Quem tem medo do passado?

Para além de ter obrigado a direita a coligar-se, e de ser o alvo preferido e prioritário do PCP e do BE, o PS tem contra si a indústria da calúnia, a judicialização da política na sua forma mais grave (prisão de Sócrates e respectiva exploração das peripécias do processo e das violações do segredo de justiça) e ainda a imprensa “de referência”. Neste último caso, a intensidade e qualidade dos ataques varia de órgão para órgão. A soma das parcelas, todavia, exibe uma unanimidade sem excepção: o PS é culpado pelo resgate. E a partir desta conclusão chega-se a um acordo: não vamos castigar, sequer denunciar, o que a direita fez para se alçar ao poder em 2011. Este acordo, finalmente, provoca uma atitude: permitir que PSD e CDS apareçam nestas eleições sem programa e sem serem responsabilizados pelo que fizeram ao País. Tanta energia reunida contra um só partido exibe a sua insubstituível força como pilar do regime democrático. É por ser política e culturalmente valioso que o PS é atacado, não por ser irrelevante.

Veja-se o que faz Nuno Saraiva – Tiros no pé – na tentativa de influenciar o PS a deixar cair o tema da vinda da Troika. Em mais um texto do género, porque estamos perante um género, o autor conta a seguinte história: sim, o PSD quis a Troika para enganar o eleitorado, mas quem fez a merda foi o PS porque a Troika tinha de vir. Chega ao ponto de repetir a cassete do laranjal – “O governo do PS, culpado da condução do país à quase bancarrota, foi responsável pela vinda dos credores.” – sem carecer de explicar seja o que for a respeito e contradizendo-se imediatamente a seguir ao falar do chumbo do PEC. O que lhe interessa é manter o registo panfletário onde distribui moralismo editorialista e carimbos avulsos por essa cambada, os políticos. Mas tudo isto com uma especial intenção, a de procurar anular a discussão sobre a crise política de Março de 2011, e ainda o que lhe antecedeu e o que lhe sucedeu.

Não é preciso ser bué da esperto para perceber a lógica desta pressão. Ao não contrapormos uma nova leitura desse passado, estamos a aceitar a leitura vencedora. Essa narrativa permite que a retórica da culpa e da diabolização seja tão eficaz que um Governo metodologicamente mentiroso vai para eleições sem programa e sem medo do que o eleitorado possa pensar a seu respeito. E isto porque há quem esteja constantemente a trabalhar para que o eleitorado se convença de que houve uma “bancarrota” causada pelo “TGV” e pelas “auto-estradas”, mais as “fundações” e a loucura de um louco.

Nuno Saraiva termina o seu texto com um hino à estupidez, a nossa, declarando que discutir o passado impede que se fale do futuro, pelo que isso é muito mau para o PS. Entretanto, e pelas suas próprias palavras, caso seja a direita a querer discutir o passado para assim evitar ter de falar sobre o futuro, isso já lhe parece muito bem, inteligente, estratégico. Eis o seu contributo, de referência, para o estado de impunidade com que Passos e Portas se passeiam na comunicação social e na sociedade.

37 thoughts on “Quem tem medo do passado?”

  1. Valupi

    O destino está traçado.
    A menos que ocorra um cataclismo o PS vai ganhar as eleições e não será por poucos.
    As sondagens do “empate técnico” mostram agora que o eleitorado do centro foi agarrado pelo PS. Á esquerda funcionará o voto útil à boca das urnas.
    Vai correr tudo bem porque o povo português não é estúpido.
    Já lá dizia o outro que uma coisa é a Opinião Pública e outra coisa é a Opinião Publicada. Por muito que a Opinião Publicada se esforce constantemente por influenciar a Opinião Pública esta última só se deixa influenciar se quiser, ou se não existir uma poderosa realidade a fazer o contraditório (o que como bem sabemos não é o caso).
    Portanto, vai correr tudo bem.

  2. Ignatz

    Não seja apressado.
    A História vai repor a verdade, toda a verdade, e nada mais que a verdade.
    Quem for vivo verá.

  3. Já alguém deu por ela que na SIC, quando apresentam comícios dos PAF, dizem “Passos em comício na zona tal”, se for do PS, dizem “PS reuniu a máquina partidária num comício na zona tal”?

    Eu sei é um pentelho, mas é mais um a somar aos restantes.

  4. valupi,eu estou consigo sobre a materia do passado.acho que em devido tempo, antonio costa, devia ter dito o que pensava.fazê-lo hoje com a narrativa já há muito no terreno com a ajuda de todos os jornais sem excepção,era um erro, dada a lingua viperina dos filhos da puta da direita e da classe jornalistica,que dependem de acionistas que votam todos à direita. quem chamou a troika foi a direita,e para o fazer passos teve que mentir aos portugueses dizendo que não conhecia o conteudo do pec 4,depois de estar varias horas reunido em s.bento com socrates.tambem não percebo porque motivo josé socrates,não denunciou de imediato essa mentira de passos coelho,quando foi proferida no parlamento.

  5. quem perdeu o emprego,quem viu familares e amigos na mesma situaçao.quem vê filhos a partirem para o estrangeiro,muitas das vezes sem nada na bagagem.quem vê a falencia da sua empresa,ou empresa onde trabalhava,não pode ficar indiferente a esta catastrofe.a espanha passou pelo mesmo,mas a forma como negociou,permite-lhes hoje estar numa situação francamente melhor do que a nossa.sei do que falo,pois vou quase todos os fins de semana à galiza. e leio o” faro de vigo” muitas das vezes comprado em portugal.estes pulhas liderados por catroga e passos coelho,quizeram por o país a pão e agua.a sua receita falhou, quem o disse foi vitor gaspar,ex ministro das finanças que se pirou depois de levar a cabo muito do trabalho sujo!

  6. Claro que o Valupi tem razão. O PS para além dos adversários políticos tem pelo frente uma seita de sabujos que neste país se auto-denominam de jornalistas e que não passam de lacaios ao serviço da direita. Aliás a grande maioria é gente amorfa, que se revê no chico-espertismo mentiroso do PAF e com ele colabora na esperança de abocanhar umas mordomias. Veja-se por exemplo os paineleiros do último debate que ao orientar o debate para o programa do PS, passaram uma rasteira ao António Costa como aliás e muito bem vem reconhecer o Pacheco Pereira. É tudo gente engajada ou subserviente aos interesses da direita, inclusive a MFPedroso por quem já tive alguma consideração. Nenhum destes ditos jornalistas, pela sabujice e subserviência, seria na década de 70 capaz de o ser outra coisa que não acólito do Lima assessor do tipo da quinta da coelha.
    Por isso a assessoria de PS deveria ter mais cuidado com esta escumalha desmascarando as suas actuações…

  7. Olhando para o futuro.
    É hoje claro (para mim não era) que caso ganhe o PS ou a Coligação haverá cortes na Seg. Social. Em modalidades diferentes, em montantes diferentes. Mas é um dado adquirido. É também um dado adquirido que nenhum dos 2 (PS e Coligação) quer neste momento explicar exactamente onde e como.
    Afinal as diferenças não são assim tantas.

  8. O Nuno Saraiva é o perfeito exemplo do “jornalismo” que sobe
    na vida, basta seguir o método de uma no cravo outra na ferradura!
    Depois, não gostam de ser confrontados com as próprias incoerên-
    cias aliás, no DN estão vedados os comentários aos artigos de opi-
    nião e editoriais … porque será ?
    Se o que, interessa é o futuro, porque razão não comentam o progra-
    ma dos pafiosos ? Tão pouco falam dos programas das esquerdas,
    todos se lambusam mas, mal, no programa do PS com contas feitas!
    É altura de o António Costa mudar de estratégia e, pegar só nas
    “grandes” obras dos pafiosos no seu desgoverno desde 2011 !!!

  9. A verdade é esta,:
    PSD diz que tem de se arranjar 600 milhões para a Segurança Social, de acordo com o PS.
    PS diz que vai cortar 1000 milhões nos apoios da Segurança Socil e nem precisa de acordo com o PSD.

  10. O Valupi parece um atirador de tiro aos pratos (não digo caçador de perdizes porque já vi que há aqui gente muito sensível). Saem os pratitos do dispositivo de lançamento, jornal ou televisão, normalmente, e logo apanham com chumbo grosso disparado daqui da trincheira, desfazendo-se em mil pedacinhos as narrativas de malícia, calúnia e manipulação da maralha de opinadores afectos aos responsáveis pela transformação de Portugal em quermesse internacional do controle de serviços básicos dos seus cidadãos. Acho que ainda não falhou nenhum.

  11. Ó Campus

    600 milhões x (vezes) 100 anos = a quantos milhões, ó murcão ?
    É assim que o aldrabão faz as contas, pá !

    O António Costa só tem de explicar (aliás tem de explicar tanto como PM aldrabão, ou seja, não tem de explicar NADA), como é que poupa 250 milhões ano.

    O teu camarada Passos tem de explicar aonde é que corta 600 milhões x 4 : 2400 milhões, ó murcão !
    Mas como no que diz respeito à Segurança Social o teu camarada “faz contas” a 100 anos são 600 milhões x 100 = 600 000 milhões !

  12. Jasmim, porque não fez as contas por 1000 anos?
    Explique aí, já que são tão bos de contas, onde o costa vai buscar dinheiro para a seg social depois de tirar 5000 milhões para colocar na construção civil ?

  13. ó camponês, tirado do laranjal.

    Que me desculpe o Raphael

    “Raphael Hythlodeu
    18 Set 2015
    “Prevemos uma continuidade global no que diz respeito às políticas [que têm sido seguidas], independentemente do resultado das eleições que se avizinham, em outubro”.

    Quer isto dizer que Portugal já não é uma democracia? Onde estão os auto-intitulados liberais portugueses?”

  14. Ó Campus

    Eu não fiz as contas para 1000 anos porque o teu camarada Passos não se lembrou disso, ele no debate falou em 100 anos, você não ouviu, não viu ?
    E como a opinião do camarada Passos deve ser para si como um farol eu limito-me a seguir a luz …

    Então é assim: 600 milhões x 100 anos = 600 000 milhões, está compreendido ?

  15. Ó Campus

    O teu ministro Gaspar na manhã do dia em que se demitiu do cargo de Ministro das Finanças meteu 90% do dinheiro da Segurança Social na Dívida Pública portuguesa !!! não sabias ?
    Considero isso bem mais arriscado do que aplicar o dinheiro no Imobiliário.
    Logo estou inteiramente de acordo que o Costa venda os títulos da Segurança Social aplicados em dívida pública portuguesa (então logo agora que já quase não é lixo … deve haver muitos interessados em comprar e até vai ganhar dinheiro porque vai vender por mais ) e os invista em património imobiliário para reabilitar e depois arrendar (ainda por cima fica com rendas). Tas a ver ó imbecil ?
    O Costa quer fazer com a Segurança Social pública o mesmo que eu fiz com parte da minha poupança em vez de andar a fazer PPRs que podem ir com caraças se os bancos falirem. Eu comprei uma casa e aluguei-a. É a minha reforma para a minha velhice, tás ver ?

  16. Por falar em “passados” a Heloísa Apolónia acabou de atirar com o “passado” do Portas às trombas do mesmo.
    E ele ficou-se. Não defendeu a honra !!!!!!!
    Recebeu o insulto como um homem vil que já sabe que não tem honra para defender.
    Foi tão horroroso ver um Ministro de Estado NÃO FAZER NADA para tentar defender a sua honra !!!!!! Um vómito !!! Um velhaco !!! Um cobarde !!! Oportunista !! Astucioso ! Repito, UM VÓMITO !!!!

  17. Jasmim, se tiver dinheiro no BPI ou no BCP, eles dão-lhe um juro ridículo, cerca de 0.1 %, porem, compraram divida publica portuguesa e quem sabe nos períodos em chegou a 17 % .
    Portanto você deposita dinheiro no banco, ou seja, faz um empréstimo ao banco e ele disponibiliza uma retribuição mínima, mas como emprestou ao Estado a juros muito altos tem lucros fabulosos . E ainda por cima queixam-se que estão em crise .
    Por estarem quase exclusivamente a investir em divida publica, o que assegura uma renda garantida e sem risco, eles pouco emprestam para o financiamento da economia real .

  18. Boa noite senhor Pimpampum.
    Congratulações pelo seu regresso.
    Que acharia se visse escrito num requerimento do foro judicial o seguinte:
    ”O BIC, então denominado BPN (…)”.
    Que pensaria se constatasse que um juiz dá despacho ao requerimento sem questionar:
    Mas em que altura ou então o BIC se denominou BPN? O BIC não foi aquele banco de capital maioritário angolano que comprou o BPN?”
    Obrigado.

  19. Sr Pimpampum

    Eu não deposito dinheiro na banca privada. É cá uma cisma que eu tenho. Razões ideológicas.
    Eu só deposito dinheiro na CGD. Isso e compro dívida pública portuguesa (certificados do tesouro). Esses maganões comigo vêm de carrinho e vão de carrão.

  20. Os PaF não levam programa»? é o mais claro de todos= a continuação do que tem sido até agora.
    Ninguem que queira votar tem dúvidas!!

  21. Ehehehehhehhehe. Eehhehehehehehehehe.

    Este país carece urgentemente de um ensino obrigatório ( pode ser à distância) de (alegados) cidadãos BURRAS que NÃO enxergam à frente da penca um pingo da realidade fática.

    Sugiro que se contate sócrash para o efeito supra, atenta a sua imagem em outdoor anunciando cursos superiores ( à distância) no Brasil. Para os COMUNAS desertores, vulgo XUXAS penso que as propinas deverão ser mais caras, já que o esforço da máquina é maior e corre o risco de se partir.

  22. «êló» PIMPAUMPUM, de quando em vez dá jeito dar banho ao nickname ou voltar ao clássico fato…

    Eu estou a pensar anunciar um novo fato, qual seja, «tony pechota», que vi há dias num programa nos EUA.

    Na sequência do letrado PRUNES, permita-me também uma simples questão:

    O meu amigo passa sobre a ponte Salazar? Entra nalgum edifício construído sob o Estado Novo?

    Aguardo.

  23. Pimpampum, que tem o Sócrates ou o Teixeira dos Santos que ver com o BIC?
    O Sócrates e o Teixeira dos santos, mais o segundo do que o primeiro, parece-me, foram responsáveis pela nacionalização do BPN, um triste episódio. Denunciei, antes de quem quer que seja, essa história das nacionalizações, pura demagogia sabendo nós que o estado, no contexto de um dado regime, é uma entidade privada com propósitos privados.
    Mas, todavia, quem vendeu o BPN ao denominado BIC foi a coligação, na pessoa de Francisco Nogueira Leite.
    É outra fase de administração privada do denominado BPN sob a capa ou máscara de entidades públicas.
    Mas a minha questão é liminar. Se o BIC, antes e no acto da compra do BPN, se denominava BPN, temos que concluir que Francisco Nogueira Leite comprou o BPN a coberto de uma entidade bancária privada que depois se veio a denominar BIC.
    Não valem malabarismos de retórica ou processuais, isto é cristalino. Porque razão o super procurador e super juiz não quiseram investigar esta promiscuidade e fizeram de contas que não entenderam?
    Cegueta, eu não entendo a tua questão. A ponte 25 de Abril, então denominada salazar, não é um edifício? Será uma espécie de ”pedra nascediça”?
    Vamos colocar assim a questão. O nosso amigo Pimpampum passa sobre o Cegueta. Entra nalgum edifício construído sob o Estado Novo?
    Claro que sim. Embora entrar se deva considerar uma metáfora.

  24. «Cegueta, eu não entendo a tua questão. A ponte 25 de Abril, então denominada salazar, não é um edifício? Será uma espécie de ”pedra nascediça”?»

    PRUNES, pá, claro que não entendes o que eu digo…

    Mas olha àcerca de «edifício», que questionas? Eu começo por te responder assim: a ponte em causa é uma «coisa»….que tu não devias pisar, pois que é fruto de um algo político. Bolas…e tu a dares-lhe com os papéis ( os judiciais, claro. Sabes que se chamam papéis, não é?)

  25. A ponte 25 de Abril, cegueta, sendo certo que não entendo o que dizes, não foi feita para pisar, artolas.
    Os papéis judiciais não se chamam papéis, artolas. Têm vários nomes, dependendo de quem os escreve, quando e porquê.
    Têm sempre um sujeito. Dependendo de o verbo ser ser transitivo ou não, têm, um complemento directo ou indirecto.
    Mas tu queres enganar quem com esse paleio de esperto?
    Ouve, artolas. A ponte 25 de Abril foi edificada exclusivamente para salazaristas?
    Se fosse o caso, agora já não é.
    És um artolas, cegueta.

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