Arquivo da Categoria: Valupi

Simetrias

A fúria com que se diaboliza Sócrates na indústria da calúnia, violentando o Estado de direito e a básica decência humanista, é simétrica da cobardia sobre as golpadas do cavaquismo e suas consequências em milhares de milhões de euros para os cofres do Estado.

Um regime e uma comunidade agarrados a um bode expiatório para não terem de se confrontar com a sua pútrida cumplicidade, política e moral, em crimes homéricos.

Uma ideia para o PCP

Não foi a primeira vez que Ventura agitou a bandeira de Salazar, já o faz há anos, mas só agora houve reacção dos jornalistas e comentaristas. A expressão “três Salazares” presta-se à opinião vácua e displicente, pelo que houve barulho. Já quando Ventura, num comício na Praça do Município em 2020, acusou Paulo Pedroso de ser “pedófilo” e ameaçou que haveria perseguição policial aos apoiantes do 25 de Abril caso chegasse ao poder, ninguém tugiu nem mugiu.

Apelar ao regresso do salazarismo, mesmo que tão-só para efeitos retóricos ao gosto da chungaria analfabruta, é anunciar que se está ao lado dos criminosos, dos que prendiam por motivos políticos, e por motivos políticos torturavam e assassinavam. Promover Salazar como protector da “ordem” equivale a querer de volta os tribunais plenários e a Justiça transformada em fachada da PIDE. Ter vontade de associar o seu nome a um dos piores períodos da História de Portugal implica que se está pronto para repetir a violência que marcou esses tempos.

Se o PCP não estivesse tão ocupado com a defesa da “operação especial” que está a livrar a Ucrânia de nazis e agentes da NATO, poderia ter pensado num golpe de judo para aproveitar a miséria moral do Ventura: convidava-o para ir ao Museu do Aljube, podendo levar quem quisesse consigo, entradas e almoço oferecidos pelos comunistas.

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Dominguice

No Princípio da Incerteza de 19 de Outubro (19 de Outubro!) não houve nenhuma referência a Ivo Rosa, mas tiveram tempo, e vontade, para discutirem a burca. No Princípio da Incerteza de 26 de Outubro (26 de Outubro!!) não houve nenhuma referência a Ivo Rosa, mas tiveram tempo, e vontade, para discutirem a mudança da hora. Neste programa participam Pacheco Pereira, senador da República, Pedro Duarte, actual presidente da câmara do Porto, Alexandra Leitão, ex-candidata a presidente da câmara de Lisboa, e um jornalista veterano. Se calhar, não é do seu conhecimento o que tem sido feito a esse juiz. É uma hipótese plausível se atendermos ao esforço que terão despendido para investigar a fundo as magnas questões da burca e da mudança da hora. É que não se pode ir a todas, e seria estranho estarem a dar importância ao atentado ao Estado de direito feito pela hierarquia do Ministério Público em conluio com juízes quando o povo está angustiado por causa da burca e da mudança da hora.

Talvez falem do homem no programa de hoje — se restar algum tempinho, depois de terem analisado com detalhe onde comprar as melhores castanhas assadas em Lisboa.

Ventura explicado às crianças

Almas que usam o seu poder na política e na comunicação social, há décadas, para fazerem assassinatos de carácter, linchamentos e golpadas, que cagam d’alto no Estado de direito democrático e na Constituição, têm autoridade para falar de Ventura? Não, claro que não, caralho. Por isso muitas delas nada dizem, e as que dizem nada valem.

Ventura é um fenómeno colectivo, apenas o sintoma mais chunga e desumano da nossa doença comunitária.

Nas muralhas da cidade

De joelhos perante o todo-poderoso
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NOTA

Sou fã entusiástico do Pedro Marques Lopes. Por isso, quase que me comovo com o malabarismo que tem andado a fazer para não se referir ao Ricardo Costa. Dito isto, quem sabe se o mano Costa vai nesta sexta-feira, e finalmente, reconhecer que existe um atentado contra o Estado de direito em curso.

Já na parte em que não relaciona a perseguição e devassa a Ivo Rosa com a origem e o pretendido desfecho do julgamento de Sócrates, deixa-me quase desiludido. Quase, pois só se desilude quem se ilude, e não me iludo sobre a condição humana. Não há seres perfeitos, se exceptuarmos os que habitam no reino das matemáticas.

Ventura é cá dos nossos

«Carlos Moedas recusa demitir-se e acusa o PS de ter usado "sicários" para fazer aproveitamento político»

Fonte

«O ministro da Presidência acusou esta sexta-feira o PS de "querer repetir o erro feito na política da imigração" no passado e, com as objeções à lei da nacionalidade, querer "acabar o trabalho de reengenharia demográfica e política" do país.»

Fonte

«Racista e xenófobo? “Chega é imberbe e imaturo”, responde vice do PSD»

Fonte_2023

Ventura é uma criação do PSD, pela mão de Passos Coelho. Foi criado para ser aquilo que é, aquilo em que se tornou. Quem conhece a sua história, e o conhece nos bastidores, sabe que não passa de um reles pantomineiro, capaz de dizer tudo e o seu contrário assim veja vantagem nisso. Quando o lançaram, em 2017, havia um racional estratégico para tal sustentado em décadas de alterações ideológicas nas democracias europeias e norte-americana. O teste em Loures de ver um partido fundador do regime democrático em Portugal a agitar bandeiras racistas e xenófobas, porém, careceu da circunstância sine qua non desse partido estar com um presidente tortuosamente humilhado por ter perdido o poder através do Parlamento e, em simultâneo, ser o maior mentiroso alguma vez registado na história das campanhas eleitorais nesta terrinha. Que o mesmo é dizer, Passos foi buscar Ventura porque para ele vale tudo, inclusive usar o ódio e a violência como instrumentos eleitorais (pelo menos…).

Os anos passaram e a ligação entre Ventura e Passos é agora algo consolidado como uma aliança ostensiva. Excentricidade? Não, pá, exibição de uma natureza. Cavaco, Ferreira Leite e Rui Rio, cada um à sua maneira, igualmente validaram o achado do Pedro. Porque, lá está, para dar cabo dos socialistas valia tudo. Para este tipo de políticos, onde só conta o poder pelo poder, vale tudo. Daí o que temos na comunicação social desde 2004, daí o que se vê na Justiça desde 2009.

Não há nada de original em Ventura para além de aceitar ser um pulha antipatriótico. Os seus colegas de pulhice no PSD não teriam estômago para tanto, estão-lhe profundamente agradecidos.

Quase um mês depois, a ASJP resgata a honra própria

«"A palavra atentado é muito forte, mas podemos dizer que pomos em causa aqui alguns dos princípios estruturais do Estado de direito", defendeu, em declarações à Lusa, o presidente da ASJP.

"Como é que uma denúncia anónima tão pouco concretizada, tão pouco consistente, conforme é dito por que aquilo que tem vindo a público, demora três anos a ser investigada? Será que foram investigados esses factos [...] ou foi feita uma investigação cujo objeto foi muito para além disso, numa tentativa de encontrar aqui algo ao longo de muito tempo de investigação?", questionou.»


Fonte

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Dominguice

Gostei que Mariana Mortágua tivesse chegado à liderança do BE. Gostei por causa da sua qualidade parlamentar e por ser mulher. Depois, constatei que não tinha estratégia. Por estratégia entendo um plano para ser relevante nos eleitorados que prezem a democracia e a liberdade. Que o mesmo é dizer, cidadãos preocupados com a qualidade e defesa do Estado de direito democrático. Acontece que a esquerda à esquerda do PS não tem a mínima intenção de se posicionar nessa área (nem o PS desde 2011, salvo as excepções conhecidas; outra conversa). Ideologia facciosa oblige. A comunicação social, toda nas mãos da direita de uma ou outra forma, esmagou-a com o ódio machista e chegano.

Que pena Garcia Pereira não se poder candidatar a líder do Bloco. Ou de qualquer outro partido.

Vamos, pois

Quando escrevi este texto — Vamos deixar Ivo Rosa sozinho? — em Abril de 2021, não imaginava que fosse possível vir a acontecer o que já sabemos que aconteceu.

Pensava que este era um país de cobardes. Que o é. Agora, tenho a acrescentar traidores. Como país, sociedade, regime, comunidade, somos cobardes e traidores.

O desfecho do caso Ivo Rosa, o maior escândalo na Justiça portuguesa desde a aprovação da Constituição, seja ele qual for, vai definir o grau da nossa derrelicção.

Uma involuntária autobiografia

O caluniador profissional pago por muitos mandantes lançou um livro sobre Sócrates, depois de já ter escrito uma série de televisão sobre Sócrates (um estrondo de audiências num canal fantástico, literalmente fantástico) e de Sócrates ser o vocábulo que aparece em 92% das suas declarações públicas, sejam escritas ou orais.

Segundo palavras do próprio, o livro demorou 10 anos a ser escrito e consiste em recortes de jornais. Dito de outro modo, para não ficarem dúvidas, o livro é uma colecção de centenas de recortes de jornais (da autoria de colegas seus na indústria da calúnia) e levou 10 anos a estar pronto.

Diz que tem mais dois livros sobre Sócrates na calha. Quer dizer que em 2045 ainda espera vir a encher o bolso com recortes de jornais e Sócrates. Há uma justiça poética qualquer nesta exibição de miséria moral e disfuncionalidade livreira.