Uma nódoa de vinho tinto à vista de toda a gente

Ao considerar que averbou uma vitória este governante de baixo calibre demonstra claramente que ainda não percebeu o que é que pôs em causa com as suas atitudes prepotentes e chantagistas e com as suas ligações ao submundo malcheiroso da promiscuidade entre os serviços de informação, o governo e o mundo empresarial. O fulano ainda não percebeu que pôs em causa a credibilidade do governo pelo qual dá (ou costumava dar) a cara diariamente. Nem ele nem o personagem cinzento, esquivo e relapso que dirige o governo querem perceber isso. O tempo se encarregará de lhes mostrar que não podem assobiar para o lado. Qualquer governo PERDE por ter alguém tipo Relvas a dar a cara por ele. Será assim tão difícil de entender?

De que vitória se gaba o abstruso governante? Vitória sobre Maria José Oliveira, que investigou as suas mentiras e a quem a insolidária directora do Publico criou uma situação tal que a jornalista, enojada, se sentiu obrigada a demitir-se? Isto é uma vitória para o fulano? Uma vitória para ele é quando uma jornalista que lhe é desagradável é safada do mapa?

Por maioria de um voto alaranjado, a ERC aprovou, ao fim de um mês a arrastar os pés, obviamente para deixar esfriar o caso, uma declaração tipo Pilatos, em que, fingindo-se tribunal, dava como não provado algo que só poderia ser provado (em tribunal) se houvesse uma gravação (ilegal) do telefonema, ou se este tivesse sido ouvido em alta-voz na sala da redacção pelos restantes jornalistas. Assim, é a palavra dele contra a da editora política do Público. Mas qual é o português, da extrema direita à extrema esquerda, que neste caso acredita na palavra dele? Grande vitória!

Atenção: a editora política do Publico, que testemunhou sobre o teor e o tom dos telefonemas, ainda não se demitiu. É uma meia vitória, quando muito, não?

A pergunta que a jornalista Maria José Oliveira pôs ao foleiro governante ainda não foi por ele respondida até hoje. Disse que 32 minutos era apertado para responder. De quantos meses precisará? Repita-se aqui a pergunta: se Relvas só conheceu Silva Carvalho em 2010, como afirmou no parlamento, como é que em 2007 já recebia recortes de imprensa do fulano, que na altura era director da secreta? O governante aldrabão parece que acha que tem todo o direito de não responder e de continuar a ser o número dois do governo e a fazer declarações diárias em que apela à boa fé dos portugueses, esperando que acreditem nele.

Há muitas mais perguntas a fazer a este indivíduo tanto sobre a cronologia como sobre os meandros do seu envolvimento com Silva Carvalho. Quem as faz? Há aí algum jornalista vivo?

Não me preocupa a credibilidade deste governante. Para a oposição até é preferível que o Coelho mantenha o descredibilizado Relvas. É como se o governo usasse todos os dias uma camisa com uma nódoa de vinho tinto à vista de toda a gente.

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Oferta do nosso amigo Júlio

9 thoughts on “Uma nódoa de vinho tinto à vista de toda a gente”

  1. este governo é um embuste colossal, formado por incompetentes e aldrabões com o patrocínio do velhaco-mor, que se acobardou com os rastas da antónio arroio e agora enfrenta multidões espontâneas coordenadas pelo pc. enquanto houver cavaco teremos governos a condizer.

  2. O Relvas leu hoje ao pequeno almoço no Publico o dossier de duas páginas com o historial do processo das secretas, da autoria da jornalista Maria Lopes. O dossier não tem grandes novidades, mas é completo, esclarecedor e farfalhudo. A digestão da alegada vitória de Relvas no processo da ERC ainda lhe vai provocar muita azia.

    A jornalista refere as incongruências apontadas pela ex-colega Maria José Oliveira, sobre as quais o Relvas até hoje não deu qualquer explicação. Brinca, brinca, Maria Lopes, que não tarda nada tens a vida pessoal exposta na internet…

    O patego do Silva Carvalho tinha uma conta gmail em nome de David M Cornwell, verdadeiro nome do espião e escritor John Le Carré. Ganda bimbo!

    Pelo sim pelo não, para transferir informações, Silva Carvalho usava a conta email de um subordinado, da qual teria a password “sem que o agente soubesse”. Pois, se ele agora dissesse que sabia, era despedido.

  3. Continuaram hoje as notícias das “vitórias” do ministro que ameaça jornalistas com a exposição pública da sua vida pessoal e até consegue que elas se demitam.

    A pérola de hoje:

    Relvas tirou o curso de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Lusófona no espaço de um ano (!!!), entre 2006 e 2007.

    Um curso num ano! Isto não é Bolonha, é Fogueteiro…!

    Foi o jornal Crime que levantou a lebre e os outros começaram a investigar.

    Interrogado pelo pasquim i sobre este prodígio académico (conseguido por um visível grunho), Relvas respondeu:

    “Tirei o curso de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa, depois de ter frequentado, na década de 80, os cursos de Direito e História”.

    Ah, bom, deram-lhe equivalências, não foi?

    A conclusão do curso na Lusófona – declarou o gajo ao pasquim i – “foi encurtada por equivalências reconhecidas e homologadas pelo Conselho Científico da referida universidade, em virtude da análise curricular a que precedeu previamente”.

    O Publico, que se quer redimir da merda que fez recentemente, revelou entretanto que, apesar de Relvas ter anteriormente frequentado os referidos cursos de Direito e História, apenas tinha concluído uma única cadeira, com a classificação de 10 valores.

    Uma cadeirita tirada noutro curso, há vinte anos, com 10 valores, valeu a equivalência de uma ou duas dúzias de cadeiras da Lusófona em 2007!

    Porra, aquilo não era uma cadeira, era uma plateia inteira do Coliseu!

    Mas o gajo não é ingrato: Felciano Barreiras Duarte, actual secretário de Estado do Relvas, era professor do curso de Relvas na Lusófona…

  4. como pode ser ingrato, nesta teia de mafiosos? se não pagas os favores, you’re dead…
    mas essa revelação do Feliciano é interessante, sim senhor —destaque aqui, faxavor.

    realmente já tinha estranhado a quantidade de psds e cds que leccionam na faculdade- vejo-os entrar de motorista, estou aqui mesmo ao lado. Aliás, metade dos edifícios do Campo Grande Norte já são da Lusófona. Esta não precisa de mandar os alunos endividrem-se especificamente na CGD.

  5. O curso de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Lusófona, de 6 semestres, tem 36 disciplinas, correspondentes a 180 créditos. Admitindo boamente (não estou a dizer que acredito) que o Relvas passou em 12 exames em 2006-2007, restavam 24 cadeiras, correspondendo mais ou menos a 120 créditos.

    O Público analisou os regulamentos para reconhecimento de competências de outras instituições de ensino, como a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a Universidade do Algarve e a Universidade Autónoma e verificou que, nestas instituições, a creditação de competências originárias da “experiência profissional” não podem ultrapassar os 30 créditos, no caso da primeira, e de 60 créditos, no caso das restantes.

    Como é que foram atribuídos os tais 120 créditos (se não foram mais) a Relvas?

    A Lusófona não quer explicar, por isso vou imaginar:

    30 créditos – valiosa “experiência profissional” adquirida como secretário de Estado no governo de Barroso.

    30 créditos – simpatias maçónicas da Lusófona.

    10 créditos – bónus de manteigueiro.

    10 créditos – prémio de chico-esperto.

    10 créditos – cartão do partido laranja.

    10 créditos – cunha de Silva Carvalho.

    10 créditos – comprados na candonga.

    10 créditos – surripiados num cacifo da Lusófona.

    Cenas dos próximos capítulos: a licenciatura de Passos Coelho em Economia na Universidade Lusíada (2001).

  6. agora percebo melhor a satisfação do Relvas por “exportarmos tanta massa cinzenta” qualificada e tal e coiso: é que assim fica menos por onde comparar.

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