«O cavaleiro da Ilha do Corvo» de Joaquim Fernandes

O ponto de partida deste livro (editado pelo Círculo de Leitores) é o episódio do desaparecimento dos restos da estátua do cavaleiro da Ilha do Corvo que o rei D. Manuel I mandou arrumar nos roupeiros da sua antecâmara em Almeirim no ano de 1519. E uma pergunta do rei venturoso: «Que teria a sua minúscula ilha de especial para albergar tão misterioso aviso em forma de estátua equestre?»
Dois jovens investigadores (Michael, americano e Lúcia, portuguesa) lutam contra uma seita (Os Cristoforos) para descobrirem a verdade sobre o cavaleiro da Ilha do Corvo: «A História está traçada desde há muito. Os livros já escritos vão continuar a ser lei e assim deverá continuar.»
Há perseguições nas estradas de Sintra, agressões a um cientista belga, mortes misteriosas de pessoas que tentaram ajudar os dois jovens investigadores, o suicídio de um responsável da Torre do Tombo no Padrão dos Descobrimentos e tudo isto acontece para que nada mude: «Impedir que os «povos sem Cristo» tomassem na História o lugar de pioneiros na descoberta do Novo Mundo. Preservar a todo o custo a imagem de Cristóvão Colombo como primeiro descobridor da América. Defender a ideia da primazia absoluta das viagens marítimas portuguesas no Atlântico. Uma das pistas mais curiosas é a descoberta de moedas cartaginesas na Ilha do Corvo no século XVIII. Como a data das moedas é entre 330 e 320 anos antes de Cristo, o mesmo é dizer século IV antes da era cristã, é mais um argumento a favor da ideia de que as ilhas portuguesas do Oceano Atlântico não foram descobertas pelos Portugueses mas apenas redescobertas.

(lido aos microfones da RDP Antena Um Açores em 18-7-2008 às 12 horas tempo de Lisboa)

3 thoughts on “”

  1. O tema é deveras interessante, sem dúvida, mas a qualidade dessa pequena amostra, com mistérios da Ilha do Corvo, Dons Manuéis e assassinatos em Belém com a Torre do Tombo à mistura, é de terceira divisão distrital. No mínimo. Nada ousada – sem tomates, como diria o malcriado do Valupi. Imagino a quantidade de bocejos que teria causado aos radio-ouvintes dos Açores, sinal de que vão pôr isso em filme.

    A falsificação da História dos últimos cem anos, ou até dos últimos dez, é muito mais fácil de se provar, tem muito mais a ver com os preços dos produtos nas lojas e supermercados onde te avias, e, no entanto, como muitos de nós estamos fartos de saber, nunca prende as atenções dos negociantes de livros por atacado e à escala internacional, a menos que se trate de mais baralhação e falsificação.

    O que me faria feliz era ver viajantes como tu, interesssados em passos históricos mais antigos, em princípio receptivos a conspirações da cristandade para esconder a verdade dos descobrimentos, quebrarem de vez em quando a rotina de tempo encoberto para fazerem algumas contas de cabeça. Procurando solucionar problemas como este, por exemplo: como é que se explica que os judeus que em templos bíblicos eram em número suficiente para fazerem frente militarmente ao Império Romano não passam hoje duns meros três milhões, e nós, portugueses, descendentes de pastorinhos de cajado dispersos na Lusilândia desse tempo, somos cinco ou seis vez mais do que eles?

    Não percas tempo a ires à Torre do Tombo para responderes a essa questão. Alinda-a à tua maneira quando for caso da tua próxima intervenção radiofónica. Olha, diz aos senhores que encontraste isso num livro muito antigo escrito por Vasco da Gama, megociante de escravos nas horas vagas.

  2. Pois o tema é esse que é descrito e até posso concordar que possui um “fundo” de interesse e ousadia. Mas depois perde-se em assassinatos e emboscadas ridiculas, de um grupo de que não se chega a saber o que é, de onde emerge, que raizes possui… que defende uma coisa tão ridicula como a ideia de que “Cristóvão Colombo foi quem descobriu a América, os outros não”.Como se isso nos interessasse para alguma coisa.
    Hoje a questão já não é questão. Achamento, descoberta…pois, olhem o meu ar de preocupado!!!
    E ainda o facto de o livro ser/estar “terrivelmente mal escrito”.
    Todo o livro é uma tremenda piroseira.
    Entre um bom autor e um autor “armado aos cágados” a diferença existe e dá-se por ela.
    Um livro que podia ser qualquer coisa, mas que se fica pelo nada absoluto.

  3. Não vou ler isto. Mas o cavaleiro fenício se calhar mostrava coisas que dessem para perceber melhor os olmecas do lado de lá. Fiquei a coçar a cabeça a olhar para aquelas cabeçorras,

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