanço, pá, tas a ver, pra presseberes os tramites da paichão, meu, das curvas e do carassas, tas a ver,ó ZECA GALHÃO pá, tu pára de ires buscar palavras de conveniência, pá, atão tu falas em QUARTAS FEIRAS INTERNACIONAIS, ó pá, não mirrites pá, já tenho a parede da barraca gasta de tanto subir pla mesma pá, ó catanus, tu vais prá praia de serapilheira, pá? ou pões um fatu de banho do bilabongue pá, sim que quem usa hoover só veste bilabongue pá, e depois meu, o que é ISTO pá? «Saímos deste poema como do jogo – cansado» ó meu, atão tu sais cansado,calaro, calaro, com os cuzinhados da outra que te deixa ver o monte pelos olhos, deves ter uma barriga que te cansa logo que te queres por em assão, fogo, e ainda purssima fala de alterassões ao calendário, mas ca porra da puema, é este pá, isto é um cuema, pá, tinhas que mustrare as tuas merdas e dizeres as merdas que fazes, cum catano, não tenho vagare pra esta porra. Tas xumbado pá, sem épuca da recursso, fogo.

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