Barreto saloio

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António Barreto dignifica-me como cidadão. Portugal é melhor, muito melhor, com ele do que sem ele. Os portugueses devem-lhe 30 anos, ou mais, de intervenção pública marcada por uma ética republicana e democrática exigente, rara; o que o levou para um trilho independente. Nesse lugar faz-se boa crítica e crítica da boa. Ele é um dos senadores guerreiros, daqueles que velam pela nossa liberdade, com actividade académica de mérito e actividade mediática de relevo. Sou seu leitor e admirador. É por isso que sei que ele está acabado.

Na Público de 30 de Dezembro, assina um texto intitulado PS, SA onde o acinte se abraçou à tonteira para guiar a ordenação dos caracteres. Parece um colegial excitado, acabado de chegar à política e pronto para identificar os vilões só pela pinta. Alguém vai ter de lhe dizer, mais dia menos dia, que Soares e Guterres também pertencem ao PS, correndo por aí que até chegaram a ser chefes de Governo. Mas tenho a certeza de que nunca ninguém lhe dirá que tanta informação sobre os podres do sistema merecia bem mais do que umas regulares e pagas exaltações para leitores de domingo. Este texto aparece um dia depois da publicação do balanço anual em vídeo, ao lado de Pacheco Pereira, no Expresso. Vale a pena ver, não vale a pena ouvir. Porque o que merece atenção é o rosto agónico, espelho de uma alma que está zangada há muitos e muitos anos.

Hoje, 6 de Janeiro, no texto Sócrates e a liberdade, o desvario do homem atinge um paroxismo alucinado. Como, actualmente, só encontra alimento no fel, até a vergonha deixou fugir. Para todos os efeitos, e em todas as leituras possíveis, Barreto — de modo soez — afirma que Sócrates é fascista. E eis a tragédia que lhe irá passar ao lado: a de que associar Sócrates com fascismo não é sequer uma ofensa, ou só o será para as vítimas do Estado Novo; antes é sintoma histérico que grita o desespero, a impotência, a decrepitude de quem vê o mundo a transformar-se sem ninguém lhe pedir licença ou conselho.

Contudo, é no texto de 23 de Dezembro, Público, que se encontra ocasião para implacável castigo. Se algum dia sair uma compilação dos Retrato da semana podia-se aproveitar o título deste: Misérias domésticas. As misérias são quatro; abertura das novas estações do Metro, processo da UGT, ASAE e campanha de promoção de Portugal. O escrito é constituído por denúncias falhas de proveito intelectual, repetição adjectivada de notícias sem acrescento informativo ou reflexivo, até que se entra na última miséria. Foi deixada para o fim por ser aquela que mais entusiasmo provocou no articulista. O alvo parecia fácil, indefeso, demasiado tentador. Trata-se da campanha publicitária paga pelo Estado e anunciada pelo Governo para a AICEP e Turismo de Portugal, organismos com a responsabilidade de vender o destino Portugal nos mercados turísticos e económicos internacionais. E Barreto termina o artigo a dizer que a campanha é inútil para o País, só útil para o Governo. Isto é, diz que sob a capa de uma campanha turística internacional estamos é perante uma auto-promoção política para consumo interno. Esta denúncia, quando na boca de um alcoólico sem a 4ª classe, tem automática resposta: comiseração. Vinda de um reputado académico, notável publicista, ex-governante, teórico da comunidade, auto-proclamado justiceiro da República, arauto da pureza democrática e relator da decadência lusitana, leva a perder a paciência. Veja-se:

É um velho hábito dos países do Terceiro Mundo e de algumas ditaduras que consiste em comprar páginas de jornal e minutos de televisão para se promover.

Escolhem-se umas personalidades com hipóteses de serem reconhecidas e tenta-se convencer os putativos clientes de que este país é todo assim.

O dinheiro que se gasta com isto é colossal, mas talvez nada de muito grave.

O que mais choca, além da capacidade de influência no Governo que as agências de publicidade assim exibem, é a atitude de quem encomenda estas campanhas.

Quem assim procede está a dizer aos outros que o país, sem campanha, é desconhecido e ninguém dá conta dele.

São justamente os países que têm pouco a oferecer, que nem pela sua mediocridade se distinguem, que não pesam nas balanças da fama e da reputação, que são destituídos de interesse especial e que se revelam razoavelmente simplórios e longínquos, que sentem a necessidade de de se promover e de repetir a sua excelência, a paz, o sossego, a beleza e os tesouros escondidos.

Quem assim age está plenamente convencido de que o seu país não vale grande coisa e de que tem de fazer estas campanhas.

Os responsáveis pensam que tudo se compra com publicidade, mesmo ridícula. O resultado é o previsível.

Quem vir os cartazes e seja capaz de reconhecer aquelas individualidades de excepção pensará imediatamente que o país não tem mais nada a oferecer e pretende, com as excepções, convencer os estrangeiros.

Portugal não precisa desta campanha para nada. Para absolutamente nada!

Talvez o Governo precise, mas o país não.

Que se conclui desta série imparável de grotescas imbecilidades? Que António Barreto imagina-se a viver algures em 1940, ou até nos começos do século XIX, num país que não tem indústria do turismo nem necessidade de criar imagem em mercados internacionais para facilitar o investimento estrangeiro na economia nacional. Efabula poderes que não existem, como o das agências de publicidade. Ignora, ou quer que ignoremos, factos do domínio público, como esse de todos os anos haver campanhas promocionais de Portugal em diversos países, independentemente de quem ocupe o Governo, e isto há anos e anos e anos. Mergulha de cabeça no absurdo, ao postular que só os países sem oferta publicitam a sua oferta (quando é rigorosamente ao contrário). Esquece que o sector do turismo representa 11% do PIB, que os 6.200 milhões de euros de receitas cobrem 40% do défice. Baralha-se todo com as noções de publicidade e de propaganda, confundindo promoção turística com manipulação política. Não consegue entender que uma campanha publicitária, que tenha como marca Portugal, não é um ensaio de sociologia para avaliação académica nem documento destinado a substituir a História. Faz juízos de intenção ignóbeis de gratuitos; mas, acima de tudo, de tão estúpidos — seja quanto aos decisores, seja quanto aos públicos da campanha, seja quanto às disciplinas e objectos e conceitos e processos e dinâmicas e regras e estratégias da comunicação contemporânea. Enfim, evacua uma argumentação que será a mais vistosa de todas as saloiices que alguma vez lhe li.

Portugal não precisa deste Barreto saloio para absolutamente nada. Pertence à East coast of Europe.

68 thoughts on “Barreto saloio”

  1. Gosto do António Barreto. Sempre gostei. E como se faz com as pessoas de quem se gosta, sofro com a perda de sentido das palavras dele, como se fossem um pouco minhas.
    Portanto, caro Valupi, concordo perfeitamente com o que escreve. E digo-o com alguma mágoa.

  2. O AB não está acabado. Em declínio, sim, que os anos não perdoam, nem a ele, nem ao JPP, nem a nenhum de nós. Mas o pior não é isso. É este permanente e destrambelhado ataque de AB ao partido que lhe serviu de escada na ascensão a personalidade pública. É a inveja que o jovencito Sócrates lhe provoca por o ver triunfar onde ele falhou (e só poderia ter falhado) como político. É o desprezo e a raiva cega que AB sente por qualquer governante actual e por qualquer medida que este governo tome em qualquer área, em simultâneo com a maior indulgência e desatenção relativamente a tudo o que não seja socialista, BE incluído. Tudo isto não é senão o resultado da proximidade vizinha da intimidade que o intelectual AB criou ao longo dos anos com a boa alta sociedade que tanto gosta de o ouvir e ler que até lhe paga para ele o fazer. Assim fomos vendo como um antigo comunista, esquerdista, socialista, reformador e independente de esquerda se transformou, de aliança em aliança, de amizade em amizade, de artigo em artigo, num elitista e num oportunista sem horizontes nem princípios e, proximamente, num homem da direita mais desnorteada, aquela a que são conduzidos os sedentos de vingança contra o seu próprio passado. Pelo caminho foram ficando a independência, a isenção, a objectividade, a justa e serena inteligência que iluminaram as melhores fases da sua carreira de político e comentador. Há coisas bem piores do que velhice.

  3. Meus caros, o António Barreto prescinde da vossa comiseração e da vossa saloice ancestral… Foi preciso A.B. ter caminhado muito para chegar a esta visão realista do pessimismo actual. Enganam-se aqueles que o julgam um homem velho e acabado. Pobres infelizes!…

  4. “Olhe que não, Olhe que não, Valupi…”

    Quem vem a Portugal, não o faz pela publicidade enganosa, tantas vezes veiculada pelo nosso país (como neste caso, em que acho ridiculo confundir-se o país com duas ou três personalidades bem sucedidas).

    Vem ao nosso país porque gosta do nosso clima, da nossa simplicidade e da tranquilidade que encontra de norte a sul. Quem vem, regressa quase sempre. A melhor publicidade encontra-a no que os rodeia…

    Barreto não é barrete, nem tão pouco saloio. Talvez não seja apenas moderno, como o Valupi…

  5. É mesmo assim.
    Eu também fiquei com asco designadamente do texto de ontem do O PUBLICO.

    Um vergonha.

    O homem parec ressabiado. Será que gostaria de ter sido primeiro-ministro?
    Será que não teve os subsidios que pretendeu?
    Gostaria de saber detalhadamente o que o senhor tem feiro na vida.

    Como ministro da Agricultura não fez grande coisa.

  6. Os três exemplo, seguidos, que refiro são a amostra de uma atitude de constante distorção e difamação. Não sei qual a causa, sei que é confrangedor.
    __

    luis eme, o que é isso da publicidade enganosa? Não sei e gostaria muito de saber, para fazer da vida esse sempre aprender. Tomemos o exemplo da presente campanha, que abstruso raciocínio é esse que leva a “confundir-se o país” (!??!) com as personalidades escolhidas? Quem estará a fazer tal confusão? Eu ajudo: só quem não entende o que seja a publicidade.

    Aparentemente, consideras desnecessário qualquer investimento publicitário, posto que nos basta esperar pelos estranjas a banhos e sardinhas com sorrisos para que eles fiquem agarradinhos e não queiram outra coisa. É uma ideia que tem os seus méritos, sem dúvida, mas só como conteúdo para os Malucos do Riso.

  7. sílvia do carmo, tem a certeza de que está a falar em nome de antónio barreto quando diz que «ele prescinde…»? é que se não está, parece. pense. pode até acontecer que ele leia este texto e goste. as pessoas inteligentes até gostam por vezes de conhecer as críticas legítimas a seu respeito.

  8. Valupi, provavelmente deveria ter colocado publicidade enganosa entre aspas…

    O que eu quis dizer é que a “receita” de Portugal ser o país de Mourinho, Vanessa ou Mariza, é que é saloia. Não acredito que as pessoas nos visitem por esse facto.

    Visitam-nos pelo sol e praias do Algarve, pela limpeza e calmia do Alentejo, pelo verde do Minho, pela luz de Lisboa, pela beleza da foz do Tejo, pela história e arquitectura dos nossos monumentos, pela pureza paradísiaca dos Açores, etc. E é aí que deve estar a aposta da publicidade (claro que é apenas uma opinião…).

    O António Barreto, como qualquer verdadeiro socialista, tem o direito a sentir-se indignado com a política de direita seguida por Sócrates, mesmo com exageros, aqui e ali, assim como todos nós temos direito à nossa opinião.

    Fico muito triste se o nosso país for apenas o lugar onde nasceram o Mourinho, a Vanessa ou a Mariza, sem lhes beliscar o valor que têm.

  9. luís éme, está a presumir que a publicidade se destina àqueles que já estiveram em portugal e já conhecem essas venturas todas de que fala. mas não. se pensar em sítios onde nunca foi vai reparar que o facto de conhecer alguns dos seus habitantes, passados ou presentes, o ajuda a colocá-los no mapa. mesmo a mediatização de países em guerra, ou onde há catástrofes naturais, conduz menos ao seu reconhecimento por parte daqueles que nunca ouviram falar de tal sítio do que associá-los a uma figura muito conhecida. (bom, e ninguém se lembraria de usar a desgraça como meio publicitário, evidententemente, estava só a usar a situação como referência comparativa.) a publicidade deve ser chamativa. uma fotografia de uma praia ao pôr do sol não chama ninguém, o mundo está cheia delas. mas quem vê um cartaz, um anúncio, e diz «olha o mourinho!», vai reparar que o país do mourinho se chama portugal e que tem o sol a deitar-se em praias bonitas.

  10. Boa tarde e na “mouche” Valupi.
    António Barreto à marreta. Não está mal para quem andou pelo PCP já depois de Budapeste e PRaga…talvez não seja de espantar.
    Cumprimentos

  11. luis eme, muito bem. No campo das opiniões, cada um tem direito à sua e todas, num certo sentido, se equivalem. Eu nem discuto o acerto, ou desacerto, de considerar de “direita” o que este Governo tem feito. Do que falo é de uma exibição grosseira de ignorância relativa a aspectos básicos, e neutros, da actividade estatal e governamental – como o são as campanhas de promoção do destino e marca Portugal, actividades que no seu total têm uma orçamentação de 50 milhões de euros anuais, isto para receitas que ultrapassam os 6 mil milhões de euros, e sempre a crescer.

    Quanto à receita ser saloia, desculpa lá, é precisamente ao contrário. Saloios são os que a carimbam assim. Porque a campanha limita-se a seguir uma regra básica da actividade publicitária: colagem a celebridades. Se o público é internacional, então vão-se buscar os poucos nomes que terão alguma probabilidade de serem reconhecidos e estimados. É simples, e está sempre a acontecer em todo o lado, de Paris a Nova Iorque, de Tóquio a Londres. A menos que aqueles que vituperam a campanha estendam o critério ao resto do Mundo, tudo considerando saloio não importa o quê, pois a campanha segue os standards internacionais reconhecidos na indústria como sendo os de maior qualidade.

    A tua descrição de um Portugal hospitaleiro, soalheiro, prístino, típico, etc. já não dá conta das alterações no mercado turístico, nem nas necessidades estratégicas do turismo nacional. As questões são muito mais complexas e técnicas. Por exemplo, a Portugal já não interessa o turista que vem fazer praia, antes o que vem jogar golfe. Este, por sua vez, pode-se estar a marimbar para os monumentos, mas será sensível a uma oferta gastronómica de excelência, cara. E um longuíssimo etecétera. Seja como for, nada nesta campanha compromete a fruição dos clichés de um Portugal parado no tempo, anacronismo etnográfico e paisagístico. Pelo contrário, este novo posicionamento, resultante do conceito de comunicação “Europe’s west coast”, vem renovar a imagem de Portugal e acrescentar-lhe mais razões para merecer a atenção dos diferentes públicos. O que esta campanha consegue fazer, e precisamente, é vender Portugal sem qualquer vestígio de saloiice. É por isso que os saloios estranham, por estarem habituados e conformados com o Galo de Barcelos.

    E, por favor, não confundas o cu com as calças: o nosso país é o lugar onde vivemos e produzimos riqueza, para nós e para a Humanidade. Portugal é a soma de todos, e até mais. Se um poster publicitário faz perigar a imagem de Portugal no que ao seu valor histórico concerne (e seja lá o que for isso ou como se afira), algo de muito esquisito estará a acontecer nos neurónios de tal gente.

  12. Parabéns pelo post. Muito bem observado. António Barreto faz parte de um grupo de notáveis que entre o 25 de Abril e as legislativas de 2005 influenciaram todos os governos e todos os presidentes da República, uma vezes de forma institucional (Barreto foi ministro), outras de forma oficial (contratados como assessores, chefes de gabinete, autores de pareceres, presidentes de comissões disto e daquilo, etc.), outras ainda de forma oficiosa (audiências privadas em São Bento e Belém, muitas vezes seguidas de almoços ou jantares). Sócrates acabou com isso. Seja por arrogância, auto-suficiência, inibição social, “timidez”, menor estima pelos indivíduos, ou simples desprezo, não os ouve. Isso explica muito do seu (dele, Barreto) comportamento, como explica os de Vasco Pulido Valente, Marcelo Rebelo de Sousa, Medina Carreira, Manuel Alegre, Medeiros Ferreira, Henrique Neto e outro pessoal menor. Nenhum deles perdoa o ostracismo a que Sócrates (com proveito ou sem ele) os votou, sendo Marcelo o único que consegue disfarçar. O artigo em que Barreto (com recurso a uma figura de lítotes) chama fascista a Sócrates, dizendo de caminho que as liberdades estão ameaçadas, é uma vergonha. Houve quem lhe começasse a responder: vidé artigo de Pedro Magalhães no Público.

  13. Excelente posta
    E eu até gosto de o ler e ouvir
    Mas é isso, é uma ilha
    Penso que cada artigo que escreve é a sua catarse

  14. Tambem sou da opinião que o País ganha tendo o A. Barreto como cidadão.
    E subscrevo inteiramente as ultimas crónicas que escreveu no Publico.
    O A. Barreto não diz que Socrates é Fascista pergunta se é, pergunta que tambem eu me tenho feito varias vezes.
    O que acho que se deve salientar é a coragem do A.B. assumir que não concorda com as politicas deste Governo.
    No caso dele, pode-lhe custar a não nomeação para alguns cargos bem pagos, como acontece a tantos socialistas que seja qual for a politica do partido. Estão sempre de acordo, mas com o telefone sempre ligado.
    Não deve ser facil ter-se opiniões contra a corrente
    O que é engraçado é que só admiramos as pessoas quando estamos de acordo com as ideias.
    Que acharia o Luís Pacheco das politicas de Socrates
    Que acharia o Valupi das criticas do Pacheco, do verdadeiro Pacheco claro.

  15. Coragem? Opiniões contra a corrente? João, deves estar a brincar, não?

    A pergunta do Barreto é retórica: «Penso que não, mas sinceramente não sei» (cito de cor). Esta ambiguidade retórica é límpida como a água.

    «O que é engraçado é que só admiramos as pessoas quando estamos de acordo com as ideias.» Aconselho-te a reler com mais cuidado o texto do Valupi.

  16. Provavelmente vocês estão certos (Susana e Valupi) e eu é que estou ultrapassado…

    Não tenho nada contra esta publicidade da Costa Oeste, eu até sou do Oeste… é tudo uma questão, se calhar, até de idealismo, mas na verdade custa-me a entrar na cabeça, que um bom filme sobre a paisagem dos açores ou até de Lisboa, “venda” menos que a fotografia de Mourinho.

    Em relação ao António Barreto, ele tem direito à sua opinião, tal como nós às nossas. Ele agora é assumidamente “anti-socrático”, mas é difícil não o ser, se olharmos para a nossa saúde, justiça e educação, sem falar no resto…

  17. O António Barreto sei eu quem é, há mais de 30 anos.
    Um homem que sempre os teve no sítio. E continua a ter.
    Não é qualquer Valupi – quem? – que lhe morde os calcanhares.
    Ora porra!!!

  18. Jorge Nuno Rovisco e José Manuel Santos Ferreira, não posso concordar mais. E quanto à interrogação retórica com que embrulha a infâmia, estamos perante um acto cobarde.
    __

    Primo, és um bravo.
    __

    joao, a corrente de opinião só tem um sentido: Sócrates governa mal, pessimamente. É isto que lemos e ouvimos em todo o lado. E não mais do que isto, também, pois não se diz como se poderia governar melhor ou quem seja mais indicado para a tarefa. Claro, muitos não dizem nada porque não estão para perder tempo com o assunto, e uma parte destes acha que Sócrates governa bem, e até que não há alternativa à vista (com o que isso tem de mal, claro, mas também de bom, não esquecer…).

    Quanto ao que o Luiz Pacheco pensava das políticas de Sócrates, who fucking cares?
    __

    luis eme, talvez não seja uma questão de ultrapassagens, antes de condução pela via certa, em vez de se ir em contra-mão. Repara: há décadas que Portugal se tem vendido como praia, Algarve, Madeira, Açores. São constantes as referências a essas características da nossa oferta turística. Mas, que diabo!, não podemos inovar?… Para mais, trata-se de publicidade, ou seja, estamos no reino do efémero. No entanto, se for eficaz, se atrair mais pessoas, ou novas pessoas, terá sido eficaz. O que me irrita é a boçalidade argumentativa contra a campanha, não o facto de ela ser discutível e arriscada (que o é, e muito!).

    Quanto a Sócrates, ó luis eme, mas acaso não é o seu Governo aquele que se segue ao guterrismo, ao barrosismo e santanismo? Acaso não está o homem há apenas 2 anos no Poder? Acaso não há alterações profundas a acontecer em vários sectores, mesmo se em menos do que gostaríamos e em ritmo mais lento, ou extensão mais reduzida, do que a nossa ilusão julga possível? Nenhuma discussão sobre o Governo que o descontextualize da História e da política é séria.
    __

    Ora porra, concordo contigo.

  19. O Valupi, trabalhador da Publicidade, tinha que fazer da dita cuja uma virgem ofendida, como se ela não tivesse um preço. Afinal, este homem Valupi ainda não conseguiu sair do seu próprio estirador, digo, computador. Mas prometia mais…

    Susana:
    Os chocolates já se acabaram?!…

  20. Boa noite Valupi,
    e o meu acordo à sua crítica a António Barreto.
    Para aqueles que acham que o homem sempre os teve no sítio recordo que foi militante do PCP já depois de Budapestes, XX Congresso do PCUS, Praga, etc e já era crescidinho não era propriamente um adolescente.
    Curioso também saber quantos dos que agora gostam dele ( ou das suas crónicas )não lhe terão chamado fascista no tempo da Lei Barreto.
    Quando começamos a ser moralistas é no que dá.
    Cumprimentos

  21. sylvia, hoje a caixinha é de blue rose. praliné. queres?
    a tua primeira frase não diz coisa com coisa.
    e com franqueza, depois de tanto tempo, e tantas saudades, esperava que tivesses algo de novo para perguntar… que decepção, silvinha, oh que desgosto!

  22. Detesto estar tantas vezes seguidas de acordo com o Valupi. António Barreto contra a corrente? Só por alucinação. A comunicação social está quase toda em cima do Sócrates a vasculhar, a salpicar, a abanar, a acusar, a demolir desde a campanha eleitoral para as legislativas. Elogiar Sócrates, hoje, é que é contra a corrente. E quem o elogia? Dêem-me exemplos tirados dos jornais ou da televisão dos últimos meses. Há é uma malta despeitada e cega, desesperada e raivosa só porque a televisão noticia o primeiro ministro a inaugurar uma obra e não abre com a última bacoquice do Foleiripe Meneses. Há gente que fica com gastrite e tremeliques nas mãos só de ver o Sócrates a presidir a uma cimeira europeia. AB “verdadeiro socialista”? Gargalhada. Ele nem social-democrata é, nem coisa nenhuma. Está por conta do seu ego e do seu bolso. AB com os tomates no sítio? De que tomates é que ele precisa para escrever no Público o que o Belmiro gosta de ler ou de dizer na SIC o que o Balsemão gosta de ouvir? Ter realmente tomates implica rapidamente não ter onde se fazer ler ou ouvir…

  23. Mas esta campanha é muito feia. As caras das pessoas parecem estar em plena decomposição física, o nome de Nick Night parece-me um nick do tempo do Justiceiro. Para mim que sou do mais comum que existe esta imagem de Portugal é feia. Não tenho mais opinião. É nojento ver o rosto de alguém assim deformado, provoca-me repugnância.

  24. Os opinion makers (coisa horrorosa!) que nos vêm oprimindo há mais de 20 anos estão acabados, de facto, caro Valupito, sem ofensa. Melhor pensando, tens toda a razão. Os gajos estão completamente OUT! Arrisco-me a afirmar que esta é uma das grandes vitórias do José Sócrates. O tipo tornou-os obsoletos, démodés, ridículos. Valentes pouco polidos, Pachecos, Barretos, Medeiros, Medinas, despeitados de tout poil e quejandos estão irremediavelmente OUT! Os novos fazedores de opinião, honestos, isentos, justos, sabedores, competentes estão aí a despontar. Alguém aqui acima citou o Pedro Magalhães, que hoje deixou no Público uma clarividente, diria mesmo uma portentosa coluna intitulada “Liberais de pacotilha”. Não pôs, por modéstia ou timidez, os nomes nos bois, mas qualquer distraído reconhecerá os bichos. Outros colunistas há, no DN, raramente até no Público, que nos cativam com o dom da razão, da palavra e da ideia. Prestemos atenção a esses, a quem está a aparecer, a quem merece.

  25. «Esquece que o sector do turismo representa 11% do PIB, que os 6.200 milhões de euros de receitas cobrem 40% do défice.», Published by Valupi Janeiro 6th, 2008.

    O défice é, por definição, uma diferença (de valor negativo) entre receitas e despesas DO ESTADO.
    As receitas (ou, melhor dizendo, os proveitos) de um dado sector de actividade (o turismo) são receitas DE UM SECTOR DE ACTIVIDADE.
    As receitas do turismo (ou de qualquer outro sector de actividade) não cobrem o défice do Estado.
    E, de todo o modo, um défice é uma diferença, é, por natureza, um “descoberto”. Nada o cobre.

  26. E já agora, quem é Nick Knight ?
    É tecnicamente correcto, em termos de comunicação e de gestão de marca, dar ao nome “Nick Knight” uma expressão (lettering e dimensão da letra) igual à do headline (“Retratos da Costa Oeste da Europa”) relativo ao produto/conceito que se pretende promover ?
    Faz sentido, sequer, incorporar o nome “Nick Knight” na Campanha, mesmo que com uma expressão (lettering e dimensão da letra) inferior à utilizada, por exemplo, igual à que é dada ao nome “José Mourinho” ?
    O público alvo é suposto saber quem é Nick Knight ? E se não é suposto saber, então, para quê a sua inclusão ?
    Faz sentido enfiar este barrete saloio na cabeça do público alvo ?
    Podemos criticar a Campanha ? Ou isso contraria os superiores interesses da nação ?

  27. AS, aqui tens:

    http://www.showstudio.com/contributors/192

    por exemplo, oliviero toscani, diz-te alguma coisa? é que o nome nick knight, para uma clientela mais sofisticada, como a que qualquer promoção turística deve desejar, é tão chamativo como o mourinho é para a malta restante…
    sem discordar que a campanha pode ser discutível, como outra coisa qualquer o será.

  28. Acabados, não diria. Há dias bons (cada vez menos, concordo) e dias maus (ides ver quando lá chegardes). Barreto teve um dia mau. Desacordo total. Não vejo mal, algum em usar figuras de sucesso para promover o país e nem um bêbado sem a quarta classe e distraído se lembraria de achar que o país era todo composto por mourinhos. Caramba, é como um gajo abstémio, com a quarta classe e atento (eu, agora) olhar para George W. Bush e achar que os americanos são todos umas sanguessugas capitalistas.

    É um grande texto de Valupi, é sim senhor.

    “Os novos fazedores de opinião, honestos, isentos, justos, sabedores, competentes estão aí a despontar.” é munto adjectivo junto… vamos tirar daí o isentos e justos, para começo de conversa.

  29. Gui, tudo bem. Não estarás sozinho na opinião.
    __

    Nik, o texto do Pedro Magalhães é, de facto, um mimo de racionalidade, elegância e açoites nos rabiosques de muita dinossauro excelentíssimo. O Jorge Nuno Rovisco, aqui em cima, e que o recomenda, apresenta um diagnóstico que me parece a radiografia (aliás, o TAC) da situação: Sócrates não precisa da corte, a corte conspira contra Sócrates.

    Mas, lá fora, o povo já vai montando as guilhotinas.
    __

    AS, concordo com o remoque lexical. E que tal se trocarmos “cobre” por “corresponde”?

    Quanto à campanha, ela é, principalmente, para a Alemanha e Reino Unido. Se não é claro qual seja a percentagem de alemães e britânicos, em condições de viajar para Portugal, que conheça Nick Night, uma outra coisa, porém, te posso garantir: ninguém está preocupado com o tamanho das letras. Ninguém? Alguém. Porque uma aldeia de saloios persiste em invocar os seus peculiares critérios estéticos, ou de design ou de direcção de arte ou de composição ou de quiromancia, para maldizer a opção. E quanto a criticar-se a campanha, não há nada melhor para um publicitário ou, mesmo, para um anunciante: que falem do seu trabalho. Estás, pois, a contribuir para a Nação com o teu gosto.
    __

    Paulo, claro que ninguém está acabado. Mas talvez haja um tempo que se esteja a acabar. O tempo de uma displicência que acaba por ser corrosiva da democracia. Tal como dizes, se podemos apagar os atributos “isento” e “justo”, pode ser que nos tornemos cada vez mais exigentes com as características “inteligência” e “coragem”.

  30. O Valupi deve ser primo do Pedro Bidarra ou do Mealha da RMAC. A verdade é implacável: Barreto está decadente mas tem razão sobre esta campanha, que não serve a ninguém a não ser a quem a fez, fotografou e imprimiu. Uma vez mais, uma nova imagem de Portugal que é, afinal, o vazio da imagem… Não me imagino inglês, espanhol ou italiano e chegar a casa, abrir uma revista, ver um Ronaldo mal fotoshopado com umas ervas ou um bocado de mar, virar-me para a minha mulher e dizer: – Bora lá passar férias a Portugal! É que sempre vamos à West Coast, amor! Não sei se aquilo tem praia ou calhaus, mas o Ronaldo é de lá… Ou a Mariza! Amor, a Mariza! Bora a Portugal!
    Please, não façam dos turistas estupidos e menos ainda dos Portugueses, que percebem para onde foi o dinheiro e que compromissos ele paga…
    Quer mais, Valupi: Leia a Monocle dedicada aos países/marcas. Está lá tudo – até a triste história da publicidade e propaganda a Portugal e como ela chegou a mais este triste episódio, que em breve será substituído por outro, mais não sei quantos milhões, o país na mesma, os turistas às cegas, o costume…
    Uma tristeza, que os Valupis deste mundo elogiam. Percebe-se…

  31. O Valupi, afinal, não passa de uma pescadinha de rabo na boca.
    Trata-se, portanto, de uma questão de autobotão-de-rosa.
    Ora porra!!! Ou antes, que lhe faça bom proveito.

  32. Melhor, melhor mesmo só o Sócrates a elogiar-se a ele mesmo. Aí está um caso paradigmático: para estancar uma certa verborreia (em que se atacam as pessoas quando não temos engenho para criticar as ideias): uma Aspirina tomar Ultra-Levure. É optimo para regular a flora intestinal.

  33. Moi, confirmo que conheço o Bidarra. E até que já trabalhei com ele, uns anitos. Mas ele não é um primo, falta-lhe o Costa. Quanto aos teus considerandos sobre a campanha, fico preocupado. Se a leitura da Monocle te provoca uma regressão pavloviana, talvez seja melhor leres outras coisas.
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    Ora porra, cada vez concordo mais contigo.
    __

    RMG, tenho a nítida sensação de que tentaste expressar uma qualquer ideia, mas… falhaste.

  34. Valupi, esta campanha é uma versão de tantas outras que foram experimentadas em nome de todos nós, de Portugal que assim tem navegado nas águas das ideologias. Desde os tempos do Avril au Portugal que a esta idealização se junta a do “estrangeiro” “civilizado” que “bondosamente” nos olhará através destes “olhares”. Desta vez toca-nos a ideia de uma west coast no que supostamente nos fará passar de burro para cavalo. Ofende-me a estética e isso até pode ser indiferente mas o que subjaz traz outros motes dos quais o mais significativo e simbólico é a continuação no tempo e no modo de “Abril em Portugal” escrito para épater les bourgeois. Much Ado About Nothing? Nem por isso. Custou dinheiro e segundo percebo agora nem terá sido pouco. O costume, portanto. Vira o disco e toca o mesmo. Sem tirar nem pôr. Salazar já é ícone pop, qual o problema de vermos Portugal vendido como uma Costa Oeste onde pontuam caras deformadas de portugueses conhecidos aquém e além mar, uno e eterno como esse criativo esperto cujo nome ignoro.

  35. Gui, estás a ver mal coisa. A publicidade, essa narrativa que se compraz na sua efemeridade, não almeja a ser tese identitária, apenas proposta lúdica que chama a atenção para uma qualquer característica (real ou ilusória). O dinheiro que a campanha custou é nada quando comparado com a vantagem em ter uma qualquer campanha. É que a publicidade rende, mesmo que não se saiba ao certo porquê, e é por isso que ela persiste como inevitabilidade do marketing. Não tenhas medo da espuma dos dias.

  36. Valupi, eu não tenho medo da espuma dos dias e percebo tanto de publicidade como do que me acabas de escrever. Tem lá paciência com uma pessoa que não é ninguém e que se limita à vida de todos os dias. A ser tal como falas, que o dinheiro gasto numa campanha é nada quando comparado com a vantagem de uma qualquer campanha proponho-te uma qualquer campanha a custo zero e sempre se poupam euros. Falando a sério, fui à procura de alguém que me ajudasse a explicar o que te queria explicar, desculpa tratar-te por tu e mais uma vez peço desculpa pelo que vou fazer: copy/paste de frases que julgo falarem melhor do que eu ou tu que pareces dominar bem o meio dos nomes que fazem a publicidade que tantas vezes nos passa ao lado e outras não. São de David Ogilvy e parecem-me exemplares:
    1. A good advertisement is one which sells the product without drawing attention to itself.
    2. I do not regard advertising as entertainment or an art form, but as a medium of information.

    Quando olho para esta campanha Portugal apenas vejo a campanha, não vejo Portugal, se o não conhecesse não era a olhar para a cara da Mariza e do Mourinho deformados que iria saber mais ou sequer querer saber mais. Pelo contrário, quando vi pela primeira vez uma campanha da Croácia fiquei desejosa de ir até lá. tratava-se de uma modesta e banal campanha que mostrava de forma clara um país cujo “rosto” desconhecia. Melhor não consigo dizer.

    Obrigada pela atenção e tempo gasto comigo.

    Margarida

  37. Nik,

    acha mesmo que é absurdo criticar uma campanha turística por pôr caras de portugueses conhecidos em vez de fazer alusão às paisagens, à gastronomia, enfim, ao património físico português.

    Noto nessa crítica ao suposto aburguesamento de Barreto e às suas ligações à “alta sociedade” aquile fenómeno psicológico conhecido por complexo de esquerda. É muito comum nos socialistas. Vivem mal com a condição, pescam na terminologia e na retórica marxista sobretudo o que eles detestam é que distância à autoridade (seja política e de facto, ou social e latente). No fundo o que eles queriam era substituir a “alta sociedade” existente por uma outra em que eles, os defensores imaculados dos pobres e favorecidos seriam obviamente os protagonistas.

    O PS está cheio de gente de meias tintas, é o tipico partido do burgois no pior sentido do termo. à imagem da postura de Sócrates e deste governo, gritam aos sete ventos contra a desigualdade e a pobreza mas na verdade o que os move é a inveja, o complexo de inferioridade e a ambição de substituir os que criticam no estatuto e na autoridade. Um vez lá, são intratáveis e “nem sequer são amigos dos pais” como dizia o Herman.

    Os estereótipos não correspondem à verdade das coisas porque não são exactos, mas as opinioes do Nick são muito sugestivas a este respeito e nao pude evitar ser transportado para essa caricatura do homem do ps.

  38. «… uma outra coisa, porém, te posso garantir: ninguém está preocupado com o tamanho das letras. Ninguém? Alguém.», Valupi Jan 8th, 2008 at 1:30

    O autor é maior do que a (ou do tamanho da) obra. Só ao alcance dos génios. Num quadro, por exemplo, a assinatura do pintor (nome do fotógrafo) pode perfeitamente ser do tamanho da tela (mensagem publicitária).

  39. «… uma aldeia de saloios persiste em invocar os seus peculiares critérios estéticos, ou de design ou de direcção de arte ou de composição ou de quiromancia, para maldizer a opção.», Valupi Jan 8th, 2008 at 1:30

    Uma aldeia de sábios arrogantes (uma saloiada elitista) persiste em invocar os seus peculiares critérios estéticos, ou de design ou de direcção de arte ou de composição ou de quiromancia, para maldizer (ou bemdizer) a opção.

  40. «… uma aldeia de saloios persiste em invocar os seus peculiares critérios estéticos, ou de design ou de direcção de arte ou de composição ou de quiromancia, para maldizer a opção.», Valupi Jan 8th, 2008 at 1:30

    Os membros do clube de fãs do cinema francês e os realizadores de cinema francês, que acham que nós devemos ver cinema francês (e documentários húngaros e desenhos animados polacos) para podermos ser considerados verdadeiramente cultos, estão-se completamente nas tintas para a opinião e o gosto dos espectadores.
    O que interessa é o que pensam os membros do clube de fãs e os burocratas que vão aprovar o subsídio nos anos seguintes.

  41. « Estás, pois, a contribuir para a Nação com o teu gosto.», Valupi Jan 8th, 2008 at 1:30

    O meu comentário de 8.Jan.2008, às 0:14 discute a Campanha em termos de critérios de inclusão do nome de um fotógrafo no mesmo headline em que figura o conceito/produto a promover e com a mesma expressão visual do próprio headline.
    Também poderia haver uma questão de gosto. Gosto que posso ter mas sobre o qual não me pronunciei.

  42. Concordo em absoluto com a perspectiva lúcida do Nik e com a essência deste Artigo de Valupi.

    Não obstante (e para contrariar as teses maniqueístas), estou perfeitamente de acordo com o A. Barreto quanto aos defeitos desta campanha publicitária.

    A minha questão é apenas esta: se ela se destinava a teutónicos e britânicos, para quê mostrá-la, para mais desta forma chocante e agressiva, aos pobres dos portugueses? Será que eles fizeram alguma coisa para merecer estes rostos esquálidos e estas cores mórbidas escancaradas à sua frente em cada empena de Lisboa? Será que eles não conhecem ainda suficientemente quem são o Mourinho, a Mariza, o C. Ronaldo? Será que eles não estão familiarizados com a realidade do País em que vivem? Então para quê tanta poeira para os olhos?

    Não falando já nas questões mais “mesquinhas”, como os estratosféricos custos desta “campanha”, penso que escancarar este Brutogal da treta aos olhos dos portugueses, num tempo de vacas magras e de sacrifícios incontáveis, para mais num TEMPO SEM IDEAIS, SEM PERSPECTIVAS E SEM ESPERANÇAS, onde o que o Futuro nos reserva com maior probabilidade é descermos ao fundo dos 27 e sabermos que as nossas reformas nunca serão aquilo que os amanhãs que cantavam nos afiançaram, esta “campanha publicitária” vergonhosa é um insulto e uma provocação aos trabalhadores portugueses sem segurança, aos jovens portugueses sem emprego no seu País, aos Pais portugueses sem esperança no Futuro dos seus Filhos!

    Saloios? Nós, os que conseguimos ver que “o rei vai nu”? Ou antes insensíveis e perigosamente autistas os deslumbrados com a espumosa modernidade que enche os caixotes de lixo em cada “day after” que pensavam que, com este tipo de papas e bolos fariam de nós todos tolos?

  43. Margarida, trato todos por tu, sem excepção. Por várias razões, uma delas económica: gastam-se mais caracteres em “você” do que em “tu”. Quanto ao que trazes, sou eu que te agradeço. Ler Ogilvy é sempre proveitoso. Apenas acontece que ele é um entre muitos. Não há vacas sagradas na publicidade. Para mais, uma vaca (boi) de um outro tempo não é especialmente relevante. Mas, mesmo no tempo dele, não havia unanimidade (como é inevitável que não haja, vai sem explicação).

    Há duas dimensões na tua experiência: a emocional e a conceptual. Emocionalmente, não gostas porque não te identificas, estranhas. Esse agarramento à tua resposta subjectiva (a qual é legítima, boa para ti) impede que te afastes o suficiente para começares a pensar na campanha por si mesma, a avaliar o seu conceito de comunicação. Repara: a campanha não foi pensada para te agradar a ti… Está aqui uma das chaves para descodificar as peças de publicidade.

    Obrigado eu, nós, pelas tuas palavras.
    __

    AS, o teu problema tem fácil diagnóstico: tu ainda não entendeste a campanha, ou sequer a percebes. Mas pode ser que alguém te explique. Por exemplo, que alguém te explique que os ingleses vêm para Portugal passar férias desde os anos 60. O que significa que há várias gerações de ingleses repletos de memórias de Portugal. E que estes ingleses gostam de futebol. E muito. E que quando duas personalidades portuguesas atingem o estrelato máximo em Inglaterra por causa do futebol é, então, inevitável que nenhum inglês ignore serem Cristiano Ronaldo e Mourinho portugueses de Portugal. Donde, uma campanha que se limitasse a informar os ingleses que Portugal tem praias, que o Algarve é português e que Mourinho e Cristiano Ronaldo beberam leite materno em Portugal seria uma redundância destinada à indiferença. Pensou a agência em vender uma ideia, não as personalidades que já estavam mais do que publicitadas. As personalidades iriam ser chamadas para doarem um pouco da sua fama para iluminarem essa ideia. E essa ideia é a de que Portugal é a costa oeste da Europa. Por essa razão, pediu-se a um fotógrafo que interpretasse artisticamente esse conceito. Coisa que ele fez, como as fotos não deixam mentir. Logo, as fotos não tinham a intenção de anunciar os modelos fotográficos, era ao contrário – os modelos estavam lá para que mais pessoas olhassem para as fotografias. Porque as fotografias concretizavam a intuição poética, e conceito de comunicação, da ideia presente na assinatura de campanha. Ideia essa que pode ter as mais diversas aplicações e execuções. E é isto que alguém, com sorte, pode ter a gentileza de te explicar. Eu não o faço só porque não tenho tempo.
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    A. Castanho, muito obrigado por esse galhardo texto. Contudo, confundes uma campanha destinada a aumentar a riqueza do País (promovendo o turismo e o investimento) com um conjunto de questões que em nada se relacionam com a questão. E só uma coisinha: em tempo de vacas magras é que mais falta faz a capacidade para investir e inovar.

  44. Eu não disse uma palavra em apoio da campanha de promoção turística de Portugal, cujo dinheiro ME PARECE que poderia ter sido gasto mais eficazmente em prol do mesmo fim. Não ponho em causa as fotos do Nick Knight nem a concepção da campanha publicitária em si, que acho de qualidade. Estou a falar de eficácia, ou seja, de eficácia económica. De dinheiro talvez melhor gasto numa promoção diferente. Mas, como estou no domínio das impressões leigas, nada mais tenho a dizer sobre isso.

    O que eu acho é que AB instrumentaliza tudo o que lhe venha à mão para o jogo do BOTA ABAIXO contra este governo e contra Sócrates muito em especial – uma obsessão ad hominem de que seria giro um dia investigar as raízes profundas. Para além de outras análises tendenciosas que faz, AB está um pouco nesse artigo como aqueles que durante o Estado Novo eram incapazes de destrinçar propaganda turística de propaganda política: para eles era sempre tudo “propaganda fascista”. Recordo até a recriminação cabotina que nos anos 50 Simone de Beauvoir fez do uso generalizado de gerânios às janelas em Portugal, com que se pretenderia, segundo ela, disfarçar e enfeitar a miséria a que o regime condenava o povo.

    O problema com AB é que, enquanto durar o governo de Sócrates, qualquer imagem positiva de Portugal – uma inauguração, uma cimeira bem sucedida, uma evolução positiva dum indicador económico – o irrita e o põe completamente fora de si. Neste ou noutros artigos dos últimos anos, o antigo colunista apreciado pela sua independência e lucidez cede à facilidade, à superficialidade, à emotividade, à clássica demagogia (incluindo a demagogia saloia), à acusação soez. Nem os alegados “tomates no sítio” tem, se não chamava mesmo fascista, com todas as letras, ao seu inimigo de estimação. Isto deixa antever o pior para a fase final da carreira de comentador político de AB, cuja credibilidade e isenção estão a ir pelo cano abaixo, irremediavelmente.

  45. “Noto nessa crítica ao suposto aburguesamento de Barreto e às suas ligações à “alta sociedade” aquele fenómeno psicológico conhecido por complexo de esquerda.” (Diogo)

    Complexo a tua avó, pá. Não estou a falar de ligações platónicas, clubísticas ou sentimentais, mas da prestação de serviços de um intelectual aos meios empresariais em que se move como peixe na água. Se não sabes do que estou a falar, informa-te. E deixa a tua avozinha sossegada.

  46. «AS, o teu problema tem fácil diagnóstico: tu ainda não entendeste a campanha, ou sequer a percebes.», Valupi Jan 8th, 2008 at 19:39

    Valupi, o teu problema tem ainda mais fácil diagnóstico: és fantástico, sabes tudo … és fantástico !

  47. «as fotos não tinham a intenção de anunciar os modelos fotográficos», Valupi Jan 8th, 2008 at 19:39

    E eu disse que tinham ? Já que falaste de bola isto é o que se pode chamar um remate ao lado da baliza. Estás a rebater argumentos ou comentários que não são meus. Não entendeste o que escrevi, ou sequer o percebeste.

  48. A Barreto, da campanha, bastava dizer com 16 letrinhas: é uma valente merda. Como é homem de cultura (e pago à linha, ao que se diz) resolveu espraiar-se em divagações filosóficas para justificar o injustificável.
    A Valupi, da campanha, bastava dizer com 16 letrinhas: é uma valente merda. Como é pessoa de cultura (não sei se paga à linha) resolveu espraiar-se em divagações filosóficas para justificar o injustificável.

    Candeias

  49. O Sócrates não é fascista, mas arrogância não lhe falta. Aliás, hoje em dia, o totalitarismo dispensa o Estado repressivo, mas não a normalização dos comportamentos. A ordem do dia é a sanha eugénica em curso. É disso que António Barreto fala. Lendo este post, não há dúvida que os spin doctors em volta do Governo andam a conseguir enganar muita gente.

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