Segunda canção para Maria José

Quinta das Conchas, lugar
Onde a tarde se desenha
Por entre a água a cantar
E um perfume de lenha
Entre a relva dos caminhos
Na sombra do arvoredo
Dou passos tão sozinhos
O meu dia é um enredo
De memórias e imagens
Testemunhos, despedidas
O teu rosto nas paisagens
Desafia as nossas vidas
De quem procura tua voz
Entre a água e esta lenha
Há som de moinhos e mós
Na tua pronúncia serrenha
Quinta das Conchas, Lilases
O parque onde tu não vais
Há um grupo de rapazes
Joga até já não poder mais
Caminho que tu não cruzas
Mas às vezes em ansiedade
Olho as saias e as blusas
E não descubro a verdade
A verdade é que não eras
Tu a mulher neste passeio
É mais uma das quimeras
Do meu tempo de receio
Receio que nunca venhas
Quinta das Conchas, lugar
Onde em tempo as azenhas
Faziam a farinha a cantar
Quinta das Conchas, Lilases
Onde o vento transfigura
Tristezas feitas tenazes
Num ribeiro de ternura
Quinta das Conchas, lugar
Ali a saudade é um posto
Onde o sol vem desenhar
Os limites do teu rosto

José do Carmo Francisco

2 thoughts on “Segunda canção para Maria José”

  1. Meu Caro JCF
    Mal empregado que a gente se vá deliciando por ali abaixo com o ritmo, e apanhe de repente com um verso manco. Só isso de menos bom; o resto, uma delícia.

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