Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



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Não adianta mesmo tentar dizer a algumas almas que realidades situadas a milhares de quilómetros, factos que envolvem décadas de história e milhares de pessoas talvez não sejam fáceis de descrever com meia dúzia de palavras organizadas em slogans de efeito garantido e utilidade duvidosa.
Aparecerá sempre alguém de dedo acusador em riste reclamando o rápido retorno à segurança dos lugares-comuns, por norma com um reportório de graçolas à laia de acompanhamento. Desta vez, dizem-me que eu pareço acreditar que o Hamas é “uma IPSS no poder”, um bando de “filantropos”, portanto. Outra variante, menos chocarreira, postula que eu tratei de “perdoar”, através do “tom”, “uma organização terrorista por além de pôr bombas e matar muitas pessoas também ter creches e hospitais”. Ora esta intensão apenas vive em entrelinhas imaginárias: nunca me caberia “perdoar” coisa alguma. Tal como não me passaria pela cabeça culpar todo o Israel pelas mortes de civis que tem causado, em números desproporcionados, nos últimos anos.
Pois é. Não adiantou, como já se adivinhava, escrever que o Hamas “continua a manter uma ala de activos terroristas”; nem tentar explicar que não estamos em presença de uma estrutura monolítica mas sim de uma organização que por vezes hesita “entre dois pólos: a brutalidade pura e dura e a procura de soluções negociadas”.
“Ignorar que o Hamas é muito mais do que um grupo terrorista é simplesmente fechar os olhos à complexidade dos factos”, disse eu. Verdade, confirma quem prefere mesmo os chavões, as simplificações acéfalas. É que ler livros dá muito trabalho. E até assimilar umas parcas linhas de informação sobre a génese do Hamas, partindo do movimento de apoio aos refugiados Da’wah, é esforço excessivo para tão simples meninges. E, no entanto, bem explicadinha, a coisa até parece fácil de entender: o Hamas é um grupo terrorista. E é muito mais do que isso. Como iremos confirmar muito em breve.


  1. 1 Francisco Vieira

    Luís,
    É claro que o Hamas é um grupo (chamemos-lhe assim, para simplificar)terrorista, tendo em conta a definição habitual deste conceito…como terroristas são os assassinatos cometidos pelo exército israelita não só sobre os chamados terroristas palestinianos mas também sobre centenas de civis inocentes, entre os quais, mais de 20% são crianças…mas a principal questão não é essa, mas sim a de saber se é ou não é legítima a resistência contra a ocupação e usurpação de forma continuada e persistente (culminada com a imigração, durante os anos 90, de cerca de 1 milhão de pessoas oriundas de países do ex-bloco do leste, muitas delas só remotamente ligadas ao judaísmo, com o intuito único de preencher o máximo possível o “grande Israel”) das suas terras e das suas propriedades…e se é legítima essa resistência, com que armas se pode lutar contra um exército considerado dos mais poderosos, tecnológicamente avançados e implacáveis do mundo?…Afinal, essa gente que apelida o Hamas de terrorista, mas defende os assassinatos cometidos pelo Estado de Israel, considerando-os acções de defesa legítimas, com muito mais vítimas do lado palestiniano (na última intifada, a contagem macabra de mortes dá 4 palestinianos para um israelita) quereria o quê? Que os Palestinianos não resistissem e se deixassem empurrar para o Mediterrâneo e para a Jordânia, deixando livre todo o Israel bíblico para que mais colonos recrutados no leste europeu, fortemente subsidiados, com casa e emprego (coisas que provavelmente não teriam nas suas terras natais)os substituissem?
    Dito de outra forma: se o mundo quer acabar com os actos terroristas do Hamas e de outras organizações palestinianas, o que têm a fazer é simples: permitam que o Hamas tenha o mesmo armamento que o exército israelita (porque é que os EUA hão-de dar os seus aviões e mísseis sofisticadíssimos apenas a Israel?) e então sim, deixem que a batalha se desenvolva de acordo com os cânones das guerras convencionais, sem necessidade de bombistas suicidas e apelos a não sei quantas virgens à espera no céu…

  2. 2 Luis Rainha

    Francisco,

    O uso de ataques indiscriminados contra alvos civis, com o objectivo principal de causar terror, é, quer se queira quer não, terrorismo. Podemos agora dicutir se há terrorismo mais ou menos justificado (se a resistência alemã lançasse bombas em Berlim, com a ideia de desafiar o domínio de Hitler, seria ideia boa ou má?; o bombardeamento de Dresden terá tido alguma desculpa?), mas coisas como Deir Yassin ou ataques a autocarros civis parecem-me sempre intrinsecamente más.

  3. 3 francisco curate

    Luís: acho que tens razão quando afirmas que o Hamas é uma organização terrorista e tb é mto mais que isso. Mas, na minha opinião, o epíteto de organização terrorista possui uma força simbólica e prática que simplesmente rasura todas as outras conotações do movimento. O Hamas possui creches e hospitais? Tb o Hitler gostava muito de pastores alemães… Abraço

  4. 4 EUROLIBERAL

    Deixe-os ladrar, Luis !
    Os dois pesos e duas medidas dos antisemitas deste blogue…

    Se De Gaulle, Xanana, Cabral e Mandela também foram considerados, pelos nazi-fascistas-apartheidescos, “terroristas” por defenderem a luta armada contra o ocupante, será excessivo considerar que os que hoje acusam o heróico Hamas de “terrorista” são também nazi-fascistas apartheidescos ?

    Se os nazi-sionistas não querem ceder Jerusalém leste e a maior parte da Cisjordânia (que já só representa 20% da Palestina histórica) e só aceitam libertar provisoriamente alguns desgarrados bantustões ou guettos cercados de arame farpado e muros de oito metros de altura, sem soberania, exército e controlo de fronteiras, QUE OUTRA ALTERNATIVA RESTA AO POVO PALESTINIANO SENÃO A LUTA ARMADA PARA LIBERTAR COMPLETAMENTE A PÁTRIA DOS CRUZADOS SIONISTAS ? Há alguma coisa a negociar com as SS Tsahal ? Nada, a não ser a capitulação.

    Matar civis ? Mas o que fazem os sionistas senão isso e a triplicar ? E os EU não mataram deliberadamente civis em Hiroxima, Dresden e Nagasaqui ? E agora mais de 150.000 no Iraque ? Então ? Os ocupados não podem matar ladrões de terras ocupantes vingando assim os seus mártires ? Dois pesos e duas medidas ? Todo o israelita que aceita viver numa terra roubada e limpa étnicamente pela força dos seus habitantes legítimos é um terrorista e alvo legitimo da heróica resistência palestiniana. São as leis da guerra.

    E quem aqui defende a capitulação do povo palestiniano aos ladrões das suas terras é um porco nazi-sionista. Tal capitulação numca terá lugar. E a libertação completa da Palestina é uma questão de tempo ! Os criminosos de guerra das SS Tsahal serão julgados e decapitados. Não perdem pela demora.

  5. 5 EUROLIBERAL

    Deixe-os ladrar, Luis !
    Os dois pesos e duas medidas dos antisemitas deste blogue…

    Se De Gaulle, Xanana, Cabral e Mandela também foram considerados, pelos nazi-fascistas-apartheidescos, “terroristas” por defenderem a luta armada contra o ocupante, será excessivo considerar que os que hoje acusam o heróico Hamas de “terrorista” são também nazi-fascistas apartheidescos ?

    Se os nazi-sionistas não querem ceder Jerusalém leste e a maior parte da Cisjordânia (que já só representa 20% da Palestina histórica) e só aceitam libertar provisoriamente alguns desgarrados bantustões ou guettos cercados de arame farpado e muros de oito metros de altura, sem soberania, exército e controlo de fronteiras, QUE OUTRA ALTERNATIVA RESTA AO POVO PALESTINIANO SENÃO A LUTA ARMADA PARA LIBERTAR COMPLETAMENTE A PÁTRIA DOS CRUZADOS SIONISTAS ? Há alguma coisa a negociar com as SS Tsahal ? Nada, a não ser a capitulação.

    Matar civis ? Mas o que fazem os sionistas senão isso e a triplicar ? E os EU não mataram deliberadamente civis em Hiroxima, Dresden e Nagasaqui ? E agora mais de 150.000 no Iraque ? Então ? Os ocupados não podem matar ladrões de terras ocupantes vingando assim os seus mártires ? Dois pesos e duas medidas ? Todo o israelita que aceita viver numa terra roubada e limpa étnicamente pela força dos seus habitantes legítimos é um terrorista e alvo legitimo da heróica resistência palestiniana. São as leis da guerra.

    E quem aqui defende a capitulação do povo palestiniano aos ladrões das suas terras é um porco nazi-sionista. Tal capitulação numca terá lugar. E a libertação completa da Palestina é uma questão de tempo ! Os criminosos de guerra das SS Tsahal serão julgados e decapitados. Não perdem pela demora.

  6. 6 Rui

    “Verdade, confirma quem prefere mesmo os chavões, as simplificações acéfalas. É que ler livros dá muito trabalho. E até assimilar umas parcas linhas de informação sobre a génese do Hamas, partindo do movimento de apoio aos refugiados Da’wah, é esforço excessivo para tão simples meninges.”

    Desculpa se te ofendi, não foi minha intenção… Um abraço!

  7. 7 Luis Rainha

    Rui,

    Não era contigo, essa passagem. Daí, ter falado em “outra variante, menos chocarreira” que é a tua.

  8. 8 Rui

    Luis,

    Eu imaginei que não era comigo mas ainda assim acho absurdo este teu post. Se estavas chateado mandavas um “vai a merda” (poderia ser tal qual, não haveria problema) que ficava melhor. Este tipo de prosa parece mais um comentário destes que se leêm de “vez em quando” por aqui… digamos que te desmerece.
    Sorte!

  9. 9 Luis Rainha

    Rui,

    Olha que é muito irritante receber críticas destas depois de algum esforço no sentido de reflectir a complexidade de um fenómeno tão difícil de abarcar como o Hamas. Então ler alguém que insinua que me limitei a afirmar que se trata de uma organização filantrópica… é mesmo um pouco demais.

  10. 10 Jorge Morais

    Luís,
    haverá sempre pessoas no mundo a preferir as frases feitas simples como o eixo do bem contra o eixo do mal, e similares. É o resultado de muitos filmes de “cóbois”, em que havia um bom que derrotava os outros maus, não havia lugar a meios-bons nem meios-maus…

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