Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



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Desconheço se o helicóptero de socorro poderia mesmo ter chegado mais depressa aos náufragos do “Luz do Sameiro”. Mas gostava de saber se os iluminados que interrogam agora os cadáveres sobre o paradeiro dos seus coletes salva-vidas alguma vez tiveram um vestido. Sobretudo enquanto tentavam trabalhar dentro de um barco minúsculo. Pois é.


  1. 1 Titó, o pescador de Linha

    E a pescarem quase junto à praia. Os meus colegas que o viram diziam que já era costume e por vezes as chumbadas passavam-lhe por cima.
    E nadar? devia de ser obrigatório por lei os pescadores saberem nadar.

  2. 2 Anónimo

    Pescar junto à praia ainda se pode explicar pela ganância de chegar ao peixe menos profundo (robalo, etc).
    Mesmo assim infringe as normas de segurança, explícitas e implícitas. E isso é um dado objectivo, Luis!
    O caso dos coletes é do mesmo género, e não há volta a dar-lhe. Assim como saber nadar. A segurança no trabalho não deve ser eternamente uma bandeira de papel.

    Isso não apaga a tragédia do naufrágio, nem escamoteia as responsabilidades das entidades de busca e salvamento, e do poder político que manda. É absurdo, inconcebível, inaceitável e profundamente português que na nossa longa costa não existam 3 (três) dispositivos de salvamento imediato, no norte, no centro e no sul.
    Mas isso custa dinheiro, não traz famas mediáticas, não dá para exibir no estrangeiro, nem para armar ao pingarelho.
    A conclusão é a mesma de sempre: o mexilhão morre, no mínimo lixa-se. Sobretudo quando dá o flanco e facilita.

  3. 3 João André

    Peço desculpa Luís, mas os coletes não são assim tão grandes quanto isso, não precisam de ser os mastodontes que foram em tempos. Um casaco grosso acaba por ser mais incómodo em termos de volume, mas os pescadores não o dispensam.

  4. 4 LR

    A bem da verdade, não sei de que modelo seriam os coletes do barcoi naufragado; os que uma vez usei eram completamente imprestáveis para quem queria trabalhar em espaços restritos. Mas, de qualquer forma, não sei se a hipotermia não bastaria para acabar com quem ficasse duas horas naquelas águas, com ou sem colete.

  5. 5 João André

    A hipotermia sim, seria um factor minimamente decente. Também não faço ideia dos coletes exigidos (sê-lo-ão?) nos barcos de pesca, mas aqueles que usei quando fiz vela não incomodavam minimamente.

    Também não sei qual a temperatura da água por aqueles lados, mas é capaz de andar pelos 12 graus. A hipotermia poderia não fazer um efeito muito sério, mas sem dúvida que o cansaço faria. E aí nem os coletes os safariam, já que o máximo que permitiriam seria que ficassem a boiar enquanto seriam atirados contra as rochas ali perto.

    É como dizes, sabichões de teclado…

  6. 6 Conde da Buraca

    Pois, se calhar foi essa a razão. As autoridades devem ter pensado, não estamos na Noruega, pelo que a malta aguenta bem com a temperatura da água, além disso como pescadores zelosos que são, com certeza que estão munidos de coletes salva vidas, pela manhã se ainda não se safaram manda-se lá alguém tratar do assunto.

  7. 7 embarcadiço

    Ninguém é obrigado a trabalhar com os coletes postos, mas numa situação de emergência é obrigatório té-los, o que parece que não acontecia. Enfim, mas a questão nem é essa, o que fazia a embarcação tão próximo da costa? só é permitida a pesca com redes de emalhar a uma distância mínima de 1/4 de milha (cerca de 463 m). Agora uma coisa é certa, como embarcadiço que sou à mais de 20 anos sei bem que o socorro a náufragos não é própriamente a MENOR das prioridades da nossa garbosa Marinha de Guerra, que detem esse pelouro.
    Isto como é evidente não desculpa os erros e o derrespeito pelas mais elementares normas de segurança da tripulação do Luz do Sameiro.

  8. 8 NRA

    Ectoplasma gigante,
    O facto do meu caro amigo só caber em porta-aviões não quer dizer que os pescadores não consigam enfiar os coletes.
    No entanto, concordo contigo que o talentoso French Kissin parece um glutão do governo pronto a tornar qualquer nódoa governativa um caso de brancura máxima. O post dele sobre os voos da CIA é o máximo.
    Finalmente, como sou um tipo que gosta de sangue, cá vai o comentário dele à tua prosa:
    “Olhó especialista!!!
    É o que tem de bom, isto da blogosfera. Uma pessoa, quando não percebe de helicópteros, tem umas luzes sobre coletes salva-vidas. Cornucópias de saberes…
    O Luís Rainha, esse é que a sabe toda, só escreve sobre experiências que já viveu. É por isso que anda por aí a cagar sentenças por tudo quanto é sítio sobre o aborto.”

  9. 9 Anónimo

    Aparentemente, a maioria das vítimas estav a dormir qando o barco adornou. Seria obrigatório dormir de colete?

  10. 10 LR

    Mas onde é que esse hemorroidal com patas me terá visto a “cagar” fosse o que fosse?

  11. 11 Conde da Buraca

    Ouvi dizer que o manual de salvamentos estabelece que no caso de naufrágios em que os tripulantes não estejsm a usar colete, o prazo de salvamento deverá ser prorrogado.

  12. 12 Joana

    Impressionante! A primeira pessoa que foca esta questão! Independentemente da acção das autoridades competentes, ninguém (sobretudo os jornalistas excitadinhos) se lembra de perguntar porque raio é que nenhum dos tripulantes tinha um colete salva-vidas, o que é obrigatório por lei. A 30 m da praia bastava terem um colete vestido que possivelmente seriam arrastados para a praia.
    Mas é preferível crucificar o Governo, a Marinha, etc…

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