Todos os artigos de Valupi

Dominguice

Fernanda Câncio fez dois artigos a malhar nas inteligências artificiais: Grok, ou a burrice mentirosa da inteligência artificial + Última hora: Maria João Avillez é de esquerda. Em bom rigor, os seus exemplos vêm de uma única IA, o Grok, e este numa qualquer versão que a jornalista calhou usar (provavelmente, a 3). As suas denúncias são válidas, óbvio, porque as IA de LLM, como o ChatGPT e quejandos, desde o início que foram apanhadas a lançar bacoradas alucinantes. O enfoque principal dos textos remete para as consequências do uso acrítico destas potentíssimas máquinas de simulação da inteligência — e da alma (ahahahahah) — humana. Certo. Só que… Só que há um outro lado nestas mesmas IA que alucinam (mas cada vez menos) que é revolucionariamente democrático. Com um pouco de aprendizagem, elas servem-nos conhecimentos que antes teriam de ser pagos a especialistas ou, no que é ainda mais crucial, que não saberíamos sequer onde procurar. Sendo que as IA deste género, para o paleio, são apenas uma pequeníssima fatia das tipologias variadas de IA já desenvolvidas, mais as que inevitavelmente irão aparecer.

Há nisto uma verdadeira transição de fase cujas consequências, sejam elas quais forem, serão inevitavelmente benéficas para a humanidade. Algo equivalente a se ter ao dispor a inesgotável e limpa energia de fusão nuclear.

Ronaldo sacrifica-se pela Selecção

Ontem foi uma noite feliz para a claque portuguesa que odeia o Ronaldo. Eles não admitem que o odeiam, obviamente, apenas dizem que está a mais na Selecção. Por isso, quando a Selecção ganha com Ronaldo a marcar ou a dar a marcar, calam-se. Mas ontem houve festa nesta gente. Porque a Selecção perdeu (talvez) também porque Ronaldo não marcou nem deu a marcar e, principalmente, porque quis ser expulso.

Nunca saberemos a razão que o levou a querer ser expulso, e o mais certo é ele também a ignorar, mas não pode haver dúvida alguma sobre a procura desse desfecho. Nas imagens vê-se que o nosso herói aplica um magnifico golpe de cotovelo, em rotação, sobre os costados de um irlandês. De fazer inveja a lutadores profissionais de Muay Thai. Ora, se tal se tivesse passado numa jogatana na Cabana do Pescador, na Caparica, poderíamos inferir que apenas estava em causa o zeloso cumprimento das regras do futebol de praia. Num campo de futebol cercado de câmaras, com a braçadeira de capitão no braço, mais um vídeo-árbitro de olhos abertos, qualquer outra intencionalidade que não a expulsão é inverosímil.

Agora, Ronaldo está mergulhado na vergonha de se ter comportado como um desmiolado. Logo ele, tão ajuizado desde cachopo. E vai continuar a sofrer quando a Selecção golear a Arménia neste domingo sem as suas chuteiras em campo. A claque que o odeia vai festejar a dobrar. Sem suspeitar que esse esfuziante desforço foi uma oferta do jogador que mais amou o futebol na história do pontapé na bola. Ama-o tanto que, apesar de ter uma fortuna acima dos mil milhões de euros, paletes de troféus e recordes, e 40 anos nos ossos, consegue provar que pode ser tão genuinamente irresponsável como um cepo a jogar nas distritais.

20 anos de pardieiro

O Aspirina B fez 20 anos no passado dia 5 (embora a 4 de Novembro de 2005 já existisse). Ao se aproximar a data, e já há um par de anos ou mais, fui acarinhando a ideia de propor à equipa restante fechar a loja nessa ocasião, tão-somente por ser um número redondo. A iminência desse desfecho acompanha o blogue desde os seus seis meses de idade, quando se deu a grande debandada de quase todos os fundadores e demais convidados, nos idos de Março de 2006. Por carolice de dois ou três escribas, manteve-se nos meses seguintes a produção diária dos disparates que a casa serve, a que se seguiram outros ciclos de interesse na equipa e nos leitores, chegando agora às duas décadas.

2005 é aquele ano entalado entre o nascimento do Facebook e do Twitter. Que o mesmo é dizer, os blogues estavam em processo fulminante de obsolescência quando este pardieiro foi criado. Por razões circunstanciais, a blogosfera política conheceu o seu último fôlego na campanha eleitoral para as legislativas de 2011, por então se prestar a ser uma plataforma programática informal para diversas figuras à direita que se ofereciam para as oportunidades de remuneração e currículo a caminho. De lá para cá, o conceito de blogosfera política deixou de ter uso, tendo-se deslocado os picanços e tribalismos para o Twitter. O próprio Twitter, finalmente, viria a perder o nome, e a sua cultura de ágora, com a chegada de Trump e da extrema-direita transnacional. Manter um blogue com vocação política, actualmente, não é muito diferente de ir para a auto-estrada tentar vender jornais regionais em papel a quem passa.

Donde, e posto que tudo tem de ter um fim, este 5 de Novembro parecia-me giro para a despedida. Mas depois pensei melhor e percebi quão estúpida era essa ideia. É que isso implicaria deixar de receber os milhares e milhares de euros que entram semanalmente nos cofres do Aspirina B em envelopes castanhos (ainda os mesmos que sobraram do Freeport) enviados do Rato. É dinheiro da corrupção, sim, claro, mas não tem cheiro, como diria um romano. E se eles continuam a pagar é porque a lavagem cerebral que daqui se difunde continua a chegar a milhões de vítimas incautas.

Portanto, e por tanto, decreto que este blogue passa a ter como missão chegar aos 200 anos. Sei que é ambicioso, mas não impossível. Assim não faltem os envelopes castanhos.

Revolution through evolution

Walking may be the brain’s best defense against Alzheimer’s
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Scientists discover the nutrient that supercharges cellular energy
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Maxing Out Your Fiber Intake Can Have Broad Health Benefits
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Weightlifting Beats Running for Blood Sugar Control, Researchers Find
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Coaches Can Boost Athletes’ Mental Toughness with This Leadership Style
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Self-Affirmations Can Boost Well-Being, Study Finds
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Older Adults Share More Political Misinformation. Here’s Why
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Dominguice

Amadeu Guerra teve um lapso freudiano e inventou um ex-primeiro-ministro chamado “António Sócrates“. Este é o mesmo senhor que concedeu “dar oportunidade ao eng. Sócrates de provar a sua inocência”. São 70 anos a virar frangos, devemos ser compreensivos e caridosos. Por exemplo, se pelo Natal vier o tal presente do arquivamento da averiguação preventiva a Montenegro, como deixou anteontem prometido em subtexto, isso só confirmará o acerto da sua escolha para o cargo pelo mesmo Montenegro, Marcelo a concordar. Sucesso absoluto.

Aguardo com ansiedade a ocasião em que irá tecer considerandos sobre um tal juiz na berlinda que identificará como “Ivo Sócrates”. O Amadeu, é certinho, não deixará escapar a oportunidade para comunicar à população como o seu caso era muitíssimo mais suspeito do que o de Montenegro, precisamente por causa de um Audi TT, por um lado, e à conta do nome do juiz, pelo outro.

Manobras de guerra

Outubro de 2011. Maioria de direita, Governo de direita, Presidente da República de direita. Abre-se uma investigação às parcerias público-privadas das rodovias estabelecidas nos Governos socialistas anteriores. Abre-se e não se volta a fechar. 14 anos depois, tudo espiolhado e devassado, renderam-se à evidência de não haver sequer suspeita de corrupção. Mas continuam a tentar encontrar uma forma de entalar aqueles que conseguiram arrastar para a coisa. Por isso, não a fecham. E, enquanto não a fecham, como se viu com Ivo Rosa, podem fazer o que lhes der na gana. Inclusive manter a lâmina pronta a cair sobre o pescoço dos arguidos, entretanto alguns já acusados. Com absoluta impunidade.

Por que razão se falou ontem da Operação Influencer, e justamente, mas ninguém mexe uma palha a protestar contra mais esta aberração do Ministério Público? Porque o alvo principal é Paulo Campos. Que o mesmo é dizer, esta é mais uma frente da batalha onde a Operação Marquês é o cenário principal das operações.

Simetrias

A fúria com que se diaboliza Sócrates na indústria da calúnia, violentando o Estado de direito e a básica decência humanista, é simétrica da cobardia sobre as golpadas do cavaquismo e suas consequências em milhares de milhões de euros para os cofres do Estado.

Um regime e uma comunidade agarrados a um bode expiatório para não terem de se confrontar com a sua pútrida cumplicidade, política e moral, em crimes homéricos.

Uma ideia para o PCP

Não foi a primeira vez que Ventura agitou a bandeira de Salazar, já o faz há anos, mas só agora houve reacção dos jornalistas e comentaristas. A expressão “três Salazares” presta-se à opinião vácua e displicente, pelo que houve barulho. Já quando Ventura, num comício na Praça do Município em 2020, acusou Paulo Pedroso de ser “pedófilo” e ameaçou que haveria perseguição policial aos apoiantes do 25 de Abril caso chegasse ao poder, ninguém tugiu nem mugiu.

Apelar ao regresso do salazarismo, mesmo que tão-só para efeitos retóricos ao gosto da chungaria analfabruta, é anunciar que se está ao lado dos criminosos, dos que prendiam por motivos políticos, e por motivos políticos torturavam e assassinavam. Promover Salazar como protector da “ordem” equivale a querer de volta os tribunais plenários e a Justiça transformada em fachada da PIDE. Ter vontade de associar o seu nome a um dos piores períodos da História de Portugal implica que se está pronto para repetir a violência que marcou esses tempos.

Se o PCP não estivesse tão ocupado com a defesa da “operação especial” que está a livrar a Ucrânia de nazis e agentes da NATO, poderia ter pensado num golpe de judo para aproveitar a miséria moral do Ventura: convidava-o para ir ao Museu do Aljube, podendo levar quem quisesse consigo, entradas e almoço oferecidos pelos comunistas.

Revolution through evolution

This easy daily habit cuts heart risk by two thirds
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Online brain training reverses 10 years of aging in memory and learning
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Scientists discover a surprising way to quiet the anxious mind
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Scientists just shattered a major exercise myth
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Bananas could be ruining your smoothie’s health benefits
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AI restores James Webb telescope’s crystal-clear vision
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Earth’s “boring billion” set the stage for complex life

Dominguice

No Princípio da Incerteza de 19 de Outubro (19 de Outubro!) não houve nenhuma referência a Ivo Rosa, mas tiveram tempo, e vontade, para discutirem a burca. No Princípio da Incerteza de 26 de Outubro (26 de Outubro!!) não houve nenhuma referência a Ivo Rosa, mas tiveram tempo, e vontade, para discutirem a mudança da hora. Neste programa participam Pacheco Pereira, senador da República, Pedro Duarte, actual presidente da câmara do Porto, Alexandra Leitão, ex-candidata a presidente da câmara de Lisboa, e um jornalista veterano. Se calhar, não é do seu conhecimento o que tem sido feito a esse juiz. É uma hipótese plausível se atendermos ao esforço que terão despendido para investigar a fundo as magnas questões da burca e da mudança da hora. É que não se pode ir a todas, e seria estranho estarem a dar importância ao atentado ao Estado de direito feito pela hierarquia do Ministério Público em conluio com juízes quando o povo está angustiado por causa da burca e da mudança da hora.

Talvez falem do homem no programa de hoje — se restar algum tempinho, depois de terem analisado com detalhe onde comprar as melhores castanhas assadas em Lisboa.

Ventura explicado às crianças

Almas que usam o seu poder na política e na comunicação social, há décadas, para fazerem assassinatos de carácter, linchamentos e golpadas, que cagam d’alto no Estado de direito democrático e na Constituição, têm autoridade para falar de Ventura? Não, claro que não, caralho. Por isso muitas delas nada dizem, e as que dizem nada valem.

Ventura é um fenómeno colectivo, apenas o sintoma mais chunga e desumano da nossa doença comunitária.

Nas muralhas da cidade

De joelhos perante o todo-poderoso
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NOTA

Sou fã entusiástico do Pedro Marques Lopes. Por isso, quase que me comovo com o malabarismo que tem andado a fazer para não se referir ao Ricardo Costa. Dito isto, quem sabe se o mano Costa vai nesta sexta-feira, e finalmente, reconhecer que existe um atentado contra o Estado de direito em curso.

Já na parte em que não relaciona a perseguição e devassa a Ivo Rosa com a origem e o pretendido desfecho do julgamento de Sócrates, deixa-me quase desiludido. Quase, pois só se desilude quem se ilude, e não me iludo sobre a condição humana. Não há seres perfeitos, se exceptuarmos os que habitam no reino das matemáticas.

Ventura é cá dos nossos

«Carlos Moedas recusa demitir-se e acusa o PS de ter usado "sicários" para fazer aproveitamento político»

Fonte

«O ministro da Presidência acusou esta sexta-feira o PS de "querer repetir o erro feito na política da imigração" no passado e, com as objeções à lei da nacionalidade, querer "acabar o trabalho de reengenharia demográfica e política" do país.»

Fonte

«Racista e xenófobo? “Chega é imberbe e imaturo”, responde vice do PSD»

Fonte_2023

Ventura é uma criação do PSD, pela mão de Passos Coelho. Foi criado para ser aquilo que é, aquilo em que se tornou. Quem conhece a sua história, e o conhece nos bastidores, sabe que não passa de um reles pantomineiro, capaz de dizer tudo e o seu contrário assim veja vantagem nisso. Quando o lançaram, em 2017, havia um racional estratégico para tal sustentado em décadas de alterações ideológicas nas democracias europeias e norte-americana. O teste em Loures de ver um partido fundador do regime democrático em Portugal a agitar bandeiras racistas e xenófobas, porém, careceu da circunstância sine qua non desse partido estar com um presidente tortuosamente humilhado por ter perdido o poder através do Parlamento e, em simultâneo, ser o maior mentiroso alguma vez registado na história das campanhas eleitorais nesta terrinha. Que o mesmo é dizer, Passos foi buscar Ventura porque para ele vale tudo, inclusive usar o ódio e a violência como instrumentos eleitorais (pelo menos…).

Os anos passaram e a ligação entre Ventura e Passos é agora algo consolidado como uma aliança ostensiva. Excentricidade? Não, pá, exibição de uma natureza. Cavaco, Ferreira Leite e Rui Rio, cada um à sua maneira, igualmente validaram o achado do Pedro. Porque, lá está, para dar cabo dos socialistas valia tudo. Para este tipo de políticos, onde só conta o poder pelo poder, vale tudo. Daí o que temos na comunicação social desde 2004, daí o que se vê na Justiça desde 2009.

Não há nada de original em Ventura para além de aceitar ser um pulha antipatriótico. Os seus colegas de pulhice no PSD não teriam estômago para tanto, estão-lhe profundamente agradecidos.