Quando o telefone toca

Henrique Monteiro, na Comissão de Ética, repetiu o que andamos a ouvir há três anos dos guardiões da Verdade, e o que ele próprio já tinha contado na altura: que Sócrates, em certas situações, ligou para directores de jornais. Pelos vistos, com o Henrique só aconteceu uma vez; ou teria contado mais histórias. E o episódio diz respeito a uma suspeição que visava apenas atacar o carácter do Primeiro-Ministro, não a tópicos de política partidária ou governativos.

Estamos perante uma pressão? Estamos. Mas do género baixa pressão, daquelas onde se mete muita água. Para começar, o telefonema relatado foi privado, o que também pode sugerir intimidade, ou confiança, ou respeito, ou hombridade. E eis o extraordinário: terá durado hora e meia. Hora e meia, mais coisa menos coisa, são 90 minutos. 90 minutos para fazer um pedido manhoso? 90 minutos para fazer uma ameaça? 90 minutos para fazer uma chantagem? Que tipo de pressão telefónica demora 90 minutos a ser realizada? Diria que Monteiro não pode servir a Deus e ao Diabo: se a conversa era para o pressionar de qualquer forma ilegítima, teria tido curta duração; se a conversa se arrastou por hora e meia, foi do interesse do pressionado.

Não têm conta as bocas de notáveis acerca da normalidade das pressões sobre jornalistas. É matéria de manual escolar. E nem vale a pena tocar na promiscuidade das relações entre a política e a comunicação social, monumento à simbiose. No entanto, Henrique Monteiro elegeu uma conversa com Sócrates como exemplo de uma grave intromissão na liberdade de imprensa. Fica provado que é um incorruptível, mesmo quando o fazem falar ao telefone durante hora e meia.

26 comentários a “Quando o telefone toca”

  1. Bom dia Valupi,
    Das audições na Comissão há já pelo menos, para já, uma conclusão :
    – os jornalsitas sempre receberam telefonemas de políticos nos últimos 30 anos. De todos os quadrantes.
    Então eu concluo :
    – estiveram acobardados durante 30 anos e só agora, em plena ditadura, vieram para a rua. São uns corajosos.
    Cumprimentos

  2. Bem visto. Uma pressão com 90 minutos?? Isso nem uma equipa do Mourinho!!

    Por outro lado explica o facto de que cada vez que ouço o Henrique parece-me que não tem grande coisa na cabeça , só vento.Ora o vento é o movimento de ar das baixas para as altas pressões.O Henrique é por isso impressionavel.
    Já estou a ouvir o Henrique “Me pressiona vai…mas devagarinho viu..não seja bruto senão meto a boca…no trombone”

    PS- O sotaque brasileiro só pretende glosar a fonética de um anuncio em que uma brasileira dizia “Me liga vai…” e não tem qualquer outra conotação. Claro que esta explicação não é para o henrique já que esse só sabe onde fica o Brasil depois de confirmar tres vezes a mesma fonte ou 4 vezes fontes diversas.

  3. Se as empresas de CS onde este senhores trabalham tivessem ética, estes senhores, sem ética, já lá não estariam.

    Aqui o curioso é estes jornalistas serem convocados por uma comissão de ética e mostrarem um total desrespeito pela ética, quer enquanto jornalistas, quer enquanto cidadãos que são convocados pelo parlamento para prestarem esclarecimentos.

  4. Eles, lá ter ética, teriam… antes de ir para os jornais e quando chegam a directores deixam de vez a ética e o jornalismo e põem-se aos pés dos patrões. Conheci o Monteiro na Faculdade de Letras, era meu colega num curso qualquer, e não era o actual, de certeza. É pena Henrique, mas ainda estás a tempo de te regenerar. Quanto ao comentador Erriq, quem é que delira aqui?

  5. Pois, mais uma vez isto não está a correr bem aos detentores da Verdade, não aprenderam nada com o resultado das eleições. Pensaram que bastava estes figurões do jornalismo chegarem ali e dizerem que sim senhor sofriam pressões, com argumentos mal amanhados e nada plausíveis, como este que apenas vale porque durou 90 minutos(!?), e pronto ficava provado o que repetem há anos. Lá está, o que fica provado é o desprezo que têm pela inteligência de quem os ouve. Para reconhecer alguma inteligência à proposta do PSD de os ouvir na Comissão de Ética, e depois das ‘provas’ que têm apresentado, sou forçada a pensar que o objectivo, afinal, era ilibar Sócrates. :)

  6. Não só indigna, mas também repugna, envergonha e entristece, a actuação destes jornalistas que têm ido à Comissão de Ética. Refiro-me ao Crespo, ao Fernandes, à Cabrita e agora ao tal Monteiro. E o mais grave é que houve quem os ouvisse com um ar de palermas satisfeitos.

  7. Está mais do que provado que têm de fazer o frete aos patrões. É ver que este à falta de melhor vem com a pêta do telefonema de 90 minutos…, o outro (o da SONAE) não disse nada e quis livrar-se do puxão de orelhas… a Cabrita (que lindo nome…) só se dá por ela porque agradece aos angolanos… que são os seus (dela) salvadores…
    Eles pensam que somos todos papalvos. Que tristes figuras esses “vendidos” fazem!

  8. Val,
    Não baralhes mais a malta: Não houve telefonema? O telefonema não durou 90 minutos? O telefonema não foi para o Monteiro não publicar a estória do diploma? Sócrates está no seu direito ao telefonar a pressionar um director de Jornal?
    Ilumina cá o pessoal, que com este post só ajudaste à confusão.

  9. Não sabes? Então, porque perguntas? Como podes falar de pressão a partir de um telefonema? Acaso Sócrates estava proibido de conversar com o Monteiro?

  10. sim, é muito desagradável. talvez não o suficiente para ocuparmos tanto deputado no parlamento com o assunto, mas enfim, há orelhas mais sensíveis que outras…

  11. Uma das coisas que me andava a intrigar era até quando o Balsemão iria suportar o estado de “graça” do SOL. Como todos nós sabemos, uma subida da tiragem e das vendas do SOL, tem um impacto nas vendas do Expresso. Assim sendo, já me tinha perguntado até quando Balsemão iria deixar que o SOL lhe roubasse o dinheirinho… Ontem, ao ouvir o Henrique Monteiro, apercebi-me que o Balsemão já não atura mais. Ao director do Expresso só faltou dizer que o SOL era um nojo de Jornal. Mas como tinha de manter a coisa da pressão, lá teve de dizer que as pressões eram verdadeiras, mas o SOL é uma “#$””.

  12. A miséria é tanta que o Henrique Monteiro mais não fez do que tentar, com as suas estrambolicas declarações que amanhã aparecerão a grandes parangonas no Expresso, tentar recuperar da perda de receita que as últimas edições do Sol lhe terão trazido. E o país assiste boquiaberto a este miserável teatro. Quousque tandem!

  13. Hora e meia,
    ena grande Henrique…
    hora e meia carago!!!
    é obra,
    teres perdido esse tempo todo num único telefonema…
    tá bem, foi com o PM,
    eu sei que foi…
    e tu macho, disseste-lhe que não!!!…
    quase duas horas, grandessissimo Henriquinho!!!!
    e com o PM…
    hora e meis carago…
    ganda henriquezinhu…
    é obra… e tu… dissete-lhe que não?
    carago, hora e meia para lhe dizeres que NO…
    é assim memo, Henriquezinhu
    és macho, mais o fernandes, a manuela, o crespo
    convosco PM’s não fazem farinha…
    hora e meia , porra Henriquezinhu…

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