Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Os utentes do Metro de Lisboa, para além de receberem diversos jornais gratuitos, podem também assistir àquilo a que o meu amigo Ruben Coelho chama o «telejornal dos pobres». Trata-se de uma mistura manhosa de vídeo clips, de notícias e de publicidade, pura e dura. Pois hoje a manchete desse telejornal do Metro era o facto de haver uma pessoa em Portugal, um chamado servidor do Estado, a receber uma pensão de apenas 26 euros. Custa a perceber como é possível nos dias de hoje alguém receber uma pensão de 26 euros mensais.

Lembrei-me logo da espantosa história do mancebo Darius King, um americano que nasceu em 1797. Em 1814, depois de ter participado na chamada «guerra de 1812», foi desmobilizado e saiu das fileiras. Passou à disponibilidade, como nós dizemos. Começou então a receber uma pensão. Tinha 17 anos. Em 1869, já com 72 anos, casou com uma jovem senhora que tinha nascido em 1849. Morreu 18 dias depois de ter casado. A viúva, a senhora King, recebeu do Exército americano uma pensão de viuvez até ao ano de 1938, ano em que morreu com 89 anos de idade.

A grande curiosidade desta história espantosa está em que o mancebo Darius King esteve alistado no Exército americano apenas 54 dias mas a pensão que lhe foi paga a ele (primeiro) e à viúva (depois) prolongou-se por 124 anos ou seja desde 1814 até 1938. Aqui fica a espantosa história do mancebo Darius King que serviu o Exército americano durante apenas 54 dias.

José do Carmo Francisco


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