Retrato breve de Filipa em Vila Franca

Flor da Lezíria, menina
Em Vila Franca, cidade
Descobre a cada esquina
O mapa de uma saudade
Passam alunos da Escola
Que ficam na fotografia
Todos usam camisola
A manhã está muito fria
Fecharam as tronqueiras
Já se sente uma emoção
As paixões verdadeiras
Não precisam explicação
Entre gaibéus e avieiros
Passa a memória sentida
Do Tejo a encher esteiros
Com água que traz a vida
Os barcos cheios de areia
Chegam de manhã ao cais
Hoje o Gil Conde passeia
Nas águas do nunca mais
E no comboio que passa
Tão veloz para o Oriente

Há memória da barcaça
Com automóveis e gente
Ao lado fica um jardim
O ringue de patinagem
Os jogos não tinham fim
As palmas eram coragem
Olha de longe o Mouchão
Onde só olhar é preciso
E a terra vem dar razão
A quem busca o paraíso
Água, fogo, ar e terra
Conjugados num lugar
Coração em pé de guerra
Tem um poema de cantar
Flor da Lezíria, menina
Em Vila Franca, cidade
Descobre a cada esquina
O mapa de uma saudade

6 thoughts on “Retrato breve de Filipa em Vila Franca”

  1. Cláudia,

    Tal e qual. É um tipo «regionalista» de poesia, onde nada falta do folclore obrigatório: «gaibéus», «avieiros», «esteiros», o Mouchão.

    E onde o comboio na gare do Oriente guarda saudades das barcaças.

    É uma cultura de programa. Mas é cultura. Moribunda? Damos-lhe uma mão.

  2. Rvn,

    É conversa com a Cláudia.

    Mas é verdade que o poeta JCF de há uns anos tinha outra pinta. É nesse que eu penso sempre.

    «Mesmo quando chove aqui nunca chove
    É só na relva que a chuva cai.

    […]

    Há um drible que não esquecemos
    E sonhamos tudo às voltas na cama».

    («Futebol», em Universário, 1982)

  3. Versos que curam hemorróidas

    “Porri-potente herói, que uma cadeira
    Susténs na ponta do caralho teso,
    Pondo-lhe em riba mais por contrapeso
    A capa de baetão da alcoviteira;

    Teu casso é como o ramo da palmeira,
    Que mais se eleva, quando tem mais peso;
    Se não o conservas açaimado e preso,
    É capaz de foder Lisboa inteira!

    Que forças tens no hórrido marsapo,
    Que assentando a disforme cachamorra
    Deixa conos e cus feitos num trapo!
    Quem ao ver-te o tesão há não discorra
    Que tu não podes ser senão Príapo,
    Ou que tens um guindaste em vez de porra?”

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