«Hoje, a linguagem do esclarecimento volta a ser transformada em instrumento de obscurantismo. Esta dinâmica invertida, ou este fator de apropriação indevida, transforma cada acto de responsabilização em “ataque”, cada crítica em “censura”, cada investigação em “perseguição”. A “segurança” torna-se eufemismo para repressão de minorias e “liberdade” significa direito a incitar violência sem consequências. Como um espelho aldrabão que reflete sempre a imagem inversa: o agressor vê-se como agredido, o opressor como oprimido.
Estamos, na verdade, perante uma estratégia deliberada de destruição efetiva, que não é ingénua nem resulta de confusões semânticas. Visa, sim, matar-nos a alegria e os próprios referentes éticos básicos que protegem a humanidade do caos e da autodestruição. Se “discurso de ódio” pode significar seja o que for, então não significa coisa nenhuma. Se “liberdade de expressão” protege igualmente a dignidade humana e a sua negação, então não protege realmente nada. Se a “tolerância” inclui a intolerância, então deixa de o ser. Esta erosão dos fundamentos da política não visa apenas confundir o debate público, mas impossibilitar qualquer orientação ética. Como se alguém trocasse sistematicamente as bússolas de uma cidade inteira: todos os caminhos conduzem a lugares errados, mas mantém-se a ilusão de mapeamento e orientação.»
tem piada, fico com a sensação, pelo pouco que consegui ler do texto, que a graça acha que não é só o sono da razão que cria monstros, mas que a dependência total da racionalidade, reprimindo ou esquecendo a emoção, também tem essa capacidade de nos transformar a todos em monstros, desde que alguém mal intencionado (e uma das falácias socráticas que mais permanece no inconsciente colectivo é a de que alguém que defenda ideias injustas está enganado ou é burro) se dê ao trabalho de virar de pernas para o ar todos os referentes éticos racionais de que dispomos e em que nos apoiamos. Nesse caso super-hipotético, seríamos capazes até de defender genocídios com base em argumentos lógicos e racionais.
mas pode ser só impressão minha.
sim , claro , deixamos o enxame de vespas que o costa mandou vir poisar e picar à vontade sem reagir. adoro estes discursos que ignoram os factos novos , introduzidos sem nos consultar , e que fazem apitar instintos. então , depois da manifestação “convidados” a exigir entrar no governo da casa ?
de post sobre teorias de conspiração sobre o assassinato do charlie kirk, até porque mnhã é o dia da rapture e depois os evangélicos não os vão ver
” Nesse caso super-hipotético, seríamos capazes até de defender genocídios com base em argumentos lógicos e racionais.
mas pode ser só impressão minha. “
esse meu comentário defendeu genocidios? uau, bebé!
achas-te capaz de explicar como ou preferes teorias de conspiração sobre o assassinato do kirk?
anda, querido, sem medos
Isto é tudo conversa de lana caprina. Tudo!
Respeitem o outro, a liberdade do outro não pensar como nós. Não é preciso mais nada.
A Graça, o Valupi… e outros pseudo donos das definições certas de ética, da ilusão do mapeamento e da orientação dos outros, são alguns dos melhores exemplos de intolerância. Mas não conseguem ver. São iguais, ou piores, que aqueles que atacam. Em vez de garantirem a existência das bases de assentamento de uma sociedade na heterogeneidade e na diferença, tornaram-se, caso lho permitissem, veículos de homogeneização obrigatória. Discurso de ódio é como o Natal, é quando um homem quiser.
@Valupi
Hm… O argumento graciano implica que as muralhas dessa tua Polis estao a ser defendidas por uma cambada de criancas mimadas e irresponsaveis.
Por um lado as ferramentas politicas que a Graca se queixa de mau uso nao sao, nem nunca foram neutras:
Foram embutidas com estruturas de poder no seu design, apresentandadas como neutras ou universais, mas na verdade privilegiando uma determinada posicao de poder.
Quando alguém subverte essa estrutura – viz presente – a reação da Graciana (subscrita por ti) revela muito mais o desejo de manter o controlo, e não uma preocupação genuína com justiça, abertura – com a Polis portanto…
A Graca nao faz mais que defender o status quo ante do poder proprio disfarçada de objeção moral.
Por outro lado,
Aceitando que o que se passa e um mau uso destas ferramentas politicas, entao quem as desenhou falhou clamorosamente em antecipar ou gerir responsavelmente as consequências de permitir o seu uso geram sem salvaguardas.
A reclamação reflecte uma falta de previsão ética, especialmente se as ferramentas agora causam dano ou desvantagem para a Polis.
Falha etica cuja responsabilidade rejeitam de forma anti-etica…
Nao tenho pena nenhuma das Gracas desta vidinha, Valupi.
Era o P sem “S” e achavam-lhe muita graca. A breve trecho sera sem “P” tambem e deixaram de achar graca ao processo de “letter dropping”?
Deixo-vos um exercício:
– Eu tendo a ser contrário ao aborto. Sou dos que acha que todos os passos possíveis e imaginários deveriam ser dados até que se decida por uma morte humana embrionária ou fetal.
Será isto uma porta para me considerarem perto, ou dentro, do discurso de ódio?
– O meu vizinho é favorável à transformação sexual. É dos que acha que a partir dos 16 anos, sem a autorização ou opinião dos pais, qualquer jovem poderá dar inicio a tratamentos hormonais e/ou outros que culminem na remoção de parte do seu aparelho reprodutivo e o substituam, ou acrescentem, por outras peças cirúrgicas que desempenhem um determinado efeito estético esperado.
Será isto uma porta para o considerarem perto, ou dentro, do discurso de ódio.
Ou será que o respeito pelo outro; o esforço desinteressado pelas necessidades do outro; a tentativa de diagnóstico com bom senso, são a garantia de agir com boa vontade, seja qual for a barricada em que cada um está?
Há uma palavra que se tornou proscrita, porque é tida como impositora, que é juízo.
“Os destruidores deste mundo vivem de acusar de “extremismo” ou “radicalismo” aqueles que defendem a igualdade inexorável dos seres humanos, a vida em comum, o respeito mútuo e os direitos de cidadania”
basta ler isto para perceber que de boas intenções e gente armada ao pingarelho está o inferno cheio : a vida em comum só é possível partilhando os mesmos valores culturais , e se bem todos os homens são iguais , as suas formas de estar no mundo não a são ( cultura?). há que arranjar um denominador comum , e não é à custa de um , terá de ser mediado.
e toda a gente defende , em teoria , os clichés da senhora.
Miguel M Elias: Acredita em mim. Nenhuma mulher te vai perguntar se deve ou não deve ter a criança.
Penélope, mesmo que eu seja o pai da dita? Deveria?
«Respeitem o outro, a liberdade do outro não pensar como nós. Não é preciso mais nada.»
É, é preciso, Elias: podemos ter opiniões diferentes, mas só uma delas pode ser lei. V. é contra o aborto salvo em certas circunstâncias. Eu e muita gente pensamos que essas circunstâncias devem ser decididas pela mulher, ou casal quando for o caso, e não pelo resto da sociedade. Em que ficamos?
V. acha, talvez, que a liberdade de expressão deve ser ilimitada (se calhar gabando o ‘marketplace of ideas’ ou alguma treta neoliberal do género); Graça e volupi acham que não. Em que ficamos?
Eu defendo a limitação da riqueza, a proibição dos offshores e a perseguição sem tréguas a cada cêntimo que lá anda. V. acha que isso é comuna e que o regabofe deve continuar. Em que ficamos?
Filipe, respeitar o outro é, para além de um acto individual (mais ou menos livre), um acto de lei.
O “ou casal quando for o caso”, no caso da concessão (até in vitro), é sempre, pelos menos até ver. Ficamos onde estamos, eu tenho respeito pela lei, você pela minha opinião e eu pela sua.
A Graça e o Valupi são contra a liberdade de expressão ilimitada? Muito me confirma. E você?
É você que usa a expressão comuna, eu chega-me a expressão comunismo, para lhe voltar a realçar que sou acérrimo defensor da igualdade de oportunidades e o meu quintal é isso mesmo, meu. Num mundo de comércio livre (repare que não lhe chamei desregulado) a propriedade dança de geração em geração, sem necessidade de você distribuir uma porção igual do mealheiro a cada um. Até porque , 5 minutos depois, o comercio já teria feito alguns mais ricos e outros mais pobres e apareceriam os Filipes a querer arrumar de novo.
miguel,
experimente ler um livro.
costuma resultar para evitar embaraços.
Não lhe pedi proteção, nem lhe reconheço boa fé na sugestão. Seu ungido!
Filipe, por favor, onde está “concessão”, leia conceção. Obrigado.
«eu tenho respeito pela lei»
Por qualquer lei, Miguel? Até por uma que obrigue a distribuir heranças e riquezas?
Mas ambos sabemos que não tem de se preocupar com isso: quem faz e vota as leis está ao serviço das grandes heranças e riquezas, não do resto da população. É por isto que referendam o aborto, mas não as questões que realmente interessam a quem manda… certamente consegue ver isto?
E mesmo esses raríssimos referendos, como o aborto ou o Brexit, são viciados por propaganda e lobbies poderosos: a maioria da população é permeável e está desacostumada a pensar, adormecida por décadas de ditaduras e depois de partidocracia; e as regras dos referendos são também vagas.
Quanto à liberdade de expressão ninguém a quer realmente ilimitada; tal como o ‘mercado livre’ isso não existe e nunca existiu. É outra fantasia hipócrita da direita. Enquanto esta sente que as opiniões estão do seu lado, enquanto domina os governos, media, ‘mercados’, tudo menos parte da academia – para parecer que há ‘pluralidade’ – viva a liberdade de expressão! Quando a coisa não lhes convém…
A questão de fundo é ainda e sempre quem tem a riqueza, quem tem o poder. As eleições apenas rodam tachos e lacaios de quem tem a riqueza e o poder. A UE foi criada para servi-los. A ONU é um clube pífio que ignoram e onde às vezes largam umas larachas, como fez hoje o Trampa. São eles que decidem o que v. pode ou não votar, o que pode ou não dizer. O resto é lana caprina, como v. disse.
— Respeitem o outro, a liberdade do outro não pensar como nós. Não é preciso mais nada.—
Com certeza.
Eu tenho tanto respeito pelo badalhoco invertebrado chegano, como ele tem pela maioria das alminhas que votam nele, ou no que julgam que ele representa.
claro migas,
deve estar pra nascer a pessoa com boa intenção que lhe sugere leitura!!
A liberdade de expressão é uma ilusão
Até mesmo em Portugal os jornais e a maioria dos comentadores são
PAgos pelo lobby sionista e satânico
Para esta corja não há vida humana na terra.
«Esta erosão dos fundamentos da política não visa apenas confundir o debate público, mas impossibilitar qualquer orientação ética. Como se alguém trocasse sistematicamente as bússolas de uma cidade inteira: todos os caminhos conduzem a lugares errados, mas mantém-se a ilusão de mapeamento e orientação.»
Quem elabora, produz e implementa essa erosão dos fundamentos da política, da sua ética e moral? Quem “transforma cada acto de responsabilização em “ataque”, cada crítica em “censura”, cada investigação em “perseguição”?
Quem é o principal ‘pai fundador’ desse produto empestado de poder inescrutinável e intocável da Democracia que armazena casos selecionados para, em tempo oportuno, transformar em ataques dirigidos contra agentes políticos considerados inimigos os quais elimina da vida por sujeição a enclausuramento ou apagamento cívico político-social?
Quem tenta há uma década calar Sócrates? Quem calou Galamba? Quem calou Costa? Quem quer, agora, calar Pedro Nuno Santos?
Claro que não estão sós. Com raríssimas excepções toda a cáfila de jornalistas e media, direta ou indiretamente, deliberada ou camufladamente, objetiva ou subjetivamente, estão todos a puxar a corda contra a deontologia de suas profissões.