Um inesperado poema de Óscar Lopes

Em 1984, a Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto editou o livro A Ilha dos Amores. Foi aí que descobri o único poema que conheço de Óscar Lopes. Chama-se «Segunda pessoa» e aqui fica para os leitores do Aspirina.

Alguém diz tu. Alguém sem nome.
É a terra e o corpo e é o rasto de um sentido.
Alguém diz tu à imagem que se esgarça
à certeza de uma longínqua razão.
Longe. O passado. Nomes, errados nomes de desejo.
Cego de insónia, nem lembrar te posso.
Nem mesmo em sonho saberia ver-te.
És só o pronome, tu, a ondular-te na boca.
norte magnético num desespero em surdina.

És a sílaba que dói a dor solar de um sentido.
A história avança na cabra-cega sem rostos
e eu vivo em ti o tu mais só da minha vida.

Óscar Lopes
(recolhido por José do Carmo Francisco)

11 thoughts on “Um inesperado poema de Óscar Lopes”

  1. Não tiveste nada da tua autoria para meter e penduraste este aqui mesmo à entrada para agradares ao teu anfitrião. Mas, sinceramente, diz-me lá que culpa é que nós temos dos sofrimentos de alma do Óscar Lopes. A beleza que isto tem só é apreciada em toda a sua amplitude lacrimial pelo autor. Por favor, Zé, poupa-nos que já basta aquilo que comemos da nossa horta.

  2. Há gente mesmo masoquista. Pessoas que estão sempre a resmungar contra o Aspirina, que não encontram um pingo de graça ou de interesse no que aqui se escreve, ou fingem não encontrar, mas não largam a porta.
    Bem hajam por tanta paciência.

  3. Daniel,

    Quando tiveres só isso para nos contar, nem merece a pena deslocares-te aqui à caixa para comprar uma rifa. Deves, melhor que ninguém, lembrar-te de quem, entre o monte de candidatos à mão nesta tertúlia, mais se esgatanhou recentemente para merecer o epiteto de “masoquista” . A menos que estivesses a pensar em Sade quando começaste o postal. Ora vamos lá perder esse o hábito de comer queijinho a todas as refeições, meu velhote. Tá bem?

    E sabes por que é que a malta não larga esta porta? É porque há aqui muita gaja boa, silly.

  4. Não largam a porta, como você não largou, ó Daniel! Com a diferença de que aqueles que diz não a largarem não levaram o enxovalho que você levou. Tá a perceber? Por isso, estão mais à-vontade. Já noutro comentário que lhe enderecei hoje lhe disse para ser mais discreto e meter menos o bico nos comentários do Aspirina. Só lhe ficava bem. Mas você teima em ser chato e agradar e brilhar à viva força. Não acha demais ,ó amigo?
    Paciência temos nós para o aturar!

  5. Esta “anonimosidade” é chata mas tem de se aturar. Paciência.
    Ó Gil, então o problema é esse? Os meus comentários? Pode dizer-me qual é o limite razoável para não parecer que estamos a exibir-nos? Ou o Gil também vem com essa conversa de que quem aqui escreve o faz por exibição? Foi esse o seu caso, amigo? Se foi, não julgue os outros por si, está bem?
    Eu pensava que a caixa de comentários era uma maneira de amigos (ou inimigos, o que até é salutar) dialogarem. Se não é, estou enganado e aparecerei o menos possível. Mas tenho um defeito: prefiro sempre acreditar no lado bom das coisas e das pessoas. Por isso estou a conversar consigo.

  6. E eu a conversar consigo. Assim, já está melhor, Daniel. Apareça, então, quando entender. Também sou boa pessoa, sabe? Agora essa de acreditar no lado bom das pessoas, ando bastante desiludido, acredite, e sinto pena.

    Aceite lá um abraço do Gil, que não usa
    pseudónimo!

  7. Obrigado, Gil. Se calhar então fui eu desta vez que não percebi que havia ironia nas suas palavras. Acontece.
    Aceito o abraço. E não o devolvo porque quero ficar com ele. Mas retribuo.
    Daniel

  8. Basta de confusões parvas. Depois de ter sido colocado um texto sobre Óscar Lopes eu escrevi que ia procurar um dos seus raros poemas. Não está em causa a importância relativa do poema mas a sua raridade. Apenas e só. Tive o privilégio de ter trabalhado com Óscar Lopes na Associação Portuguesa de Escritores. Apenas e só. Enviei o poema para que mais pessoas pudessem partilhar esta curiosidade. Parvoíces é que não. Não vale a pena nesta altura do campeonato. Não há pachorra.

  9. Zé,

    Não sei – francamente não sei – que ganhe um poema com a sua «raridade» na obra de alguém. Se Cavaco tiver dois poemas, vai-se-lhes dar divulgação?

    Este, de Óscar Lopes, é um poema fracote (e estou a ser simpático), que nem tu te lembrarias de lembrar aqui, não fosse autor dele… o Óscar Lopes.

    Ora eu prefiro pensar no outro Óscar Lopes. Não naquele que deu um subproduto a uma colectânea.

    E a que propósito vem a tua biografia («Tive o privilégio», etc.)? Isso tornará menos fraco um poema? Desculpa, mas ainda estragas mais.

  10. Ora bolas! Não me digas que não percebes que tudo isto aconteceu por causa de um «post» anterior com a foto do professor Oscar Luso de Freitas Lopes? Nada acontece por acaso na minha vida, coma aliás na vida de todos nós.

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