Balada do ciganito dos CDs

Foge mãe, leva os CDs
Chegou o carro patrulha
Eu vi mas tu não os vês
São dois e vai haver bulha
Ao guarda chamo «cabrão»
Fixo as mãos na garganta
No meio desta emoção
A minha lágrima canta
Faço ameaças de morte
Ao que chega primeiro
Com um pouco de sorte
Apanho um juiz porreiro
«Resistência e coacção»
Diz este código penal
Mas na minha educação
Não existe bem nem mal
Foge mãe, leva os CDs
Com quinze anos de idade
No sistema português
Não há responsabilidade
Meus pais são vendedores
Na cidade em todo o lado
Todos os nossos valores
Cabem num plastificado
Onde notas com gordura
Se perfilam em parada
Quando vamos à procura
A nota está encontrada
Onde tudo o que não seja
Notas de um certo valor
Vale mais que uma Igreja
E muito mais que o amor
Fechou o «quarto juízo»
Hoje não vou ser julgado
Afinal do que eu preciso
É andar por todo o lado
Vender os CDs piratas
E ser só aquilo que sou
Sou menor, vejam as datas
O estado a que isto chegou

José do Carmo Francisco

2 thoughts on “Balada do ciganito dos CDs”

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