Um livro por semana 277

«Manifestos contra o medo» de Luís Norberto Lourenço

Juntar em livro um conjunto de artigos de opinião dispersos por jornais, revistas e fanzines, é aquilo a que qualquer autor aspira. Luís Norberto Lourenço (n.1973) junta em 211 páginas uma intervenção cívica desde 1995 até à actualidade, partindo da ideia-chave de um artigo em 2004: «O cidadão não queria saber da política mas a política queria saber dele».

A propósito da política local (Castelo Branco) o autor afirma em 2001: «O medo atrofia o pensamento e a acção. O medo limita, quando não mata, a criatividade, a crítica. Hoje teme-se tudo e todos. Poucos são aqueles que ao escreverem não medem as palavras, com receio que lhes venham pedir contas. Não há censura política mas a censura económica sente-se sendo primordialmente causada pelas grandes (e pequenas) concentrações dos meios de comunicação social: periódicos (revistas e jornais), rádios e televisões. O maior problema que a censura acarreta é a auto-censura. Para lutar contar isto assino sempre com os meus três nomes (Luís Norberto Lourenço) para não ser confundido com mais ninguém; serei sempre o responsável, para o bem e para o mal, pelo que digo e escrevo.»

Noutro texto em 2003 o autor volta ao tema: «O boato é uma arma ao serviço do medo. Como desmascarar uma mentira? Como derrotar um boato? Ignorando-o, deixando-o seguir impunemente o seu caminho de difamação? Combatendo-o, alimentando a besta ao dar-lhe publicidade? O boato é uma arma perigosa, num cenário de guerra suja (como se alguma fosse limpa!). Ainda por cima, quando os boatos são base de notícias, não apenas de pasquins mas de outros órgãos de informação que lhe deviam estar imunes, deixando-se levar pelos argumentos «um boato tem sempre alguma coisa de verdade e «não há fumo sem fogo».

(Editora: Casa Comum das Tertúlias, Prefácio: Luís Raposo, Capa: Joaquim Leite, Foto: Racheal Geirinhas, Revisão: Pedro Salvado, Apoios: Câmara Municipal de Castelo Branco, Instituto Português da Juventude, Junta de Freguesia de Castelo Branco)

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