Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



O “Sol” é mais ou menos o que eu esperava do seu director/inventor: uma versão chunga do “Expresso”. Mas o pior é mesmo o ramalhete de cronistas que por ali se acoitou. A coisa desafia a imaginação.
Começando pelo inenarrável Luís Filipe Borges, que vem esparramar a sua absoluta falta de graça no suplemento “Tabu”. Um exemplo? Isto: “Daqui a um ano: Madonna recebeu mais uma encomenda de África mas, inadvertidamente, adoptou um pigmeu por engano.” Nunca pensei que este dia nascesse: sinto uma apertada saudade do Badaró. Na mesma revista ainda surge a Bomba, com os seus típicos estrugidos que misturam “espargatas irrepreensíveis”, uma “super-dupla de criadores” de moda e descrições empolgadas de… um jantar no Império. Deve haver quem goste.
Mas o “Sol” propriamente dito também se apresenta como um bestiário da crónica indigente: o conhecido industrial do cinema António Pedro Vasconcelos a insinuar que Pedro Costa fez “No Quarto da Vanda” apenas porque não tinha dinheiro para filmar pastelões tamanho-família como o “Titanic”; Margarida Rebelo Pinto auto-investida no cargo de “Carrie Bradshaw da Bobadela” perorando sobre as parecenças entre um prato de ostras e o cunnilingus (ideia assaz original e um primor de requinte); o esforçado director, himself, que acabou de reparar que as mulheres já não vivem à frente dos fogões e nos anuncia com estrépito a chegada de uns ditos “Casais do Futuro”, em que ambos trabalham ao mesmo nível: “as mulheres começam a não aceitar ficar na sombra dos ‘grandes homens’, querem ter existência própria”. As desavergonhadas; as rematadas insurgentes! No meio da desgraça, Paulo Portas, com um interessante digest sobre a revolução húngara de 1956, até consegue fazer a pretendida figura de estadista ilustrado.
Como não tenciono comprar esta espécie de jornal, a coisa não me apoquenta por aí além. Aliás, até vejo vantagens em semelhante concentração de banalidade, mau gosto e tontice: como a minha mãe diz sempre que vê um casal composto por duas criaturas execráveis, “ao menos, assim só se estraga uma casa.”


  1. 1 Anónimo

    O Luis, moço sempre escorreito, mostra às vezes destas pequenas pérolas.
    Já o Sol, enfim… caminha para o ocaso, como é da sua condição.

  2. 2 fv

    Luís,

    Parabéns à tua agudíssima mãe. Como o outro dizia, tem a quem sair.

Leave a Reply





Aspirina box

Arquivos mensais

Pharmácias

As Ruínas Circulares
afixe (RIP)
BdE I (RIP)
BdE II (RIP)
de vagares...(RIP)
A invenção de Morel
Sociedade Anónima (RIP)

 

Farmácias de Serviço

 

100 nada
31 da Armada
A aba de Heisenberg
Abrupto
O Acidental (RIP)
Adufe.pt
A Gaveta do Paulo
Agridoce
Alexandre Soares Silva
Almocreve das Petas
Amor e Ócio
António Sousa Homem
Arrastão
As Ruínas Circulares
Atlântico
Avatares de um desejo
O Avesso do Avesso
Babilônia
Babugem
Bada Bing!
Bandeira ao Vento
Barnabé (RIP)
a barriga de um arquitecto
Beco das Imagens
Blasfémias
Bomba Inteligente
Bombyx mori
Bonfim
Blogue dos Marretas
Blogo Social Português
Cabra de Serviço
Caderno de Verão
Caixa de Costura
Canhões de Navarone
Cão de Guarda
Casa de Cacela
Casmurro (RIP)
A causa foi modificada
Causa Nossa
O céu sobre Lisboa
Charquinho
Cibertulia
cinco dias
Cocanha
A Coluna Infame (RIP)
Complexidade e Contradição
Confissão do Silêncio
Conta Natura
Contra a Corrente
Coroas de Pinho
Crítico Musical
Crónicas Matinais
Cruzes Canhoto (RIP)
Daedalus
Daily Make-up
Da literatura
Desesperada Esperança
A Destreza das Dúvidas
Diário Ateísta
É a Cultura, Estúpido!
Em Busca da Límpida Medida
Enresinados
Epicentro
A Ervilha Cor de Rosa
Esplanar
Esquerda Republicana
Estado Civil
a.estrada:
Estrangeiros no Momento
Eternuridade
Floresta do Sul
Fora do Mundo (RIP)
FotoBen
Frangos para fora
french kissin'
Fuga para a Vitória
Fumaças
O funcionamento de certas coisas
garedelest
Gato Fedorento
Geração Rasca
Glória Fácil
Grande Loja do Queijo Limiano
Grupo do Pato
Hipatia
Homem a Dias
:Ilhas
O Insurgente
Intermitências da Corte
A Invenção de Morel
Janela Indiscreta (RIP)
Janela Para o Rio
João Pereira Coutinho
Klepsy´dra
A Lâmpada Mágica
Laranja Amarga
Last Tapes
letra minúscula
Letratura
Malfadado
Mar Salgado
Margens de Erro
Mas certamente que sim!
Meditação na Pastelaria
melancómico
A Memória Inventada
Memória Virtual
A Metamorfose
Miniscente
Modus Vivendi
Muro Sem Vergonha (RIP)
A montanha mágica
Nada Niente
A Natureza do Mal
O Observador
Ó Faxavor...
A Origem do Amor
A Origem das Espécies
Palombella rossa
O Pastelinho
Pastoral Portuguesa
Pedro Chagas Freitas
pequeno blogue do Grande Terramoto
Periférica
pesadelo sem ar condicionado
Pólis & Etc.
Ponto e Vírgula (RIP)
Ponto Media
Pópulo
Portal Galego da Língua
A Praia
Quartzo, Feldspato & Mica (RIP)
Quase Famosos
read me very carefully
Renas e Veados
Rimbaud Warrior
Rititi
Rua da Judiaria
Ruialme
seta despedida
Silêncio
Solvstäg
Sound + Vision
Tempo Contado
Os Tempos que Correm
Tomara-que-caia
Três Pastelinhos
True Lies
Um blog sobre Kleist
O verso dos versos
Vício de Forma
Vidro Duplo
Vistalegre
Voz do Deserto
what do you represent
The world as we know it


© 2006/07 Aspirina B | Powered by TubarãoEsquilo | Editado com Wordpress | afinado por Paulo Querido | Topo