20 thoughts on “Re-Dixit”

  1. Uma coisa é fazer-nos surpreender, outra, bem diferente, é levantar a cara por detrás do biombo e chapar-nos um manguito. Uma primeira vez até pode ter graça. Depois, parece brincadeira de criança. De qualquer modo, há sempre alguém que gosta de regressar à primeira infância. Ou segunda. Em psicologia chamam-lhe da “fase anal” e «fase genital». “Alguém” que esteja por perto é só buraco para meter o dedo (ou a língua, ou a pilinha). Re-Dixit: Eu e o Buraco.

  2. Olha, Sinhã, sei muito bem que estou em crise de identidade permanente, o que me leva a perguntar, em cada manhã, como serei ao fim do dia. Se lá chegar. Isso não me aflige, antes pelo contrário, porque me sinto sempre novo e sempre o mesmo. Até quando me apercebo de que uma ruga madrugadora escava o canto do olho ou me penso alquebrado e feio. Breve sentimento de imortalidade.

  3. olha, mário, não podias ter-me respondido melhor: adorei.:-)

    (e o teu coração – pequena morte; pequena vida; pequena morte; pequena vida – bate assim?) :-)

  4. Exactamente, Sinhã, e por isso recuso a sabedoria de um Buda sentado, meditabundo, parado, como Budadasa Biku, que põe as coisas da vida(???) desta forma: «Estais preparados para morrer, antes de morrer?». Eu não quero estar! Vida e morte são as duas faces da mesmissima moeda que somos cada um de nós. Mas o Buda não aceita esta realidade. De facto, ele pensa que somos essencialmente «espírito», não passando o corpo de uma casca descartável, como se a vida de uma rosa perfumada fosse ilusão, nada mais. Estaríamos, aqui e agora, à espera de deixar a “miserável casca”, que só atrapalha… É tão louco aceitar como realidade esse bater do coração da vida altermnado com a morte, que se optou pela alienação budista e outras alienaçãos. É loucura, eu sei, porque não entendemos nada. Mas quem não se deixa inebriar pelo perfume da vida?!

  5. Certo, Sinhã, mas como trampolim para o voo do espírito, no infinito, e não como sua própria essência. E a “loucura” está nesta consideração, em que as particulas se organizam para gerar o meu espírito. E o teu. No fim de tudo, vemos o espírito esfuma-se com o corpo e nós impotentes para lhes prolongar a vida. O nosso sonho milenar é que o ser, assim gerado, não acabe. Mas como? Vai-se, fatalmente, a rosa e o seu perfume. Diz-me que descobriste que não é assim. Mas sem contar as histórias de almas penadas ou de reencarnações, que fui ouvindo desde menino. Devemos conformar-nos, como faz Saramago («Acaba-se a vida, acaba-se a escrita») ou sonhar, despreocupadamente, construindo um dia após o outro, seduzidos pelo horizonte cada vez mais distante, num Universo que nos dá vertigens?

  6. a minha cadursa anda de quatro e está coberta de pêlo: e eu não. não consegue, agilmente, pegar num lápis e escrever – mas, apenas, porque o corpo que tem não a serve assim.

    (e eu, ai quem me dera poder lamber-me quando estou com o sangue e não precisar de usar fio dental para ter um hálito fresco!)

    conclusão: as partes, do todo, serão sempre partes e os sonos, as mortes pequeninas, um dia serão grandes. e é só. :-)

  7. Entendi tanto do que me acabaste de dizer, como da última comunicação de Cavaco ao País. Deixa pra lá. Até concordo com o que poderás, justamente, estar a pensar: com conversas destas não vamos a lado nenhum.
    Mas a gente entretem-se.

  8. Agora entendi-te perfeitamente! Disseste o máximo. E sabes como começa a escalada? Sentir um coração a bater juntinho ao nosso, olhar nos olhos o nosso amor, sentir a sua presença, sempre, quer esteja colado ao peito ou distante no tempo e no lugar. E como, entretanto, o egoismo deixou de fazer sentido, desejar que todos sejam felizes como nós somos. E, assim, a felicidade possivel já a vamos tendo. A impossivel fica por conta do sonho de quem não tem nem uma nem outra…

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