SPORTING – Os que escrevem com os pés em cima da mesa (I)

A jornalista que escreve com os pés em cima da mesa não pára de surpreender. Como fuma muito, o fumo complica no cérebro o valor das palavras. Usa uma expressão sem sentido para descrever uma festa de adeptos de um clube. Escreve «o bom ambiente e a alegria foram a tónica dominante» e no parágrafo seguinte repete «a música foi sempre a tónica dominante». A jornalista que escreve com os pés em cima da mesa não sabe que a tónica é a primeira nota numa escala e a dominante é a quinta. Logo não pode haver uma nota que seja ao mesmo tempo duas coisas. O que ela queria escrever se soubesse era a palavra «leitmotiv», mas o fumo não a deixou.

Escreveu que os adeptos assaram um porco «no local» como se não fosse óbvio que o porco não podia ser assado a vinte quilómetros. Mais à frente repete-se num confuso parágrafo: «Os dois técnicos aproveitaram para conviver com os adeptos e aproveitaram para pedir o apoio de todos». Como escrever é ‘revelar o pensamento’, a jornalista que escreve com os pés em cima da mesa escreve textos confusos porque confusos são os seus pensamentos.

O jornalista que escreve com os pés em cima da mesa não fica atrás da colega. A propósito de um jogo de futebol entre os juniores do Sporting e os do Alverca, assinala na ficha que o resultado ao intervalo era de 6-1, quando era de facto 3-0. E confunde os nomes dos jogadores, chamando Bruno ao Marco Matias. E confunde os leitores quando escreve: «O Alverca visitou a Academia com o objectivo de prolongar o primeiro golo leonino», o que significa que o Alverca queria que o primeiro golo se prolongasse até ao minuto 90. O que ele queria dizer era «com o objectivo de prolongar o aparecimento do primeiro golo». São assim os que escrevem com os pés em cima da mesa.

José do Carmo Francisco

12 thoughts on “SPORTING – Os que escrevem com os pés em cima da mesa (I)”

  1. Este texto revela uma grande dor de corno do seu autor, por ter sido dispensado do jornal “O Sporting”.

    A “Aspirina” não se devia prestar a estes serviços, mas enfim, é a merda de país que temos.

  2. Quer-se dizer, a modos que os adeptos até podiam ter assado o porco a 20 Km. Bastava terem-no assado antes e opois tinham-no trazido para o local (ou então podiam ter um assador com um telecomando potente). Mas prontos, que é como quem diz.

  3. Não obstante ter aqui lido alguns textos com interesse do mesmo autor, neste em particular o conteúdo confunde-se com a forma, ou seja, foi escrito com os pés.

    Para ilustrar a minha opinião, entre outros exemplos possíveis, atente-se que “prolongar o aparecimento”, conforme é sugerido pelo autor, significaria dilatar o momento em que o golo aparece, em que é concretizado. Uma espécie de slow motion da marcação do golo. A opção correcta teria sido ‘adiar’, ‘delongar’, ‘protelar’ ou outro verbo em sinonímia.

    E como, sabemo-lo, o idiomatismo (única atenuante plausível) não é uma alimentação correcta para a escrita de um jornalista, no texto em apreço acabamos por observar «o roto a falar do nu».

    Mau texto. Mau post.

    Até já.

  4. Isto não é um assunto pessoal. Foram afastadas sete pessoas, um fotógrafo e seis jornalistas. Motivo de chacota e de suspeição é o facto de o novo director aparecer como controlador da informação e passado pouco tempo surgir a lista dos ordenados da equipa «A» de futebol. Motivo de chacota é chamarem no site e no jormal madeirenses aos jogadores de uma equipa de São Miguel. O facto de ter lá estado desde 1988 não me inibe de criticar o que está mal. E não me escondo na sombra de pseudónimos.

  5. «dor de corno» e merda» não são expressões próprias de um utilizador de blog. Usar pseudónimo é uma cobardia que desqualifica qualquer ser humano.

  6. mas que grande disparate, essa do pseudónimo, jcf. há milhentas razões para se usar pseudónimo sem ser por cobardia. discrição, por exemplo. por essa ordem de ideias estará a desqualificar como seres humanos alguns dos seus colegas de blog, lembrou-se disso?

  7. Disparate – não. Apenas opinião diferente. Veja-se o caso: alguém anónimo acusa-me de ter «dor de corno» mas depois esconde-se num pseudónimo. Não assume a injúria. POr isso é cobarde. Não leu bem: o que desqualifica é a cobardia não o pseudónimo que em literatura tem todo o cabimento.

  8. …Escreveu com os pés, Susana. Escreveu com os pés…

    Ó JCF, mas que relevância tem o Sporting, ou a porcaria do pasquim do Sporting, ou os jornalistas do pasquim do Sporting, sejam eles pseudocoisos ou apenas na forma tentada, sejam eles passados, actuais ou futuros, escrevam eles com os pés, com a dentadura postiça ou com os músculos horripilantes, sejam eles do pasquim de seja-lá-que-equipa-for, para qualquer outra pessoa que não os próprios?

    Se se trata uma querela do seu lavradio pessoal, aceite o meu pedido e faça um favor à freguesia deste benfazejo blog guardando esse adubo para outras terras, porventura menos pródigas em azoto e mais sedentas de adubação. Por aqui, a hortaliça vai verde q.b.. Digo eu, que só perpasso de quando em vez para apalpar a leguminosa. Se não se trata, mudemos de assunto, que este está podre e fedido e ainda nos fraqueja a pituitária.

    Até já.

  9. Até já; não. Eu não faço parte do seu universo. Este cruzamento foi fortuito. E sem consequências.

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